A manhã tinha corrido bem, a tarde foi ainda melhor. Depois dos bons sinais deixados na sexta-feira, em especial com aquela última volta na sessão vespertina dos treinos livres que lhe conferiu o quarto registo dos tempos combinados apenas atrás das três habituais Ducati que são de outro planeta, Miguel Oliveira teve a capacidade de desenvolver ainda mais a moto para ser melhor no sábado mesmo ficando com o quinto lugar na qualificação para a corrida 1, onde chegou à quarta posição. Para todos os adeptos do motociclismo em geral, esse não deixava de ser o primeiro dos postos fora do pódio; para os milhares de fãs do português que têm marcado presença no Estoril, esse não deixou de ser “o primeiro dos outros” – incluindo o próprio.

O quase pódio que funciona como uma vitória: Miguel Oliveira termina corrida 1 no Estoril na quarta posição

“O facto de estarmos em Portugal ainda torna este resultado mais especial. Também poderia ter tido este resultado em Cremona, talvez não no quarto lugar mas algo parecido, top 5 era possível. Por isso, estou ansioso para ver o que o amanhã [domingo] nos trará. Quando cá cheguei no fim de semana, coloquei o objetivo de estar perto do top 5 e alcançámo-lo na qualificação, ontem [sexta-feira] também e hoje [sábado], na corrida. Estamos dentro do objetivo”, resumiu o Falcão depois desse regresso aos bons registos, neste caso o melhor dos últimos cinco meses onde ficou em terceiro na corrida 1 da Hungria antes da lesão.

O português foi também explicando que havia ainda alguns pormenores que podiam melhorar na moto para ir buscar o tempo que lhe faltava para chegar ao pódio – nomeadamente os pouco mais de dois segundos de atraso com que terminou a corrida 1 face a Alberto Surra, o terceiro classificado já afastado da dupla que tem dominado todo o Mundial: Nicolò Bulega e Iker Lecuona. Partindo do pressuposto que só mesmo algo de “extraordinário” poderia retirar essas posições à dupla da equipa de fábrica da Ducati, era no resto que o português centrava atenções para poder ganhar algo que lhe permitisse chegar ao pódio. A corrida superpole desta manhã, com apenas dez voltas para o circuito, era um bom teste para preparar a corrida 2.

Mais do que afinações específicas ou desgaste de pneus, Miguel Oliveira arriscou naquilo que tem sido um dos pontos onde não conseguiu ganhar vantagem nas últimas corridas: a partida. Colocou-se numa linha de trajetória por dentro, ganhou posição sem perder o ponto de travagem, aproveitou essa posição para subir na curva inicial ao terceiro lugar e fazer um tipo de corrida diferente com Iker Lecuona a ter ainda algum tempo de liderança até cometer um pequeno erro que estendeu a passadeira a novo passeio de Nicolò Bulega. Se os dois primeiros postos pareciam definidos, o Falcão tentava defender-se dos ataques de Alberto Surra.

Até às últimas três voltas, o pódio parecia possível para o português. A partir daí, o ritmo de Alberto Surra, da Motocorsa Racing da Ducati, cedo mostrou que seria muito complicado segurar o pódio, algo que acabou por ser confirmado na volta final com a ultrapassagem sem capacidade de resposta que deixou mais uma vez o Falcão na quarta posição. O pódio continuava perto, a moto continuava a não dar para muito mais.

À tarde, o plano teria de ser outro mas tudo o que podia ser rapidamente deixou de surgir como opção: o português não conseguiu fugir à confusão antes da curva inicial, desceu para a sexta posição mas não teve a capacidade de estancar essa queda, com uma saída mais larga na parabólica a deixar o português no 14.º lugar. Teria de haver uma corrida de trás para a frente como tantas vezes foi forçado a fazer, neste caso com as possibilidades de atingir o tão ambicionado pódio a ficarem de vez goradas. Miguel Oliveira passava a ter uma corrida 2 sem qualquer objetivo em concreto definido a não ser subir o máximo possível de posições.

O Falcão foi de 14.º para 12.º, conseguiu depois ganhar mais duas posições, entrou no top 10 e já estava em oitavo a 14 voltas do final, arriscando mais uma dupla ultrapassagem que Xavi Vierge ainda conseguiu evitar antes da resposta de Lorenzo Baldassari. O português estava a arriscar com tudo, sendo que nova tentativa de uma dupla ultrapassagem acabou por levar a nova queda para a 11.ª posição por sair na escapatória. Mais à frente, Álvaro Bautista, que estava no terceiro lugar, acabou por sofrer uma queda e abrir espaço a novo pódio com Bulega, Lecuona e Surra, o que fez também com que Miguel Oliveira saltasse para o oitavo posto ainda com possibilidade de arriscar subir mais um pouco na classificação. Acabou por não acontecer mas, no final, ficou aquele que foi o segundo melhor fim de semana da temporada no Mundial de Superbike, apenas superado pela prova em Portimão que teve o Falcão três vezes no pódio atrás de Bulega e Lecuona.