Depois de duas conferências mais “protocolares”, chegava a primeira conferência “a sério”. Nos últimos dois meses, Jorge Jesus desdobrou-se em contacto com os adeptos em diversas ocasiões, tendo marcado presença em diversos estádios do futebol português — e não só. Para lá da presença para avaliar de perto os jogadores que estão na sua lista, o novo selecionador nacional resolveu aproximar-se dos adeptos de outra forma, desenvolvendo a sua presença nas redes sociais. À parte disso, as suas conferências de imprensa continuam a ser um caso à parte, embora as duas primeiras — a da apresentação e a do anúncio da primeira convocatória — tenham sido mais protocolares. Esse fator mudou esta quarta-feira, com a primeira conferência de antevisão a uma partida.

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Para apimentar ainda mais a ocasião, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu inovar e, pela primeira vez, “abriu” as portas do momento ao público, ainda que de forma limitada, já que o “evento” aconteceu no primeiro dia do Portugal Football Summit, que decorre na FPF Arena Portugal, na Cidade do Futebol. No palco principal do evento que acontece até sexta-feira, o novo selecionador analisou a estreia da nova edição da Liga das Nações, diante do País de Gales, e comentou as mudanças feitas em relação ao Campeonato do Mundo, com Samu Soares, Nuno Tavares, João Palhinha e Fábio Silva a perfilarem-se como novidades.

“Como o Cris disse, já estivemos em grandes competições e nunca vimos uma plateia com tanta gente. Hoje [quarta-feira] vai ser o meu primeiro treino de campo. Se não acontecer nada de especial [bate na mesa], o Cris amanhã vai jogar, de início. Estou numa seleção que tem os melhores jogadores do mundo. Todas as competições são para ganhar. Como é óbvio temos de defender esse título [Liga das Nações]. Era bom entrar [na Seleção] com um título. Ser selecionador não é a mesma coisa que ser treinador de um clube, mas não tenho notado isso. Todos os dias estou na FPF, como fazia nos clubes. Há sempre trabalho para fazer e é o que tenho feito. Não tenho sentido nenhuma diferença”, começou por anunciar o selecionador.

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“Hoje disse aos jogadores: ‘É mais fácil treinar-vos porque vocês são inteligentes’. Tenho essa vantagem porque tenho grandes jogadores, que são mais inteligentes. Ronaldo? Noto que a preocupação com o Cris é quanto tempo vai jogar, se tem condição física para jogar… o Cris é um símbolo de Portugal e da Seleção [aplausos da plateia]. Mas isso não lhe dá o direito de jogar todos os jogos. Esse direito é do treinador. Estive um ano com ele e sei o que é esta referência em relação a Portugal. Nós fizemos um jogo em Hong Kong, num estádio com 55 mil pessoas. No jogo em que ele não jogou estavam três mil pessoas. No jogo em que ele jogou estavam 55 mil pessoas. É a diferença [aplausos da plateia]. Se vai jogar os 90 minutos? Como digo, o jogo é que dita. Espero que não aconteça nada fisicamente e que as coisas lhe corram muito bem. Se fizer dois golos tiro-o imediatamente [risos]”, explicou Jesus sobre a gestão de Ronaldo.

Logo a seguir, o treinador foi questionado sobre a eventual titularidade de João Palhinha, respondendo bem ao seu estilo: “Está a ver? O estatuto é diferente. Um tem estatuto, posso dizer. O outro não tem estatuto, não digo”. “Ouvir o hino? Vai ser o primeiro jogo, tenho sentimentos, sou português, amo o meu país… não sei como é que me vou sentir quando ouvir o hino nacional, mas garanto uma coisa: sei o hino nacional todo [risos]. É uma mistura de sentimentos. Meio-campo? O futebol é arte jogada pelos jogadores e por quem treina. Não é uma ciência exata. Como nas outras profissões, a criatividade é que faz a diferença. Tenho uma forma de olhar para o jogo que é diferente da do antigo selecionador. Sinto que posso criar uma nova dinâmica e uma nova cultura de jogo. Acredito nos meus jogadores e no meu trabalho”, acrescentou.

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“Sou apologista de ter um médio defensivo, recuperador, que compensa várias valências. Só aí vai ser diferente. Sou um treinador que gosta mais de jogar com um segundo avançado do que com um terceiro médio. Sempre? Não. Amanhã [quinta-feira] vai acontecer isso. Segundo avançado que pode ligar melhor com as características do Cristiano? Todos. Todos têm características para poderem jogar com ele. Sem ter uma base de treino, não posso chegar ao meu primeiro jogo e mudar tudo. Até atrofio os jogadores. Aqueles três/quatro jogadores que já têm uma base tática comigo vão jogar”, concluiu Jorge Jesus, que se despediu da plateia com um “até amanhã”.