O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse esta quarta-feira que transmitiria ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que Portugal defenderá sempre nas Nações Unidas a paz e o respeito pelo direito internacional.
Depois de fazer uma comunicação na conferência comemorativa dos 40 anos do Mestrado em Estudos Africanos, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Lisboa, José Luís Carneiro foi questionado sobre o que diria a Marco Rubio se estivesse com ele na visita que vai fazer quinta-feira a Portugal.
“Que Portugal, como um país de média dimensão, bater-se-á sempre nas Nações Unidas pela paz, pelo desenvolvimento integrado e sustentado das regiões e pelo respeito pelo direito internacional”, respondeu.
De acordo com o líder socialista, há matérias muito relevantes na política internacional atual, desde logo “a paz na Ucrânia, a paz no Médio Oriente, o desenvolvimento das crises que têm vindo a criar graves dificuldades na economia e nas sociedades europeias”.
“Mas é necessário olhar para o médio e para o longo prazo e compreender que grande parte das soluções estratégicas para o futuro da Europa se podem encontrar numa relação mais complementar entre a Europa, entre o projeto europeu e a África”, defendeu.
Para Carneiro, “Portugal pode e deve ser a ponte do diálogo entre a Europa e o continente africano e, particularmente, os países de expressão oficial portuguesa”.
Cerca de 300 pessoas reuniram-se esta quarta-feira em Lisboa para protestar contra a visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a Portugal, marcada para quinta-feira.
A manifestação sob o mote “Não à presença de Marco Rubio em Portugal”, que começou às 18h00 no Largo de São Domingos, em Lisboa, foi dinamizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC).
Marco Rubio visita quinta-feira Portugal para reunir-se com as autoridades portuguesas e “avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia”, anunciou na semana passada o Departamento de Estado norte-americano.
Em Lisboa, o chefe da diplomacia norte-americana terá encontros com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com o seu homólogo, Paulo Rangel, estando prevista uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
Antes de chegar a Lisboa, Marco Rubio esteve na Islândia e na Grécia. Na capital grega, Atenas, milhares de pessoas saíram na terça-feira às ruas para contestar a presença do representante norte-americano no país.
Em maio, Marco Rubio elogiou Portugal como uma exceção e um aliado exemplar dentro da NATO, aludindo à utilização da Base das Lajes, nos Açores, que tem merecido críticas de partidos de oposição.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português tem reiterado que a utilização da base militar continua sujeita a condições previamente estabelecidas por Lisboa, incluindo a exigência de que qualquer ação seja uma resposta a um ataque, respeite os princípios da necessidade e proporcionalidade.
Ao mesmo tempo, Paulo Rangel admite a revisão do acordo de utilização das Lajes, mas só depois do fim do conflito no Médio Oriente.
Em junho, Marco Rubio voltou a saudar Portugal como “um dos parceiros mais antigos e fiéis” de Washington.