As forças de segurança da Polónia revelaram este domingo que estão a investigar um plano para atentado contra membros do governo. A polícia polaca terá recebido a informação da preparação de um alegado ataque contra o primeiro-ministro Donald Tusk e contra o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, disse a porta-voz do Ministério da Administração Interna, Karolina Galecka, numa publicação na rede social X.

Na sequência da denúncia à polícia, os ministros da Administração Interna e o coordenador dos Serviços Especiais marcaram uma reunião para este domingo com representantes do governo, da polícia polaca, do serviço de proteção do Estado e da agência de segurança interna, encontro marcado para as 11h do horário local (10h em Lisboa) no centro de contraterrorismo da agência de segurança interna, na capital Varsóvia.

“Este alerta foi mais preocupante do que outros do mesmo tipo registados anteriormente”, afirmou o porta-voz do governo, Adam Szlapka, à emissora local TVN24. “Tratou-se de um e-mail, mas não só um e-mail”, disse, sem detalhar qual seria o plano do atentado, que agora está a exigir “particular vigilância” do Governo e das forças de segurança.

Numa reunião realizada esta manhã com membros do Governo, Donald Tusk afirmou que a Polónia está a registar “um aumento do fascínio pela violência, a violência pela violência”. O primeiro-ministro polaco afirmou que já foram identificados três grupos deste tipo a atuar no país. “Chama a atenção um grupo que procura ativamente conteúdos nazis“.

Foram identificados até ao momento “três grupos de pessoas”, que estão a ser monitorizados pelo Governo polaco. “O primeiro grupo é composto por pessoas com um fascínio claro pela violência, também pela ideologia fascista. O segundo grupo são pessoas fascinadas pelo mundo dos videojogos e que retiram desse mundo inspiração para o que fazem. O terceiro grupo são pessoas que foram ‘ativadas’ pelo facto de o assunto estar em destaque”, disse Donald Tusk.

“Não registamos um aumento dos riscos, mas temos consciência de que, num ambiente destes, alguém pode ter, de forma espontânea, uma ideia perigosa”, afirmou. “Este fascínio pela violência e a prontidão para fazer ameaças levianamente, e por vezes a prontidão para cometer tais atos, em combinação com o livre acesso a armas, leva a tragédias em massa em muitos locais do mundo”.

A reunião em que Tusk falou neste domingo foi marcada em conjunto com o comandante-geral da polícia polaca, Marek Boroń, no âmbito das sequências de ataques com facas em escolas registados naquele país desde a passada quarta-feira. Estiveram também presentes representantes das pastas da Educação, Administração Interna, Saúde, Digitalização e do Coordenador dos Serviços Especiais.

A polícia polaca afirmou numa publicação no X que está a realizar “ações com o objetivo de garantir a segurança das crianças, dos jovens e de todos os funcionários das escolas”. Foram inspecionados mais de 64 mil instituições de ensino, resultando na detenção de 117 pessoas em todo o país, cujos processos foram encaminhados ao Ministério Público. “Até às 06h00, foram registadas 275 ocorrências nas quais os agentes estão a realizar diligências devido à suspeita fundamentada da prática de infração penal”, afirma aquela polícia.

No sábado, duas adolescentes e uma mulher ficaram feridas em Varsóvia após serem atacadas numa escola. Na quinta-feira, um aluno de 15 anos atacou uma funcionária de uma escola em Leszczydol-Nowiny, no concelho de Wyszkow, a nordeste de Varsóvia. Naquele mesmo dia, a polícia afirmou ter evitado ainda outro caso semelhante. Na quarta-feira, nove pessoas ficaram feridas na sequência de um ataque na cidade de Ostroleka, a cerca de 120 quilómetros de Varsóvia.