O ministro da Agricultura disse esta segunda-feira que os pastores “têm toda a razão” sobre os prejuízos causados pelo lobo ibérico nos rebanhos e que o Governo “está a fazer tudo” para os compensar.
“Os pastores têm toda a razão. Eu já disse que nós não podemos pôr o pastor a trabalhar para o lobo. O pastor tem de ter os seus rendimentos”, afirmou José Manuel Fernandes.
O governante, que falava à margem de um fórum sobre pastorícia extensiva, que decorreu nesta segunda-feira em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, adiantou que tem trabalhado em conjunto com a ministra do Ambiente no sentido de encontrarem medidas para compensar os pastores.
Cerca de uma dezena de criadores de gado da região Norte concentraram-se esta segunda-feira à porta da Casa das Artes, onde decorreu o fórum, e, quando o ministro prestava declarações aos jornalistas, interpelaram-no, dizendo que só retirando os lobos ibéricos, espécie protegida, é que o problema se resolve.
José Manuel Fernandes disse que tem “trabalhado em conjunto com a ministra do Ambiente e Energia” para encontrarem soluções que mitiguem a situação.
Apontou o caso “das indemnizações que foram atualizadas”, passando “para o triplo” do valor até agora pago aos pastores.
“Agora não adianta passar-se para o triplo ou para o décimo se depois elas não chegarem atempadamente. A Senhora ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que é uma aliada da agricultura e da coesão territorial, deu ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) 30 dias para analisar medidas adicionais”, acrescentou.
As “medidas adicionais” passam pela existência de presas naturais para o lobo, a implementação de cercas que protejam os rebanhos, o apoio de cães, mas o ministro da Agricultura afirmou que é preciso considerar as especificidades de cada região para as implementar.
“Insisto muito nesta palavra: especificidades. Não é possível pôr cercas em todo o lado, não é possível ter cães em todos os sítios e, portanto, temos de ter aqui uma ação forte, é o que temos concretizado, em relação aos pastores que são absolutamente essenciais”, apontou.
José Manuel Fernandes sublinhou que “o pastor coloca a comida na mesa, garante a segurança alimentar, faz um trabalho de biodiversidade, com a redução do material combustível, diminuindo o risco de incêndios”.
“Isto nem sempre é reconhecido, e, por vezes, nem sempre reconhecemos este valor, e este trabalho, como eu tenho dito, que são bens públicos, bens públicos europeus, que ajudam à qualidade dos solos, à qualidade da água, à sustentabilidade ambiental, à coesão territorial”, sublinhou.
O ministro defendeu “que, quando um animal é vítima de um lobo, o pastor deve ser compensado” e foi interpelado por um dos criadores de gado que afirmou que “os ataques do lobo são cada vez mais frequentes”, e que “não querem indemnizações, querem os seus animais e o lobo fora do território”.
José Manuel Fernandes frisou que “é preciso ter a verdadeira perceção do trabalho do agricultor e do pastor”.
“É preciso haver a verdadeira perceção do seu trabalho em termos nacionais, porque há muita gente que não tem a perceção deste trabalho que é a competitividade, é a comida no prato, é a segurança alimentar, é a sustentabilidade ambiental, é a biodiversidade e, portanto, tem de ter uma remuneração também por causa destes bens públicos que a todos nos ajudam”, enfatizou.
Dirigindo-se ao ministro da Agricultura, o porta-voz da União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL) disse que “ainda” acredita que José Manuel Fernandes os possa ajudar, esperança que deixaram de ter na ministra do Ambiente.