O PCP na Câmara de Lisboa criticou esta quarta-feira o atraso na requalificação da Praça do Martim Moniz, aprovada há quatro anos, mas que “ainda nem sequer começou”, tendo a governação PSD/CDS-PP/IL afirmado que “está em plano para execução”.
Na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa (CML), o vereador do PCP, João Ferreira, questionou sobre quando é que vai começar a obra de requalificação da Praça do Martim Moniz, “se vai acontecer”, lembrando que foi aprovada em 2022 sob proposta do executivo presidido por Carlos Moedas (PSD) e adjudicada em 2023 ao projeto vencedor do concurso público internacional.
“A obra foi decidida em 2022 e nessa decisão estava inscrito que ela seria entregue em março de 2026. Estamos quase em outubro e ela nem sequer começou”, disse o comunista.
Em resposta, o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), afirmou que a requalificação da Praça do Martim Moniz “é um projeto muito interessante, é um projeto de inovação, é um projeto de qualificação e é um projeto complexo”, referindo que o processo está a envolver os pelouros de Urbanismo, Espaço Público e Mobilidade, e adiantando que “está em plano para execução”, sem revelar datas concretas.
Já a vereadora de Projetos e Obras em Espaço Público, Joana Baptista (independente, eleita pelo PSD), realçou que o projeto da Praça do Martim Moniz foi alavancado por Carlos Moedas no seu programa eleitoral, assim como a requalificação do eixo da Avenida Almirante Reis, e outros projetos pelas 24 freguesias de Lisboa.
“Mas, porque é que só se toca naquilo que não está em execução […] e não se fala em tanta obra pública que este mesmo presidente prometeu e está a acontecer”, interrogou a vereadora, referindo que este mandato 2025-2026 “está a ser vibrante” quanto à reabilitação do espaço público.
Neste sentido, Joana Baptista convidou o vereador do PCP para “ir ver as grandes obras públicas que estão a acontecer um pouco por toda a cidade”.
Em 22 de novembro de 2023, a CML aprovou a adjudicação do projeto vencedor para a requalificação da Praça do Martim Moniz, de Filipa Cardoso de Menezes & Catarina Assis Pacheco – Arquitetura Paisagista, Lda., que prevê “um novo jardim para as pessoas”, preservando a memória da Cerca Fernandina e apostando num futuro “tendencialmente pedonal”.
“um novo jardim para as pessoas”. O projeto foi adjudicado por ajuste direto pelo preço de 462 mil euros, repartido entre 2023 e 2026, no qual se incluiu o valor relativo ao 1.º prémio do concurso, no montante de 30 mil euros, valores aos quais acresce o IVA à taxa legal em vigor de 23%.
Na reunião desta quarta-feira da CML, o vereador do PCP apresentou uma moção para valorizar e investir nas forças de segurança para melhorar a segurança das populações, mas a proposta foi rejeitada com os votos contra de PSD/CDS-PP/IL e Chega, com o social-democrata Carlos Moedas a justificar a oposição com o compromisso do Governo de PSD/CDS-PP de reforçar o número de polícias em Lisboa até ao final deste ano.
O vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, acusou Carlos Moedas pela insegurança na cidade, sustentando que tal se deve à posição política de “abrir a cidade a todos” e afirmando que “há uma relação direta entre a imigração e o aumento da criminalidade”.
Contrariando essa visão, Carlos Moedas reforçou que Lisboa é uma cidade multicultural, que acolhe quem vem de diferentes pontos do mundo, e afirmou que existem situações de insegurança que preocupam, mas que se devem à falta de polícia.
“Sabemos que há insegurança no Martim Moniz […], há ali pessoas, como é o caso do Hotel Mundial, que sofrem muito, muito, muito com o que se está ali a passar”, apontou o presidente da CML, considerando que é preciso trabalhar em conjunto, inclusive com os comerciantes, e “não criar divisões na cidade”.
O vereador do PS Pedro Anastácio apresentou um vídeo com várias declarações de Carlos Moedas quanto ao descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu no dia 3 de setembro de 2025 e que provocou 16 mortos e 24 feridos, lembrando que nos dias após o acidente o presidente da CML assegurou que tinha contactado todas as famílias das vítimas.
No entanto, recentemente, a propósito do primeiro ano desde a tragédia, vítimas e famílias afetadas pelo descarrilamento revelaram, numa carta aberta, que se sentiram “esquecidas” pela CML ao longo deste ano, referindo que “o único contacto direto” foi para a inauguração do memorial, tendo, por isso, o presidente da CML explicado que os contactos “não foram disponibilizados” à autarquia, exceto os que tiveram a iniciativa de o fazer.
“Como compreenderá, estas suas declarações merecem escrutínio. Por mais que não queira falar deste tema, o senhor presidente politizou esta tragédia de forma lamentável. Tudo foi ganho de causa, até com vítimas. Na maior tragédia dos últimos 60 anos desta cidade, não fez o mais básico, que era contactar as vítimas”, criticou o vereador do PS, sem obter qualquer resposta da governação PSD/CDS-PP/IL.