Nove pessoas morreram e cerca de 25 ficaram feridas esta terça-feira na sequência de um ataque a tiro numa escola secundária no Canadá. O número de mortos inclui a autora do ataque, Jesse van Rootselaar, que foi encontrada sem vida pela polícia pouco depois, havendo suspeitas de que se suicidou na sequência dos homicídios.
O ataque, um dos acontecimentos mais mortíferos da história recente do Canadá, ocorreu na escola secundária de Tumbler Ridge, uma pequena povoação com menos de 3 mil habitantes no estado canadiano da Colúmbia Britânica, perto da costa ocidental do país.
A atiradora foi identificada como Jesse Van Rootselaar, uma mulher transgénero de 18 anos que tinha saído daquela escola quatro anos antes. Numa conferência de imprensa acompanhada pela CBC News, o comissário-adjunto da polícia canadiana, Dwayne McDonald, indicou que a polícia foi chamada várias vezes por chamadas ligadas a questões de saúde mental nos últimos anos, algumas dessas envolvendo o uso de armas. Ainda não há qualquer motivo definido nem nenhuma nota foi encontrada ligada ao ataque.
De acordo com a Agência Reuters, seis pessoas foram encontradas mortas no interior da escola secundária: uma educadora de 39 anos e cinco estudantes: três raparigas de 12 anos, um rapaz de 12 anos e outro de 13. Um dos mortos foi encontrado numa escadaria e os restantes na biblioteca da escola.
Os outros dois mortos foram encontrados em casa da autora, sendo identificados como sendo a mãe e o meio-irmão. Terão sido mortos antes do ataque, indicou a polícia. Após o tiroteio na escola, Van Rootselaar suicidou-se.
Contabilizaram-se ainda 27 feridos, incluindo duas pessoas hospitalizadas em risco de vida e cerca de 25 a receber tratamento médico devido a ferimentos mais ligeiros.
A polícia recolheu duas armas da escola: uma de cano longo e uma pistola modificada. Nenhuma delas estava registada no nome de Van Rootselaar, tendo sido devolvidas a pedido do proprietário no registo. Não é claro como é que a autora conseguiu obtê-las, dizem ainda as autoridades.
O alerta para a ocorrência, com um atirador na escola, foi dado na terça-feira à tarde, quando era já de noite em Portugal — e o caso foi entretanto encerrado, uma vez que a Polícia Montada Real Canadiana (RCMP) considerou não existirem “suspeitos em fuga ou ameaças ao público”.
De acordo com as primeiras declarações da polícia, o primeiro alerta recebido no início da tarde de terça-feira dizia respeito a um atirador ativo na escola secundária de Tumbler Ridge. Ao chegar ao local, as forças da ordem descobriram, ao revistar o estabelecimento, sete pessoas que tinham sido mortas a tiro, incluindo o atirador suspeito.
“Foi uma situação que evoluiu rapidamente e de forma dinâmica, e a cooperação rápida da escola, dos primeiros socorristas e dos residentes foi crucial para a nossa intervenção”, afirmou Ken Floyd, superintendente distrital da RCMP.
Primeiro-ministro do Canadá “chocado”
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, manifestou-se “chocado” com o “terrível tiroteio” na província da Colúmbia Britânica.
“Junto-me aos canadianos para expressar as minhas condolências àqueles cujas vidas foram hoje abaladas para sempre e para saudar a coragem e o altruísmo dos socorristas, que arriscaram as vidas para proteger os seus concidadãos”, declarou o chefe do Governo numa mensagem publicada na rede social X.
Os assassinatos em massa são raros no Canadá, mas este é o segundo na Colúmbia Britânica em menos de um ano. Em abril de 2025, onze pessoas foram mortas em Vancouver por um homem que atropelou com um camião uma multidão que celebrava um festival cultural filipino.
O primeiro-ministro do governo da Colúmbia Britânica, David Eby, também reagiu ao ataque, em declarações aos jornalistas. “É difícil saber o que dizer numa noite como esta”, afirmou. “É o tipo de coisa que parece que acontece noutros lugares e não perto de casa.”
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