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Verão de 2026 foi o terceiro mais quente desde 1931. 27 dias consecutivos de noites quentes e a onda de calor mais extensa

Temperatura média 1,21ºC acima do normal, 27 noites seguidas mais quentes que o habitual e cinco dias de agosto que distorceram os dados de precipitação. O balanço do IPMA.

Foram registados 23 novos extremos dos maiores valores da temperatura do ar, segundo o boletim do IPMA
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▲Foram registados 23 novos extremos dos maiores valores da temperatura do ar, segundo o boletim do IPMA

▲Foram registados 23 novos extremos dos maiores valores da temperatura do ar, segundo o boletim do IPMA

Nos últimos 95 anos este foi o terceiro verão mais quente em Portugal. O balanço sazonal do IPMA, publicado esta quinta-feira, coloca 2026 no pódio, fazendo as contas desde 1931. Mas há outros valores que mostram ainda melhor a dimensão do calor dos últimos meses. E nem sequer dizem respeito às temperaturas máximas, mas sim às mínimas: em 27 dias consecutivos, as noites estiveram mais quentes do que o normal. E apenas seis dias de chuva intensa no final de agosto tornam um dado enganador: o de o verão ter acabado classificado como normal ao nível da precipitação. O “normal” aqui tem como referência o período 1991-2020.

Começando pelo princípio: uma temperatura média de 23,17ºC, 1,21ºC acima do normal tornou o verão de 2026 o terceiro verão mais quente desde 1931. Na liderança está o ano passado, 2025, com temperatura média de 23,51ºC. E no segundo lugar surge 2005, com uma média de 23,43ºC. Ainda mais relevante: os últimos cinco verões registaram todos temperaturas médias acima do normal. E os 10 verões com temperaturas máximas médias mais altas aconteceram todos nos últimos 25 anos.

Um dos maiores destaques vai, contudo, para as temperaturas mínimas, muito mais do que para as máximas. Porque dos 23 novos extremos de calor da temperatura do ar, 18 tiveram lugar durante a noite e apenas cinco durante o dia. Entre 11 de junho e 7 de julho houve 27 dias consecutivos com temperaturas mínimas acima do normal e, só em julho, 13 novos extremos de temperatura mínima.

Ainda em relação às temperaturas noturnas ou noites tropicais, foram batidos cinco recordes absolutos em julho. Em Lisboa, Coimbra, Figueira da Foz, Viana do Castelo e Cabo Raso. O recorde absoluto de temperatura máxima deste verão aconteceu em Mora, a 3 de julho, e já era conhecido: 44,3ºC.

Mas também foram batidos recordes de precipitação este verão. O IPMA contabilizou 17 novos extremos de precipitação diária. Aconteceram todos em agosto. O máximo de chuva em 24 horas pertence a Vila Nova de Cerveira com 58,2mm (litros por m²). Mas este é um dado enganador. O balanço sazonal do IPMA aponta para este verão como tendo sido “normal” em relação a chuva, mas foi o episódio entre 23 e 28 de agosto que mudou tudo. Em junho e julho a chuva foi inferior à média e até 23 de agosto a precipitação estava abaixo do normal em praticamente todo o território. Depois, naqueles seis dias, 92% das estações ultrapassaram o normal de agosto e na região de Lisboa choveu mais de sete vezes que o normal para o mês. Em agosto, aliás, choveu 2,6 vezes acima do que é normal (260%).

Nos três meses houve um total acumulado de 43,3mm, o que representa 97% do valor normal. Mas com muita desigualdade pelo país. Almada teve 207% da precipitação normal e Olhão apenas 8%. No interior alentejano e no Sotavento algarvio houve zonas abaixo de 25%, mas em partes de Lisboa, Santarém e Setúbal atingiram-se os 150% a 200%. Devido a essa chuva, no fim do verão os valores sobre a seca tinham diminuído e distribuíam-se assim: 29,5% na classe normal, 54,1% na classe de seca fraca, 9,2% na classe de seca moderada e 7,2% na classe de seca severa.

Neste período de verão foram detetadas duas grandes ondas de calor. Ambas em junho (sendo que conta sempre o dia de início): de 9 a 24 e de 29 de junho a 11 de julho. Esta segunda, que começa ainda em junho e se estende até quase meio de julho, tem que se lhe diga: foi a terceira com maior duração, com 13 dias de máximo; teve a maior magnitude total para junho desde 1981; foi a 2.ª maior em extensão, chegando a 39 estações do IPMA simultaneamente; e ao todo atingiu 77% das estações.

Grande parte da Europa Ocidental, Central e do Sul também teve um verão mais seco do que o normal. Culpa do transporte de ar quente e seco vindo do Norte de África. O IPMA diz tratar-se de uma situação excecional em termos climatológicos. Houve cúpulas de calor. E França e Reino Unido registaram anomalias superiores a +4ºC.

[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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