O Governo norte-americano decidiu criar uma legislação para afastar do mercado não só os fabricantes chineses, como também os construtores em que os chineses detenham mais de 15%. Contudo, esta estratégia não só pressiona as marcas chinesas, pertença do Estado ou privadas, como também os construtores europeus em que empresas chinesas detêm participações significativas.

Quem está por trás da lei que visa banir do mercado norte-americano os construtores que possuem uma participação chinesa considerada demasiado elevada é o senador Bernie Moreno, um republicano de 59 anos, nascido na Colômbia, que lidera a discussão do tema. O objectivo da regulamentação, a chamada “Lei de Segurança de Veículos Conectados” que ainda não foi aprovada, é proteger os EUA de veículos que os possam espiar, um pouco à semelhança do que os chineses fizeram há bem pouco tempo na China.

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Apesar do debate, ninguém duvida que o regulador norte-americano vai mesmo pressionar para que a mencionada legislação avance, embora isto possa colocar alguns dos construtores que os condutores apreciam perante uma situação muito desagradável. É o caso da Mercedes-Benz, que possui dois accionistas chineses, sendo um propriedade do Estado comunista, a Beijing Automotive Group, conhecida como BAIC Group, e o outro o consórcio privado Geely, na pessoa de Li Shufu.

Enquanto a BAIC detém 9,98% da Mercedes, a Geely (através de Shufu) controla 9,7%, o que em conjunto atira o total para 19,68% do capital do construtor, bem acima do limite máximo de 15% estipulado pela nova legislação americana. Assim que a proposta de lei foi anunciada, rapidamente alguém chamou a atenção para o facto de alguns construtores “não chineses” também correrem o risco de ficar de fora do mercado norte-americano.

Moreno praticamente garantiu que o Presidente Trump não irá assinar uma lei que baniria a Mercedes, mas há outros construtores que estão igualmente em incumprimento regulamentar, nomeadamente a Aston Martin, que hoje tem 17% do capital em mãos chinesas. Ou até mesmo a Volvo que, apesar de pertencer a 100% à Geely, irá continuar a disputar o mercado norte-americano, onde inclusivamente possui fábricas.