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A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defendeu esta terça-feira que Portugal deve continuar a apostar na eletrificação, sublinhando que a aposta nas energias renováveis tem protegido o país dos choques internacionais de preços.

Durante uma intervenção na conferência BNEF da agência Bloomberg sobre energia, finanças e tecnologia, Maria da Graça Carvalho referiu que o investimento nas energias renováveis ao longo dos últimos 10 a 15 anos beneficiou de uma “política consistente e estável”. 

“Tem havido uma consistência e coerência ao longo do tempo e entre os partidos políticos — o nosso Plano Nacional de Energia e Clima foi aprovado no parlamento, na Comissão de Ambiente e Energia, por unanimidade, da esquerda à direita”, salientou.

Segundo o Jornal Económico, o PNEC 2030 foi aprovado com os votos favoráveis do PSD, PS e Livre, mas com a abstenção do Chega e ausência dos restantes partidos.

A ministra acrescentou que esta estabilidade “é um fator muito importante de competitividade”.

“Estamos a atrair investimentos porque sabem que dispõem de energia acessível, limpa e disponível, e é muito improvável que a política venha a mudar”, enfatizou.

A ministra foi entrevistada num painel intitulado “A vantagem energética de Portugal”, onde se destacou o facto de as energias renováveis rondarem cerca de 80% da produção da eletricidade gerada no país.

No entanto, em declarações à Lusa à margem da conferência, Maria da Graça Carvalho reconheceu que Portugal também deve estar preparado para o impacto das alterações climáticas, como períodos de seca.

Segundo a governante, há cenários climáticos que apontam para uma diminuição da quantidade de água em Portugal, mas vincou que o potencial solar se mantém e tende mesmo a aumentar, tal como o eólico.

“Temos de estar preparados para estes fenómenos extremos, fenómenos que não estavam nas previsões. De qualquer modo, em todos os cenários nós temos uma quantidade de energias renováveis substancial para continuarem a ser a nossa principal fonte de energia”, acrescentou.

Durante a visita à capital britânica, a ministra encontrou-se com o subsecretário de Estado para a Segurança Energética e Neutralidade Carbónica britânico, Martin McCluskey, e debateram a integração do Reino Unido no mercado europeu da eletricidade.

“Espero que, na cimeira da União Europeia com o Reino Unido, que tem lugar agora em 20 de novembro, seja uma das conclusões. Será muito bom para ambos”, disse.

Maria da Graça Carvalho referiu que o Reino Unido enfrenta uma complexidade adicional no planeamento e na implementação das políticas energéticas devido à descentralização da Escócia e do País de Gales, e afastou uma eventual interligação elétrica entre Portugal e o Reino Unido a curto prazo.

“Uma das nossas primeiras prioridades é baixar o preço da eletricidade ou manter o preço da eletricidade. E, portanto, temos de ser muito cautelosos com todos os investimentos que se fazem em redes”, explicou, deixando em aberto a possibilidade de o projeto ser equacionado no futuro, “noutra conjuntura internacional”.

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