A incidência de malária em Cabo Verde acelerou em 2025, passando de 0,11 para 0,29 casos por mil habitantes, prolongando a subida registada nos últimos anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) do arquipélago.
“Após o pico de 2017, o país registou níveis reduzidos de incidência durante vários anos, especialmente entre 2018 e 2023. Contudo, a evolução recente mostra um aumento gradual, de 0,02 em 2020 para 0,29 em 2025”, lê-se no relatório estatístico dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O INE alerta que, devido aos valores reduzidos, pequenas alterações no número absoluto de casos podem provocar oscilações visíveis na taxa, pelo que recomenda uma leitura centrada na tendência temporal.
Apesar da trajetória recente, o valor continua abaixo do máximo da série, de 0,83 casos por mil habitantes, registado em 2017.
O indicador, integrado no ODS 3, relativo à saúde e bem-estar, considera favorável uma redução da incidência, tendo como objetivo a eliminação da malária (doença também conhecida como paludismo) como problema de saúde pública.
O ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, apelou em julho à eliminação de águas estagnadas através de ações de limpeza comunitárias para reduzir os locais de reprodução dos insetos.
Segundo o governante, Cabo Verde não regista atualmente casos de malária e está a ser elaborado um plano para identificar as zonas consideradas mais críticas, onde serão concentradas as ações de limpeza.
O arquipélago recebeu o certificado da Organização Mundial da Saúde (OMS) de país livre de malária, em janeiro de 2024, por eliminar a transmissão autóctone, e as autoridades têm explicado que querem manter esse título, reforçando a vigilância epidemiológica face a eventuais casos importados.
Lúcio Fernandes indicou que, em 2025, Cabo Verde registou cerca de 400 casos de dengue e 100 casos de malária, entretanto sanados.
A estação das chuvas no arquipélago decorre habitualmente entre julho e outubro, período que favorece a reprodução dos mosquitos transmissores destas doenças.