O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, acusou este sábado o Governo de fazer o contrário do que os portugueses precisam ao “favorecer o grande capital” em vez de “aliviar a vida das pessoas”.
“O Governo, em vez de adotar medidas corajosas e determinadas, que ajudem quem tem menor rendimento e quem vive vidas completamente aflitivas, cada vez mais aflitivas, com a subida dos preços do supermercado, da habitação, da gasolina, faz o contrário e adota medidas que agravam a situação”, disse José Manuel Pureza.
Em Amarante, no distrito do Porto, onde visitou a feira para falar com produtores e consumidores sobre o aumento do preço do custo de vida, o coordenador do BE fez críticas ao executivo de Montenegro, bem como às opções do Chega e do PS.
“Veja-se o que aconteceu agora com essa aliança entre o governo e o Chega para tornarem a vida dos inquilinos ainda mais infernal do que já é. Nós temos feito sempre insistentemente uma chamada de atenção para medidas que é possível adotar e que é preciso adotar para aliviar a vida das pessoas”, disse.
Dando exemplos de medidas adotadas em outros países, José Manuel Pureza lembrou também medidas tomadas “até em Portugal”, nos Açores e na Madeira.
“Estou a falar, por exemplo, do controlo do preço dos combustíveis, a fixação de preços máximos nos combustíveis ou a fixação de tetos máximos às rendas de casa em função da localidade, em função do tipo de casa. Ou ainda a necessidade de a Caixa Geral de Depósitos, que é um banco público, do qual o único acionista é o Estado, adotar medidas de limitação das margens de lucro, contagiando assim o resto do sistema bancário e contrariando, portanto, os efeitos muito negativos da subida dos juros por parte do Banco Central Europeu”, enumerou.
Em declarações à Lusa, quando se preparava para iniciar um périplo pela feira onde ouviu muitos comerciantes a queixarem-se da falta de clientes, o coordenador dos bloquistas voltou a exigir que o IVA para os bens essenciais seja estabelecido na taxa mínima e o dos combustíveis numa taxa intermédia.
“O IVA é um imposto cego que toda a gente paga e, portanto, quem é mais pobre sofre mais. É justamente para atender a essas camadas mais pobres que é preciso, pelo menos transitoriamente, fixar o IVA em valores muito reduzidos, quer para os combustíveis, numa taxa intermédia, quer para os bens alimentares essenciais em taxa zero. O Governo faz o contrário. Descer o IRC é favorecer o grande capital, é favorecer as grandes empresas. É tudo o contrário daquilo que deve ser”, defendeu.
José Manuel Pureza também aproveitou para criticar a opção do PS em abster-se no Orçamento do Estado.
“Do nosso ponto de vista, um erro muito grave por parte de José Luís Carneiro, porque, na verdade, nós sabemos que quem fica a rir-se com isto é Luís Montenegro. Luís Montenegro adotará o discurso do Chega, como tem vindo a fazer sempre, e tem os votos do PS e isso torna esta situação uma situação insustentável”, concluiu.