O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, acusou a Guarda Revolucionária Islâmica de ser responsável pela tentativa de ataque à base militar de Fairford, no Reino Unido. O envolvimento do Irão tem sido falado, mas Teerão sempre rejeitou as acusações.
“Posso confirmar a nossa avaliação de que é altamente provável que [a tentativa de ataque] tenha sido coordenada no Irão, quase certamente dirigida pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão”, afirmou na tarde desta segunda-feira na Câmara dos Comuns. Burnham garantiu também que vai “reprimir o uso de redes criminosas pelo Irão” e que vai impor novas sanções ao Irão e à Guarda Revolucionária.
Esta segunda-feira, dois cidadãos iranianos foram sancionados por Londres, acusados de envolvimento em “atividades hostis em nome do regime iraniano, com a clara intenção de ameaçar, planear ou conduzir ataques no exterior”.
A 26 de setembro, cinco homens foram detidos por suspeita de tentativa de ataque contra a base britânica de Fairford, após terem sido apreendidos explosivos numa carrinha. Mais dois suspeitos foram detidos, mas foram todos libertados sob fiança.
Já em relação à guerra da Ucrânia, Burnham afirmou que o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, lhe prometeu em privado a implementação do cessar-fogo energético anunciado no domingo por Donald Trump “quando a data for confirmada”.
“O Presidente Zelensky garantiu-me que a Ucrânia irá implementar [o cessar-fogo] imediatamente quando uma data for confirmada e vou discutir isto ainda mais com ele nos próximos dias”, afirmou, referindo-se ao encontro entre os dois líderes marcado para esta semana.
Uma “abordagem pragmática” em relação à União Europeia
O primeiro-ministro britânico abordou também as relações entre Londres e a União Europeia e anunciou que os dois lados vão realizar uma cimeira em Bruxelas, a 20 de novembro, para discutir acordos comerciais e o combate à imigração ilegal. Burnham sublinhou que a cimeira pode servir para aproximar Londres de Bruxelas e potenciar acordos em áreas-chave como a alimentação, bebidas e energia.
Usando como exemplo o salmão escocês, uma das principais exportações alimentares do Reino Unido, o primeiro-ministro britânico afirmou que, devido às taxas alfandegárias, Londres perde 100 milhões de libras (117,9 milhões de euros) em exportações.
Por essa razão, Burnham considerou que um novo acordo comercial pode “reverter alguns dos danos” do Brexit e estabilizar os preços. No entanto, rejeita um novo referendo, mas defende uma “abordagem pragmática” nas relações com Bruxelas, para potenciar o crescimento da economia britânica e combater a imigração ilegal no Canal da Mancha.
“O acordo que herdei quando cheguei ao cargo representa uma oportunidade para assegurar progresso em ambas as questões”, garantiu.
Durante o debate na Câmara dos Comuns, a líder conservadora, Kemi Badenoch, criticou as declarações feitas pelo primeiro-ministro no podcast “The Rest is Politics“, este fim de semana, que afirmou que os resultados do referendo de 2016 eram “ilegítimos” devido a uma alegada interferência russa, algo rejeitado pelos serviços secretos britânicos em 2018.
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