O ministro da Defesa italiano considerou esta terça-feira que os tumultos provocados por jovens em Milão e noutras cidades de Itália durante o fim de semana são resultado de uma “guerra híbrida” que está a ser travada contra o Ocidente.
“Os acontecimentos em Milão e noutros locais da Itália são fundamentalmente diferentes dos observados noutras épocas, são o produto daquilo a que chamo ‘guerra híbrida’, uma forma de conflito que está a ser travada contra as nossas nações através de ferramentas não convencionais como o TikTok, as redes sociais e o YouTube”, afirmou Guido Crosetto.
De acordo com o ministro, que discursava num fórum sobre Aquisições de Defesa, em Roma, “o Ocidente ainda não se apercebeu disto, nem tomou quaisquer medidas significativas em resposta”.
Crosetto insistiu que “se três em cada dez jovens participaram nestas manifestações” e “se seis em cada dez concordam com estes sentimentos, é porque foram sujeitos a uma “contraeducação” proveniente de algum lado, não das suas famílias nem das escolas”.
“Isto incutiu-lhes valores, ambições, uma visão do mundo e pontos de referência que estão em conflito direto com a sociedade em que vivemos e com as nossas regras democráticas”, disse, ressalvando que não se referia apenas às chamadas maranza (gangues juvenis) ou a adolescentes da segunda geração de origem magrebina, mas a todos os participantes nos distúrbios, “na sua maioria italianos”.
Um pouco à semelhança do sucedido em Paris, à margem de manifestações contra o custo de vida e o desinvestimento na educação, grupos de jovens, na sua maioria menores e encapuzados, provocaram o caos e a destruição durante o fim de semana, pilhando e destruindo estabelecimentos comerciais no centro de cidades como Milão, Turim e Bolonha (norte de Itália).
Clashes in Milan right now. Europe in total chaos. pic.twitter.com/z6ExwbY7Iu
— RadioGenoa (@RadioGenoa) October 17, 2026
De acordo com as associações de comerciantes, a onda de saques e destruição provocou cerca de mil milhões de euros de prejuízos.
Esta terça-feira, o governo de direita e extrema-direita liderado por Giorgia Meloni está reunido em Conselho de Ministros em Roma para adotar um pacote de medidas contra este tipo de violência juvenil à margem de manifestações, devendo decidir, entre outras ações, o envio de 500 militares para garantir a segurança no centro de Milão, a capital económica do país.
Segundo dia de agitação e pilhagens em Milão com confrontos com a polícia
Abordando esta terça-feira uma das reivindicações dos jovens estudantes que se manifestam pacificamente, de gastar menos na defesa e mais na educação, o ministro Crosetto disse que “ninguém pode contestar que é melhor um hospital do que um lançador de mísseis” e comentou que “são conceitos que nem sequer deveriam ser misturados, pois seria como dizer que é melhor comer do que ter uma casa”, mas advertiu que o mundo vive hoje “numa época de irracionalidade”.
De acordo com os procuradores da região da Lombardia, os distúrbios ocorridos em Milão no fim de semana revelaram atos destrutivos de uma violência rara, que foram essencialmente praticados por jovens adultos.
Os detidos no sábado por causa dos tumultos no centro de Milão, durante os quais lixeiras, pedras de pavimentação e outros objetos foram arremessados contra as forças de segurança, demonstraram “uma facilidade absoluta em improvisar atos destrutivos de violência rara”, além de uma “capacidade criminosa significativa” e uma total ausência de “autocontrolo”, comentou na segunda-feira o Ministério Público.
Dos perto de 300 detidos, cerca de 80% eram menores de idade.
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