O chanceler alemão declarou-se esta quarta-feira “horrorizado” por a extrema-direita ter conseguido atrair deputados para eleger o seu candidato à presidência de um parlamento regional, aventando uma possível estratégia para lançar suspeitas sobre o partido conservador.
Na terça-feira, um mês após uma vitória esmagadora nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt, situada na antiga Alemanha de Leste, a Alternativa para a Alemanha (AfD), formação anti-imigração e pró-russa, conseguiu fazer eleger o seu candidato à presidência do parlamento regional, com o apoio de um pequeno partido pró-russo de esquerda, o BSW.
No entanto, após a contagem dos boletins da votação secreta, verificou-se que o candidato da AfD, Tobias Rausch, tinha recebido o apoio de mais quatro parlamentares que permaneceram anónimos, gerando especulações na comunicação social alemã sobre possíveis votos procedentes da União Democrata-Cristã (CDU), o partido de Friedrich Merz.
Questionado esta quarta-feira sobre o assunto num fórum, o chanceler declarou-se “horrorizado” com o resultado, mas salientou que a CDU não é “o único” partido passível de suspeita.
Mencionou ainda uma possível conspiração para desacreditar o seu partido, cuja diretriz é recusar qualquer cooperação com a AfD.
“As operações sob ‘falsa bandeira’ não existem apenas no âmbito militar. Existem também na política”, afirmou.
“Estamos a lidar (…) com três [grupos] no parlamento regional da Saxónia-Anhalt que tudo fazem para minar a coesão da nossa democracia”, acrescentou, parecendo referir-se à AfD, ao BSW e ao partido de esquerda radical Die Linke.
A eleição de um presidente de um parlamento regional pertencente à extrema-direita é um facto inédito na Alemanha do pós-guerra e abre caminho para que o líder da AfD na Saxónia-Anhalt assuma a chefia do Governo regional em dezembro.
Para tal, Ulrich Siegmund, de 35 anos, precisa de conquistar o apoio de, pelo menos, três deputados de outros partidos.
Até à data, nenhum partido aceitou votar nele, nem mesmo o BSW.
Mas a AfD relatou ter mantido contactos com parlamentares de outros grupos, nomeadamente da CDU.
Até ao momento, nenhum dos grandes partidos alemães cooperou com a AfD, seguindo o princípio do “cordão sanitário” (“Brandmauer”).
Contudo, o partido de extrema-direita tem crescido continuamente nas sondagens e conquistado diversas vitórias eleitorais este ano, às custas da CDU.
Enredado em dificuldades económicas e políticas, Merz é, após menos de um ano e meio no poder, o mais impopular chanceler alemão do pós-guerra.
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