A proposta para suspender a circulação das trotinetes partilhadas em Lisboa deverá ser discutida esta quarta-feira em reunião de Câmara, com aprovação garantida pela maioria PSD/CDS-PP/IL liderada por Carlos Moedas (PSD).
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), anunciou na quinta-feira, num vídeo publicado na rede social X, que o sistema de trotinetes partilhadas ia ser suspenso na capital, referindo vários problemas com a circulação destes veículos.
???????? Vamos suspender o atual sistema de trotinetes partilhadas em Lisboa.
Queremos uma Lisboa com passeios livres, seguros e acessíveis, onde todos possam circular em segurança. pic.twitter.com/AMiGvdGafe— Carlos Moedas (@Moedas) October 15, 2026
Fonte do gabinete do presidente da Câmara adiantou à Lusa, na sexta-feira, que a proposta deveria ser discutida na reunião desta quarta-feira, sendo expectável a sua aprovação, uma vez que Carlos Moedas tem maioria absoluta na CML, alcançada em fevereiro com a delegação de pastas na vereadora independente Ana Simões Silva, que se desvinculou do Chega no início do ano.
No final de setembro, Moedas já tinha dito que ia tomar medidas para combater comportamentos de risco por parte de utilizadores de trotinetes, sem avançar detalhes.
De acordo com o autarca, a cidade de Lisboa continua a ter “um enorme problema de segurança” com pessoas a circular neste tipo de veículo “em contramão, nos passeios, e muitas vezes duas pessoas na mesma trotinete e sem o mínimo de respeito por quem circula no espaço público”.
Além disso, lembrou também, existe o “problema de estacionamento indevido” destes veículos no espaço público e a forma como condicionam a circulação de pessoas, “afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé por exemplo”.
À margem de uma Reunião Mundial de Juízes, que decorreu em Lisboa na sexta-feira, o presidente da CML prometeu investir nas bicicletas partilhadas do sistema Gira, após a suspensão das trotinetes.
“Vou levar, obviamente, [a proposta] a reunião de câmara, penso que o Partido Socialista vai acompanhar, uma vez que em Braga [numa proposta semelhante] o Partido Socialista também acompanhou”, acrescentou na mesma ocasião.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, a vereação socialista criticou a sucessão de decisões do autarca, que em 2023 anunciou um acordo com os operadores para resolver os problemas de estacionamento e circulação destes veículos e que, posteriormente, reforçou as regras e incentivou a sua utilização.
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“Em menos de quatro anos, passou de anunciar que tinha resolvido o problema a incentivar a utilização das trotinetes e, finalmente, a propor a sua suspensão. Esta sucessão de decisões revela, mais uma vez, a sua atuação errática e, sobretudo, o falhanço de uma política que o próprio presidente da Câmara concebeu, anunciou e apresentou como solução para os problemas da cidade”, criticaram os vereadores do PS.
Já o presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, manifestou-se “muito contente” com o anúncio de Moedas.
O ACP entregou na segunda-feira, na Assembleia Municipal de Lisboa, cerca de 20.000 assinaturas de cidadãos recenseados em Lisboa para a realização de um referendo municipal sobre a continuidade do sistema de trotinetes elétricas partilhadas na cidade, apontando que o anúncio do presidente da CML em vésperas da entrega das assinaturas “é uma mera coincidência” e que o processo “vai seguir os seus trâmites normais”.
ACP recolhe 20 mil assinaturas para levar trotinetes partilhadas a referendo municipal
“Se, por acaso, entretanto, o presidente [Carlos Moedas] decidir que, efetivamente, acabam as trotinetas, este processo, no fundo, morre porque já não tem razão de existir”, indicou.