“Nesta casa viveu e trabalhou a jornalista Anna Politkovskaya. Morta a 7 de outubro de 2006”. Esta é a placa que foi colocada na manhã desta quarta-feira na varanda do prédio onde a jornalista russa Anna Politkovskaya foi assassinada há 20 anos.
“É importante que a sociedade compreenda que se trata de um crime terrível e que a própria sociedade faça tudo o que estiver ao seu alcance para que algo assim não volte a acontecer no país”, afirmou à Novaya Gazeta Nikolay Rybakov, líder do partido liberal russo Yabloko (Maçã, em russo), que colocou a placa no local.
A 7 de outubro de 2006, Anna Politkovskaya foi assassinada no elevador do seu prédio, em Moscovo, com cinco tiros à queima-roupa, sendo que um deles lhe acertou fatalmente no crânio. Ficou conhecida pelas investigações sobre crimes de guerra na Chechénia, durante o conflito que se iniciou em 1999, sobre as restrições às liberdades empreendidas por Vladimir Putin, assim como sobre casos de corrupção, lembra Ekaterina Glikman, atual editora-chefe da Novaya Gazeta, jornal onde trabalhou.
Algumas pessoas colocaram flores junto à placa e, segundo a Novaya Gazeta, uma delas chegou mesmo a ser abordada pela polícia, que permaneceu a vigiar o local.
Em simultâneo com a homenagem em Moscovo, a Coligação para a Liberdade de Imprensa pediu que todos os responsáveis pelo assassinato sejam levados à justiça, “incluindo quem o ordenou”.
Num comunicado assinado por 32 países, incluindo Portugal, a organização pediu ainda que a Rússia permita o trabalho “livre e seguro” dos jornalistas no país, a libertação dos profissionais detidos e o “fim da perseguição e criminalização transnacional”.
O assassinato de Politkovskaya marcou a sociedade russa, numa altura de crescente autoritarismo do regime de Vladimir Putin. O facto de ter ocorrido no aniversário de Putin fez com que fossem levantadas suspeitas nunca confirmadas da ligação entre o assassinato e o Kremlin.
Cinco homens foram acusados do assassinato, tendo dois deles sido condenados a prisão perpétua, em 2014. Outro foi condenado a 20 anos de prisão e outros dois a penas entre 12 e 14 anos. Um deles viria a ser indultado por Putin, em 2023, por ter estado a combater na Ucrânia.
Prisão perpétua para dois culpados da morte de Politkovskaya
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