Mais do que qualquer outra posição, os avançados têm uma relação muito pessoal com a bola e com a baliza. Há dias em que todo o gesto técnico do remate pode ser perfeito mas por alguma razão a tentativa não entra, há alturas em que tudo o que pode não ter saído tão bem termina da melhor forma. Gonçalo Ramos, que foi pela primeira vez titular em três encontros consecutivos pela Seleção, vive uma dessas fases – e com três golos consecutivos, em Oslo, em Copenhaga e agora no Dragão. Com isso, mantém um número ao alcance de poucos a nível de seleções, reforçado pelo rendimento que conseguiu neste arranque da Liga das Nações.

Naquele que seria um dos encontros em que teria mais holofotes em cima, em Copenhaga com a Dinamarca, Gonçalo Ramos confirmou que consegue fazer a diferença sempre que é chamado à titularidade de Portugal em jogos oficiais: marcou um hat-trick e fez uma assistência frente à Suíça no Mundial-2022, antes de ficar em branco na partida seguinte com Marrocos; bisou com o Luxemburgo na qualificação para o Euro-2024, marcando depois à Eslováquia e ficando em branco com o Liechtenstein; marcou um golo e fez uma assistência com a Arménia na qualificação para o Mundial-2026; fez mais um golo contra a Noruega em Oslo, na Liga das Nações. Em Copenhaga, marcou e assistiu; agora, voltou a marcar um golo.

Olhando apenas para encontros oficiais, o avançado do AC Milan esteve envolvido em 13 golos em nove titularidades, marcando nas últimas três partidas a adversários do top 20 da FIFA. Contando também com os jogos particulares da Seleção, marcou 14 golos num total de 13 encontros em que entrou como titular.

“Golo? O que conta é a jogada da equipa, estava lá para encostar. Eu, como ponta-de-lança, tinha de lá estar. Parece fácil, mas não é. Tento agradecer sempre que me oferecem, porque o João [Félix] podia ter optado por outra finalização. É um orgulho e a demonstração do meu trabalho. Criámos muitas ocasiões e eu, como ponta-de-lança, acabei por usufruir da qualidade que me rodeia. Sempre mostrei que estava presente quando não jogava tanto, faz parte do futebol e estes três jogos são uma demonstração do meu trabalho”, comentou Gonçalo Ramos após o encontro à SportTV. “Estamos numa fase de adaptação ao novo treinador, mas queremos terminar o grupo em primeiro. Os jogos estão a servir de treinos para ajustarmos”, concluiu.

Também João Cancelo voltou a marcar, como tinha feito em Copenhaga, sendo um dos melhores em campo. No final, o lateral do Barcelona deixou elogios à equipa e falou também de Ronaldo. “Como o Bruno [Fernandes] já disse, o Cristiano é o nosso capitão e o melhor jogador que Portugal já teve. As coisas certamente vão acabar da melhor maneira. O importante são as quatro vitórias. Fizemos todos um grande trabalho, com ele [Ronaldo] incluído. Se falei com ele? Obviamente que falámos, mas não vou dizer aqui. Deixo o resto para o presidente da Federação”, comentou João Cancelo na flash interview.

“Golo? Estava bem posicionado, sei que o Nuno [Mendes] tem um lançamento muito forte. Quando vi a bola a bater pela primeira vez no chão, foi instinto. Olhei para a baliza e, graças a Deus, correu bem. Conseguimos assimilar os conceitos do novo treinador rapidamente. Também é preciso um bocadinho de sorte. Todos os companheiros do estágio contribuíram, uns jogaram mais, outros menos, mas com poucos dias de treinos conseguimos assimilar bem as ideias. Hoje fomos a melhor equipa mais uma vez”, acrescentou.

“Foi difícil ganhar os quatro jogos. São seleções muito poderosas fisicamente e fortes nas bolas paradas. Não temos uma equipa muito alta e eles têm alguns jogadores que jogam bem pelo ar. Conseguimos meter em prática o que o míster nos disse. Tivemos dificuldades em pequenos detalhes que não treinámos, não tivemos tempo para treinar bem, para aperfeiçoar o que o míster tem ensinado, porque temos pouco tempo de recuperação entre jogos, mas conseguimos fazer quatro bons jogos”, destacou também Nuno Mendes.

“É o início de uma nova era com o míster. Temos muito para evoluir, acho que ainda não mostrámos a qualidade máxima da equipa, o nosso potencial, entre os jogadores que estiveram cá e os que não vieram a este estágio. Temos muitos jogadores de qualidade em Portugal e muita margem para evoluir. Ronaldo?  Qualquer jogador que venha à Seleção é bem-vindo. Se o Cristiano voltar, estamos aqui para o receber de braços abertos. Foco-me no meu trabalho, que é jogar à bola, ajudar a Seleção ao máximo e estar a 100% em todos os jogos. Estou contente por ter jogado todos os jogos”, rematou o lateral do PSG.