O Presidente da República, António José Seguro, destacou esta quarta-feira a importância do investimento em tecnologias militares de duplo uso, capazes de responder a ameaças à segurança nacional e de apoiar as populações em situações de catástrofe.
“Sou um Presidente da República muito orgulhoso daquilo que as nossas Forças Armadas fazem, do que a defesa faz, porque o investimento em defesa significa a defesa da nossa soberania e a proteção e a segurança dos portugueses”, afirmou o chefe de Estado.
António José Seguro falava aos jornalistas no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de Santarém, no encerramento do exercício ARTEX26 e da campanha europeia HEDI OPEX26, que reuniram 77 empresas, 112 soluções tecnológicas e 22 países representados.
O Presidente salientou a importância de desenvolver tecnologias com aplicação tanto em operações militares como na proteção civil, defendendo que essa dupla utilização deve constituir uma prioridade do investimento na defesa.
“É ver aqui, em concreto, tecnologias, novas tecnologias de duplo uso, como sempre defendi”, afirmou, explicando que devem ter capacidade para atuar em teatros de operações militares, mas também para “ajudar em situações de catástrofe”.
Seguro apontou como exemplos a utilização de meios tecnológicos para recolher imagens de zonas afetadas e transportar medicamentos e outros equipamentos sanitários necessários em situações de emergência.
O chefe de Estado destacou ainda a cooperação entre as Forças Armadas, as universidades, os centros de investigação e as empresas, considerando que o trabalho conjunto permite desenvolver soluções tecnológicas adaptadas às necessidades atuais.
“É fantástico ver o trabalho em conjunto”, afirmou, referindo-se à articulação entre o conhecimento científico, a indústria e os militares, neste caso o Exército português.
Na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, Seguro considerou que os resultados apresentados constituem um motivo de orgulho nacional e demonstram a capacidade de Portugal para acompanhar a transformação tecnológica da defesa.
“As capacidades que estão a ser desenvolvidas pelas Forças Armadas estão no melhor nível para podermos enfrentar aquilo que são hoje ameaças e que já não são as ameaças que existiam há 50 anos, ou mesmo há 30 anos”, afirmou.
O Presidente salientou que os desafios atuais ultrapassam os tradicionais cenários de combate, exigindo maior capacidade tecnológica, inovação e meios de proteção de infraestruturas críticas.
A cerimónia de encerramento começou com intervenções do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, do chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, e do diretor executivo da Agência Europeia de Defesa, André Denk, seguindo-se uma demonstração operacional de capacidades militares e tecnológicas.
O Presidente da República percorreu depois a exposição tecnológica, onde contactou com as empresas participantes e observou os sistemas desenvolvidos e testados, recebendo explicações sobre as suas capacidades e aplicações operacionais. Só no final da visita prestou declarações aos jornalistas.
A iniciativa decorreu no Campo Militar de Santa Margarida, uma das maiores áreas de treino militar do país, com mais de 60 quilómetros quadrados, que permite a realização de exercícios com diferentes forças e sistemas de armas em condições próximas das operações reais.
O ARTEX26 integrou este ano, pela primeira vez, a campanha HEDI OPEX26 da Agência Europeia de Defesa, reunindo militares, empresas, universidades e centros de investigação nacionais e estrangeiros.
Ao longo de cerca de três semanas, foram testadas e avaliadas soluções nas áreas dos sistemas aéreos e terrestres não tripulados, inteligência artificial, robótica, sensores, comunicações e guerra eletrónica, procurando acelerar a passagem da inovação tecnológica para a utilização militar.