A líder dos sociais-democratas suecos, Magdalena Andersson, cujo partido venceu as eleições legislativas de setembro na Suécia, anunciou esta segunda-feira que não conseguiu formar Governo. “Tendo em conta as conversações que mantive, concluo que, no atual estado de coisas, não me é possível formar um Governo”, declarou, numa conferência de imprensa.

Isto significa que o presidente do parlamento, Andreas Norlén, confiará essa missão a outro líder partidário — possivelmente o conservador Ulf Kristersson, sem garantia de êxito. O presidente do Riksdag, Andreas Norlén, o parlamento sueco, vai reunir-se na quarta-feira com os líderes dos principais partidos, com exceção de Magdalena Andersson.

Esta decisão de Magdalena Andersson surgiu após uma reviravolta política: o Partido da Esquerda (de esquerda radical) viabilizou, ao lado dos partidos de direita, a reeleição de Andreas Norlén — nome proposto pelos Moderados, de centro-direita — para a presidência do parlamento.

A líder social-democrata, de 59 anos, que exerceu brevemente o cargo de primeira-ministra entre 2021 e 2022, revelou-se incapaz de montar uma aliança. Em causa, está a falta de consenso entre dois dos seus eventuais parceiros: o Partido de Esquerda e o Partido do Centro. Os centristas impuseram como linha vermelha a exclusão da esquerda radical do Governo (que deseja obter representação governamental), inviabilizando a coligação de quatro partidos que daria a maioria à esquerda.

Por sua vez, a aliança entre a direita e a extrema-direita, que perdeu a eleição por 50 mil votos, aguarda agora uma oportunidade para formar Governo. Este bloco é liderado por Ulf Kristersson, que exerce interinamente a chefia do Governo.

O bloco de direita é composto pelos Moderados, os Democratas Suecos (de direita radical), os Liberais e os Democrata-Cristãos. Nas eleições de setembro, estes quatro partidos falharam por pouco uma maioria. Já à esquerda, a aliança seria entre os sociais-democratas, o Partido de Esquerda (que mudou de posição), o Partido do Centro e os Verdes. Em teoria, teriam uma maioria de 176 lugares no Parlamento; no entanto, os centristas e a esquerda radical não chegaram a acordo.

Agora, caso o primeiro-ministro cessante também falhe, nada exclui a possibilidade de Magdalena Andersson tentar novamente. O país nórdico está habituado a este tipo de reviravoltas: após as eleições legislativas de 2022, foram necessários 37 dias para formar Governo; em 2018, o processo demorou 134 dias.