O Parlamento sueco rejeitou esta quinta-feira, por larga maioria, a nomeação da líder social-democrata Magdalena Andersson como primeira-ministra, prolongando o impasse político resultante das eleições de setembro.

A votação destinava-se a tentar desbloquear a situação política, depois de nem a esquerda nem a direita terem conseguido formar um Governo desde as eleições de 13 de setembro.

Andersson, que foi a primeira mulher a chefiar o Governo sueco, entre 2021 e 2022, já falhou duas tentativas para formar uma coligação capaz de reunir centristas e a esquerda radical.

A líder social-democrata tinha reconhecido na terça-feira que seria provavelmente derrotada na votação parlamentar, depois de concluir que ainda não estavam reunidas as condições para formar um executivo.

“Para mim, ficou claro desde os resultados eleitorais que o processo seria complicado e que levaria tempo”, afirmou Andersson.

Os sociais-democratas e os seus aliados dispõem de 176 lugares no parlamento, contra 173 da direita e da extrema-direita.

Apesar da vantagem parlamentar do bloco de esquerda, persistem divergências entre o Partido do Centro e o Partido de Esquerda sobre a composição de um eventual executivo.

O Partido de Esquerda exige cargos ministeriais para apoiar um novo Governo, condição rejeitada pelos centristas, que recusam integrar um executivo com a formação de esquerda.

“As posições adotadas pelo Partido do Centro e pelo Partido de Esquerda são, atualmente, incompatíveis”, reconheceu Andersson na terça-feira.

Após a rejeição da candidatura da líder social-democrata, o presidente do Parlamento poderá agora entregar a missão de formar Governo ao líder conservador Ulf Kristersson, primeiro-ministro cessante.

Para conseguir regressar ao cargo, Kristersson terá de obter o apoio de pelo menos uma força da oposição ou assegurar que não existe uma maioria parlamentar contra a sua candidatura.

No sistema político sueco, um candidato pode ser eleito primeiro-ministro desde que uma maioria absoluta dos deputados não vote contra a sua nomeação.

O presidente do Parlamento dispõe de um máximo de quatro tentativas para apresentar um candidato a primeiro-ministro.

Se todas fracassarem, terão de ser convocadas novas eleições.

A Suécia enfrentou longos processos de formação de Governo após anteriores eleições legislativas, tendo sido necessários 37 dias em 2022 e 134 dias em 2018.