Dois suspeitos de terrorismo foram abatidos numa operação da Força Local na aldeia de Nangunde, na província moçambicana de Cabo Delgado, disse esta quarta-feira à Lusa uma fonte oficial.

Segundo a fonte, os dois suspeitos insurgentes foram abatidos no domingo na zona de produção de Naneve, pertencente à aldeia de Nangunde, no distrito de Muidumbe, surpreendidos numa emboscada.

A Força Local integra voluntários paramilitares, incluindo antigos combatentes da luta de libertação nacional e descendentes, organizados a nível comunitário para apoiar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.

Além dos dois mortos neste ataque, um terceiro elemento ficou ferido, mas acabou por se colocar em fuga com o apoio de outros insurgentes.

“Ferimos um, mas que não conseguimos capturar”, disse a fonte.

Garantiu ainda que toda a zona baixa das aldeias Nangunde, Ntchinga e Namacande está sob patrulha da Força Local e outras forças estatais, para devolver o sossego das comunidades.

Há duas semanas, quatro civis foram mortos por supostos terroristas na zona de Naneve, em Nangunde, ataque que motivou a fuga dos produtores agrícolas da região, por recearem mais mortes.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), noticiado este mês pela Lusa, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025″, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.