O Livre comprometeu-se esta segunda-feira, em Coimbra, a apresentar propostas para proteger e definir o estatuto das repúblicas estudantis e insistiu na aposta na habitação pública para tornar as rendas mais acessíveis.

“Vemos que nos países com mais habitação pública as rendas são mais acessíveis e as pessoas e os estudantes conseguem pagar uma renda. Sabemos que isto exige um investimento, mas é um investimento com retorno positivo a todos os níveis”, disse o co-porta-voz Jorge Pinto.

O dirigente falava aos jornalistas na Alta de Coimbra, numa zona Património Mundial da Humanidade, no final de uma visita à República das Marias do Loureiro, cujo edifício pertence à Universidade de Coimbra, que pretende retirar os estudantes para intervencionar o imóvel.

Jorge Pinto mostrou-se preocupado com a falta de um estatuto das repúblicas e comprometeu-se a rever e atualizar a lei das repúblicas, que remonta aos anos 80 do século XX, “e com isso perceber como é que as podemos proteger”.

“Coimbra tem muito orgulho, e bem, em ter esta zona da cidade como Património da Humanidade, mas esse património existiu também por aquilo que as repúblicas foram e são e não queremos que agora sejam tratadas de uma maneira que não é justa”, afirmou.

O co-porta-voz do Livre comprometeu-se a apresentar propostas para proteger e definir o estatuto das repúblicas estudantis “e perceber como esse estatuto, até pelo valor cultural que tem para Coimbra e Portugal, possa ser preservado”.

O estatuto visa salvaguardar repúblicas que tenham proprietários dos imóveis públicos e privados, protegendo-as da especulação imobiliária que, infelizmente, “afasta ainda tantas pessoas do acesso à habitação a preço justo”.

Relativamente à República das Marias do Loureiro, Jorge Pinto adiantou que o Livre, através do Ministério do Ensino e da Ciência, vai pedir “ao ministro que se informe do que está a acontecer e exija à Universidade de Coimbra mais clareza sobre os seus planos”.

“Se as obras forem para melhorar a infraestrutura da república e imediatamente voltar a ser aquilo que é hoje não é forçosamente mau desde que se acautele que os residentes continuam a residir juntos durante o tempo da intervenção, mas será que é esse o plano, que não há um plano alternativo de tornar a república em algo diferente”, questionou.

O Livre pretende criar um estatuto para as repúblicas estudantis de Coimbra e alargá-lo a todo o país, para que mais repúblicas possam surgir noutros pontos do país.

As repúblicas estudantis são espaços partilhados por alunos do ensino superior, que vivem em comunidade e gerem o espaço de acordo com regras próprias e de forma autónoma.