A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) manifestou esta sexta-feira preocupação com a falta de garantias de apoio psicológico aos alunos do Ensino Superior, findo o programa de três anos cuja vigência termina este mês.

Fonte da OPP disse esta sexta-feira à agência Lusa não dispor ainda de qualquer informação sobre a continuidade ou financiamento de iniciativas destinadas a prestar apoio psicológico aos estudantes do Ensino Superior.

A bastonária da OPP, citada em comunicado divulgado esta sexta-feira, defendeu a importância da continuidade do Programa para a Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior, que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos três anos, com resultados “muito positivos”.

Para Sofia Ramalho, a promoção da saúde mental não se faz em ciclos isolados de três anos “consoante os apoios externos que surgem ou não”.

O Programa para a Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior, financiado em 12 milhões de euros, permitiu apoiar 40 projetos em 68 universidades e institutos politécnicos, públicos e privados, tornando possível a criação ou reforço de respostas de apoio psicológico, prevenção e promoção da saúde mental, segundo a Ordem.

Agora, os psicólogos alegam que a transição para o programa SOMA+Academia, “anunciado pelo Governo”, tem de se traduzir num financiamento efetivo e previsível.

“O novo programa tem de ser implementado o quanto antes, para evitar interrupções nas respostas de apoio, a perda dos profissionais e a capacidade instalada das instituições”, sublinhou a OPP nesta tomada de posição.

A bastonária recordou que a população académica vive momentos de maior exigência, muitas vezes com afastamento das redes familiares e sociais e entrada no Ensino Superior num período já em si crítico de passagem dos jovens para a idade adulta.

Estes programas permitiram a criação de respostas, a contratação de psicólogos, o desenvolvimento de programas de prevenção e de promoção.

“Interromper agora este investimento pode colocar em risco muito do trabalho realizado e é uma marcha-atrás na aposta na prevenção de problemas de saúde psicológica nos estudantes do Ensino Superior e na sua plena inclusão e permanência académica, colocando em causa projetos de vida”, defendeu.