A construção da primeira fase da linha de alta velocidade arrancou oficialmente esta segunda-feira com uma cerimónia em Oiã (distrito de Aveiro) onde vai terminar o primeiro troço da futura linha entre Porto e Lisboa. São 71 quilómetros de nova linha preparada para receber comboios que podem acelerar até aos 300 quilómetros por hora, oito quilómetros em túnel, 19 quilómetros de pontes e viadutos e uma nova ponte sobre o rio Douro para levar o serviço ferroviário até à nova estação de Campanhã e que terá um tabuleiro para carros.

A acompanhar o arranque oficial do projeto foi divulgado o filme do “Projeto ao Terreno” com imagens da futura infraestrutura e da sua inserção no território.

Apesar de o consórcio ter voltado ao projeto original, depois das alterações mais profundas propostas terem sido chumbadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a polémica sobre a localização da estação em Vila Nova de Gaia não está fechada. O autarca da cidade insiste na oposição à estação a 60 metros de profundidade planeada para Santo Ovídio. Luís Filipe Menezes exige que seja analisada a alternativa em Mafamude e Vilar do Paraíso, que foi uma das propostas do consórcio responsável pelo projeto que não passou no crivo da APA quando analisou a conformidade ambiental do projeto de execução da obra.

Citado em comunicado, Luís Filipe Menezes alertou para aquilo que considerou ser uma “enorme gravidade potencial dos impactos” de, pelo menos, cinco anos de constrangimentos na mobilidade, da circulação diária de cerca de 200 camiões para movimentação de um volume excecional de terras, “com risco de prejuízos muito graves para o comércio local, além das dificuldades de acesso ao Hospital de Gaia através da Rua Conceição Fernandes”.

Em resposta a estas preocupações, o ministro das Infraestruturas prometeu ouvir os argumentos de Luís Filipe Menezes para depois tomar decisões. “Eu ouvi as suas declarações públicas, vi a sua preocupação (…). Claro que os munícipes sofrem. Em todas estas obras sofrem, em todas as obras desta magnitude. Portanto, nós – Infraestruturas de Portugal e Governo – temos a obrigação de ouvir. Vamos ouvir e depois tomaremos decisões”, afirmou Miguel Pinto Luz.

Em comunicado divulgado na véspera, o Ministério das Infraestruturas reafirmou a localização da estação debaixo da rotunda de Santo Ovídio.

Para além do ministro, estiveram na cerimónia o Chefe de Unidade do MOVE.B.2 – Transport Investment da Direção-Geral da Mobilidade e dos Transportes da Comissão Europeia (DG MOVE), Philippe Chantraine, o presidente do Conselho de Administração Executivo da Infraestruturas de Portugal, Paulo Carmona, o representante do consórcio AVAN Concessões de Alta Velocidade, Carlos Mota Santos.

A primeira parceria público-privada para a construção da futura linha entre Porto e Lisboa foi adjudicada em 2025 por 1,6 mil milhões de euros a um consórcio liderado pela Mota-Engil, que inclui ainda a Teixeira Duarte, a Casais, Alves Ribeiro, Serena, Conduril e Gabriel Couto. O consórcio AVAN também concorreu ao segundo troço da linha de alta velocidade até Coimbra, incluindo a nova estação. Este concurso é disputado com um concorrente liderado pela espanhola Sacyr.