O Presidente da Argentina chamou “ladrão” ao homólogo brasileiro Lula da Silva numa publicação na terça-feira na rede social X. “Espero que o seu último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”, escreveu Javier Milei sobre o candidato à reeleição.
LOS PROGRES MACHIRULOS…
Después andan acusan de misóginos a todos sus oponentes… se les está cayendo la careta a estos delincuentes…
Espero que su último truco de campaña sucia no incluya robarse la elección… zurdo ladrón.
VLLC! https://t.co/DdeaMv3mxb— Javier Milei (@JMilei) October 20, 2026
O Palácio Itamaraty, que é a sede oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil, reagiu no mesmo dia à declaração de Milei, através de uma nota de repúdio. “As ofensas do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao poder Judiciário e ao sistema de voto eletrónico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, escreveu a pasta.
As publicações de Milei foram consideradas pelo Itamaraty “mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. Na nota oficial publicada no seu site, o órgão afirmou que a “antidemocrática manifestação [declaração] é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
Em agosto, o Brasil decidiu rebaixar o nível das relações bilaterais com a Argentina após os insultos de Milei a Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O Governo brasileiro retirou o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, e determinou a saída do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi. Um “encarregado de negócios” — referido pela Agência Brasil como o cargo mais baixo da diplomacia naquele país — é desde então o responsável por representar o Brasil na Argentina. O mesmo órgão de comunicação estatal afirma que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina na compra e venda de mercadorias.
LOS PROGRES MACHIRULOS…
Después andan acusan de misóginos a todos sus oponentes… se les está cayendo la careta a estos delincuentes…
Espero que su último truco de campaña sucia no incluya robarse la elección… zurdo ladrón.
VLLC! https://t.co/DdeaMv3mxb— Javier Milei (@JMilei) October 20, 2026
Também na terça-feira e na mesma rede social, Milei partilhou um vídeo de um debate entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva. “Em ação o autoritário que tanto adora a esquerda progressista local…”, escreveu o líder argentino sobre o atual Presidente brasileiro.
Javier Milei é apoiante declarado da família Bolsonaro, tendo solicitado em julho deste ano uma permissão ao STF para visitar Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliária. O juiz Alexandre de Moraes negou o pedido do argentino. No mesmo mês, o ministro brasileiro da Fazenda (equivalente em Portugal ao ministro das Finanças) Dario Durigan, afirmou que o Brasil está melhor em termos económicos e financeiros que a Argentina e chamou “palhaço” ao Presidente argentino, que viajou ao país para apoiar a candidatura do filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro.
Aquí en acción el autoritario que tanto adora la progresía local… https://t.co/N1R7tKE3tU
— Javier Milei (@JMilei) October 20, 2026
O sistema brasileiro de voto eletrónico foi defendido pelo Itamaraty, que refere ser o processo “comprovadamente seguro, nunca registou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade na primeira volta das eleições”. A segunda volta das eleições presidenciais do Brasil decorre no próximo domingo, 25 de outubro, sendo Lula da Silva e Flávio Bolsonaro os candidatos para o próximo mandato de quatro anos, que se inicia em janeiro de 2027.
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