As autoridades norte-americanas detiveram um homem de 30 anos com ligações a um tiroteio numa escola no Canadá. O atentado, em fevereiro deste ano, foi levado a cabo por Jesse Van Rootselaar, uma mulher transgénero de 18 anos que chegou a discutir vários cenários de violência com armas em interações com o ChatGPT.
O Departamento de Justiça norte-americano anunciou esta quarta-feira a captura de James Cody Bryant no estado de Washington, por suspeita de conspirar para assassinar pessoas num país estrangeiro. Segundo as autoridades, o homem teve vários contactos com a atiradora. Deu-lhe conselhos técnicos, enviou-lhe dinheiro, incluindo para os sapatos que a jovem usou no ataque, e aceitou fazer uma transmissão em direto de tudo.
“James Cody Bryant tinha a informação e a capacidade de alertar as autoridades e chegou a discutir essa possibilidade com a atiradora”, começou por dizer o procurador do distrito ocidental de Washington numa conferência de imprensa conjunta com a polícia canadiana. “Escolheu não o fazer, encorajou uma assassina e ofereceu-lhe assistência”, denunciou Neil Floyd, citado pela agência Reuters.
O ataque aconteceu em fevereiro deste ano, na Escola Tumbler Ridge, no estado canadiano da Colúmbia Britânica, perto da costa ocidental do país. Morreram oito pessoas. Só no interior da escola, matou seis, incluindo crianças de 12 e 13 anos, e uma professora assistente de 39 anos. A autora do ataque foi encontrada sem vida pela polícia pouco depois, havendo suspeitas de que se suicidou na sequência dos homicídios. Ainda antes do tiroteio na escola, Jesse Van Rootselaar matou a mãe e o irmão de 11 anos em casa. As autoridades referiram na altura que tinha um histórico de problemas mentais.
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O Wall Street Journal avançou que Rootselaar descreveu a um chatbot da OpenAI vários cenários de violência com armas, ao longo de vários dias. Os sistemas automáticos da tecnológica detetaram a atividade, levando alguns funcionários a pedir às chefias para que fosse feito o alerta às autoridades canadianas. O requerimento, noticiou o jornal, foi rejeitado pela liderança da OpenAI. As famílias das vítimas anunciaram um processo contra a empresa.
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As autoridades acreditam que Rootselaar e Bryant se conheceram três anos antes do ataque, através da plataforma Omegle, que encerrou as suas atividades em novembro de 2023. A atiradora e o suspeito começaram a trocar mensagens sobre um possível ataque. Bryant chegou a sugerir à jovem que apagassem o histórico da conversa e noutra ocasião que usassem uma VPN para não serem detetados se publicassem um vídeo do tiroteio.
Na conferência foi revelado que em vários momentos Bryant tentou convencer Rootselaar a cancelar o atentado. Nunca contactou as autoridades. No dia do atentado aconselhou-a sobre como resolver um problema com o carro para chegar à escola, já depois de a jovem ter matado a mãe e o irmão.