O candidato presidencial Flávio Bolsonaro esclareceu esta quarta-feira o que quis dizer com “mudar a Constituição” para “redemocratizar” o Brasil, afirmando que se referia ao fim da reeleição, redução da maioridade para fins penais e reforma do sistema Judiciário.

A explicação ocorre um dia após declarar que, em caso de vitória na segunda volta, que vai disputar com o atual Presidente, Lula da Silva, a 25 de outubro, pretende “mudar a Constituição” para “redemocratizar” o Brasil, uma vez que o seu partido obteve a maioria no Congresso Nacional.

“Vocês acham que o Brasil está numa democracia plena? Não. A gente tem que respeitar a política, tem várias PEC [Propostas de Emendas Constitucionais] que são possíveis”, declarou a jornalistas, em Brasília.

“Tem que haver, sim, uma reforma no Judiciário. Eu sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC”, realçou.

“O fim da reeleição também tem que ser por PEC, e é o Congresso que vai decidir se são quatro ou cinco anos. Qualquer coisa diferente disso é especulação. Vi gente dizendo que agora, com maioria, Flávio vai fazer o que o pai não fez. Para com isso”, completou.

O candidato da direita disse que usará o “capital político de um presidente recém-eleito para aprovar” a PEC do fim da reeleição, como forma de “dar o exemplo” e para colocar “o cidadão no centro” do seu eventual governo.

Na segunda-feira, o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, declarou que Jair Bolsonaro “é um forte candidato” a presidente do Brasil nas eleições de 2030, uma vez que Flávio fará de tudo para libertar o pai caso seja eleito.

Eventuais propostas de alteração à Constituição do Brasil, como as que Flávio Bolsonaro propôs, precisam de ser discutidas e votadas em duas voltas pelas duas câmaras do Congresso Nacional.

Além disso, são necessários três quintos dos parlamentares, tanto na Câmara dos Deputados, quanto no Senado, para aprovação de uma mudança constitucional.

O Partido Liberal conquistou a maioria das cadeiras no Senado (28 de 81 vagas), e na Câmara dos Deputados (121 de 513 vagas).

A base de apoio no Congresso Nacional de um eventual governo Flávio Bolsonaro poderá, no entanto, ser ampliada, considerando que dois partidos que dirigem ministérios no Governo Lula, o Partido Progressistas (PP) e União Brasil, já declararam o apoio ao candidato do PL.

Ainda esta quarta-feira o NOVO, partido de direita com ideias liberais e “anti-PT”, cujo candidato presidencial foi Romeu Zema, declarou apoio ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ex-governador de Minas Gerais, que registou 0,27% nas urnas, ou seja, obteve pouco mais de 326 mil votos, antecipou-se ao próprio NOVO e foi o primeiro candidato presidencial derrotado no último domingo a declarar apoio a Flávio.

Na terça-feira, foi a vez do político conservador e candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado, apoiar Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Goiás ficou em quinto lugar na corrida ao Palácio do Planalto com 2,18%, resultante de pouco mais de 2,6 milhões de votos válidos.

O PSD de Caiado, no entanto, ainda não formalizou apoio a nenhum dos candidatos presidenciais.

Flávio também recebeu outro apoio importante esta semana. Tarcísio de Freitas, que foi reeleito para governar São Paulo, o maior reduto eleitoral do país, antecipou-se ao próprio partido Republicanos, e declarou apoio ao candidato do PL.

Até ao momento, Lula da Silva, que ficou atrás de Flávio na primeira volta com uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos, não recebeu apoio de nenhum candidato presidencial ou partidos de centro.

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