O projeto sueco-dinamarquês BITOI e a belga Flat Earth Society Orchestra, com uma homenagem a John Coltrane, abrem no dia 4 de novembro a 24.ª Festa do Jazz, em Lisboa, que este ano se estende por cinco dias.
De acordo com a Associação Sons da Lusofonia, que organiza a Festa do Jazz, a 24.ª edição decorre entre 4 e 8 de novembro e “transforma o Centro Cultural de Belém e o Teatro da Comuna nos pontos de encontro do jazz em Portugal, com nove concertos, que apresentam estreias de reportório e discográficas”.
Na 24.ª edição, a Festa do Jazz, que reúne artistas, músicos, criadores, agentes e escolas, estende-se por cinco dias e realiza-se pela primeira vez no Teatro da Comuna, “mantendo na sua programação a atenção à formação e à prática profissional, através do Encontro Nacional de Escolas (ENE) e dos Prémios RTP / Festa do Jazz”.
Na primeira noite, 4 de novembro, no Centro Cultural de Belém (CCB), sobe ao palco BITOI (Bass is the Original Instrument), que reúne o baixista e compositor sueco-dinamarquês Cassius Lambert com as vozes de Alexandra Shabo, Ella Cronberg e Lydia Cronberg, “num projeto que cruza linhas de baixo profundas, polirritmias, harmonias e dissonâncias com letras construídas a partir de cantos de pássaros”.
Na mesma noite, apresenta-se também a Flat Earth Society Orchestra, “uma das formações mais expansivas do programa, dirigida por Peter Vandenberghe e composta por quinze músicos (entre teclados, cordas, madeiras, metais, bateria, vibrafone e tuba)”.
A Flat Earth Society irá estrear o espetáculo “The Coltrane Mutations”, uma homenagem a John Coltrane, no ano em que se assinala o centenário do seu nascimento, “que reinventa o seu legado através da linguagem orquestral, experimental e irreverente desta formação belga”.
No dia 5 de novembro, o CCB acolhe concertos do Vicente Oliveira Sexteto, liderado pelo guitarrista Vicente Oliveira, e da cantora Joana Raquel.
O sexteto irá apresentar o projeto “O que a terra deixou para trás”, “que revisita melodias da música tradicional portuguesa, de Trás-os-Montes ao Algarve, através de arranjos para sexteto que cruzam identidade cultural e linguagem jazzística, incluindo ainda dois temas originais do guitarrista e líder do grupo”.
Já Joana Raquel irá apresentar “Queda Áscua”, “um repertório de caráter acústico e próximo da música de câmara, onde a canção, a poesia e o contraponto se encontram com o jazz e a música improvisada, prescindindo da bateria e procurando um equilíbrio entre o preconcebido e o inventado”.
Em 6 de novembro sobem ao palco no CCB o Julia Perminova Trio, que junta a pianista e compositora siberiana Julia Perminova, o baterista português Luís Possollo e o contrabaixista francês Matis Regnault, e o Luís Vicente Trio, formado por Luís Vicente no trompete, Gonçalo Almeida no contrabaixo e Pedro Melo Alves na bateria, e que se encontra atualmente num processo de expansão para quinteto com o pianista Leo Genovese e o saxofonista Tony Malaby, numa noite “dedicada ao reconhecimento e à afirmação de novos percursos no jazz contemporâneo”.
As tardes de 7 e 8 de novembro, já no Teatro da Comuna, são preenchidas pelo ENE, “iniciativa dedicada à valorização e divulgação do trabalho desenvolvido pelas escolas de jazz de todo o país e à descoberta e reconhecimento de novos talentos, com a apresentação de combos de alunos e alunas perante um júri especializado”.
Na noite de 7 de novembro, é apresentada a Jazzopa, “oficina de criação colaborativa e performance que cruza jazz, hip-hop e spoken word, reunindo jovens músicos e artistas num processo de composição e improvisação coletiva”.
Ainda no mesmo dia, sobe ao palco o Ensemble Festa do Jazz – Felix Henklehausen no baixo, Mariana Dionísio na voz, Marcos Cavaleiro na bateria, João Almeida no trompete e José Diogo Martins nos sintetizadores – com o guitarrista Mané Fernandes, para apresentar um novo repertório “que parte da tradição do jazz para explorar novas possibilidades, aproximando a improvisação, o groove e a experimentação das sonoridades da música eletrónica”.
A encerrar a 24.ª Festa do Jazz, na noite de 8 de novembro, o Mário Franco Quinteto, apresenta “Gathering”, novo álbum do contrabaixista, compositor e bailarino Mário Franco, numa formação que reúne Tomás Marques, Sérgio Pelágio, Duarte Ventura e Diogo Alexandre, “que explora temas como espiritualidade, pertença e memória através de uma linguagem instrumental marcada pelo cruzamento entre composição, improvisação e eletrónica”.
A 24.ª Festa do Jazz encerra as celebrações dos 30 anos da Associação Sons da Lusofonia, “e o seu compromisso com a música, a criação artística e a intervenção comunitária em defesa da valorização pessoal e da construção de comunidades autênticas, integradas, criativas e corajosas”.