Milhares de pessoas juntaram-se esta quinta-feira numa marcha em Madrid de quatro quilómetros e em outras manifestações em várias cidades de Espanha para homenagear a idosa cujo despejo desencadeou a atual onda de protestos pela habitação no país.
Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi despejada da casa onde viveu mais de 70 anos no dia 23 de setembro e morreu na quarta-feira num hospital de Madrid.
A notícia da sua morte gerou nova onda de indignação e as associações espanholas que têm mantido nas ruas milhares de pessoas pela crise na habitação convocaram esta quinta-feira novas manifestações em homenagem a Maricarmen Abascal.
Em Madrid, pelo menos 20 mil pessoas, segundo uma estimativa das autoridades, marcharam entre a praça Porta do Sol — onde está instalado um acampamento de protesto pela crise na habitação desde 26 de setembro com centenas de tendas — e a casa onde viveu Maricarmen Abascal, no bairro do Retiro, a cerca de quatro quilómetros de distância.
A marcha uniu os dois locais de Madrid onde esta quinta-feira desde manhã se instalou uma espécie de altares, com mensagens, fotografias e velas, em homenagem a Maricarmen Abascal.
A manifestação, organizada pela associação Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, fez-se quase maioritariamente em silêncio, interrompido por vezes com o grito “não são mortes, são assassinatos”.
Encabeçaram a marcha os porta-vozes do Sindicato de Inquilinas, que durante anos tornou público o caso de Maricarmen Abascal e mobilizou, por diversas vezes, centenas de pessoas para tentar impedir o despejo da idosa.
“Continuaremos a lutar por ti. O teu sindicato ama-te”, lia-se numa mensagem colocada numa coroa de flores transportada por elementos do Sindicato de Inquilinas, que exibiam também uma fotografia de Maricarmen Abascal.
Ao final da tarde e início da noite houve também concentrações e marchas noutras cidades espanholas, como Sevilha, Barcelona, Córdova, Cádiz, Almeria, Huelva, Granada, Valência, Oviedo, que mobilizaram milhares de pessoas em homenagem a Maricarmen Abascal
Além de Madrid, continuam a manter-se também, há duas semanas, acampamentos de protestos pela crise na habitação numa dezena de cidades.
A Confederação de Sindicatos de Inquilinas de Espanha apelou esta quinta-feira a que na sexta-feira, ao meio-dia (11:00 em Lisboa), se faça um minuto de silêncio nos locais de trabalho em memória de Maricarmen Abascal.
A morte de Maricarmen motivou esta quinta-feira outras homenagens, como minutos de silêncio em parlamentos regionais e municipais, embora também trocas de acusações entre partidos políticos de tentativa de aproveitamento do caso da idosa.
Os protestos que se desencadearam por causa do despejo de Maricarmen Abascal levaram o Governo espanhol, liderado pelos socialistas, a aprovar medidas para a habitação que partidos de direita e extrema-direita travaram no parlamento, precipitando a queda do executivo no início desta semana e a convocatória de eleições em Espanha para 29 de novembro.
[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]