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Sprites. O que são os “espíritos vermelhos” que "dançam" a 90 km de altitude durante as trovoadas mais intensas

Duram milissegundos, formam-se a 90 km de altitude, são vermelhos por causa do azoto e só surgem nas trovoadas mais intensas. Raros e difíceis de fotografar, foram apanhados na Córsega.

Os sprites
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▲Os sprites

▲Os sprites

Duram apenas alguns milissegundos. Desenvolvem-se entre os 50 e os 90 quilómetros de altitude, na mesosfera. E apenas quando há trovoadas muito intensas. São vermelhos porque a sua descarga elétrica interfere com moléculas de azoto da atmosfera, que emitem essa luz essencialmente avermelhada. E pertencem aos fenómenos luminosos transitórios (TLE). Chamam-se sprites.

Se andou pelas redes sociais neste fim de semana, talvez lhe tenham surgido inúmeras imagens deste fenómeno. Nem todas são recentes. No início de setembro, apareceram fotos registadas em Espanha. E agora de França e da região de Nápoles, com imagens tiradas da Córsega. Parecem sempre iguais, e percebe-se o nome: estruturas com filamentos, ramificadas, que se prolongam para baixo e se assemelham a espíritos ou, mais realisticamente, a medusas. Os clarões podem abranger grandes áreas, até 100 quilómetros de diâmetro. Os seus filamentos podem ter até 60 quilómetros de comprimento.

A sua origem é simples de explicar: são descargas elétricas muito intensas entre as nuvens e o solo. Quase sempre relâmpagos de carga positiva. Mas são raros, porque é mesmo necessário que a tempestade seja muito intensa e tenha muita carga de energia. E ainda é mais rara a sua captação em foto ou vídeo, porque são extremamente rápidos, pouco luminosos e ocorrem acima das nuvens da tempestade e, por isso, fora do campo de visão de quem está por baixo das trovoadas.

A melhor forma de os fotografar é estar muito longe. Como estão a grande altitude, podem ser observados a centenas de quilómetros de distância. Se houver boa visibilidade, conseguem-se imagens deles a dançar no céu. Mas é preciso equipamento fotográfico suficientemente sensível. As primeiras fotos foram tiradas por cientistas em 1989. Depois a sua observação e estudo foram feitos através de observações a partir do solo, de aviões e de equipamentos instalados em veículos espaciais. E utilizam-se câmaras e sensores instalados a bordo da Estação Espacial Internacional. Em 2025, investigadores explicaram a origem dos impressionantes relâmpagos vermelhos observados sobre os Himalaias, em maio de 2022.

O repórter fotográfico francês Florian Riou conseguiu grandes imagens a meio de setembro. E publicou um vídeo dos sprites a partir de Calvi, na Córsega. A tempestade estaria a cerca de 650 km de distância, na direção das Baleares e do sul de Espanha, Barcelona ou arredores. Riou explica, no LinkedIn, a dificuldade que teve para fotografar e filmar o fenómeno: a descarga aconteceu às 23h03.

Riou planeou tudo antecipadamente. Face às previsões da trovoada para Espanha, a meio de setembro (de 16 para 17) sabia que seria uma sessão noturna. Teve sorte. As condições meteorológicas permitiam uma boa observação. Na fotografia e no vídeo vê-se uma igreja e as casas iluminadas de uma aldeia francesa, sobre as quais aparecem vários sprites vermelhos vivos. Tudo parece estar a acontecer sobre a aldeia, mas na verdade acontecia a grande distância, era uma questão de perspetiva, conta. As tempestades que deram origem aos sprites estariam a 500 a 700 quilómetros da câmara.

A imagem mais recente surgiu este domingo, dia 11. A foto também terá sido tirada na Córsega, e os sprites estariam por cima de Nápoles, a cerca de 522 km.

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