O presidente da Câmara Municipal de Tabuaço reiterou esta terça-feira a decisão do executivo anterior afirmando-se contra a instalação de painéis solares fotovoltaicos no rio Távora e apelou à população para se manifestar também.

“Reitero a posição que o Município de Tabuaço já tinha assumido antes”, disse esta terça-feira, à agência Lusa, José João Patrício, eleito pelo Partido Socialista (PS) em outubro do ano passado.

Isto, porque, já em 2024 o projeto esteve em cima da mesa, para a instalação de quatro ilhas e, agora, são duas, “mas o número de painéis é o mesmo, 30.744”, uma vez que houve alteração ao projeto que tinha sido rejeitado por todos os autarcas envolventes da bacia hidrográfica como são também Sernancelhe e Moimenta da Beira, igualmente no distrito de Viseu.

O anterior executivo de Tabuaço, presidido por Carlos Carvalho, eleito pelo Partido Social Democrata (PSD) durante três mandatos consecutivos, tinha-se manifestado “contra o projeto” por diversos motivos.

Uma delas é a qualidade da água que “será afetada, segundo o estudo técnico”, e o concelho de Tabuaço é “abastecido em parte pela água da barragem”.

Também o fator paisagístico e consequentes “impactos económicos, porque o turismo será afetado” é outro dos argumentos e também usado pelos outros dois autarcas dos concelhos que também fazem fronteira com a albufeira de Vilar-Tabuaço.

Em causa está o projeto solar fotovoltaico flutuante e híbrido eólico de Vilar-Tabuaço, cuja consulta pública termina em 23 de novembro, segundo publicação em Diário da República.

O projeto prevê a instalação na albufeira de Vilar, em Sernancelhe, de 30.744 painéis fotovoltaicos bifaciais, agrupados em módulos energéticos e instalados sobre estruturas flutuantes que, ao serem interligados, formam ilhas fotovoltaicas, numa área total de 12 hectares sobre o rio.

Outro dos argumentos principais é que aquela zona do rio “é usada por meios aéreos no combate aos incêndios, o que deixaria de ser possível”.

Os presidentes das três câmaras municipais levaram ainda o assunto a uma reunião do conselho intermunicipal e a uma assembleia da Comunidade Intermunicipal (CIM) Douro, constituída por 19 concelhos, que “expressaram, por unanimidade, o seu desacordo ao projeto solar fotovoltaico flutuante e híbrido eólico de Vilar-Tabuaço”.

O atual executivo socialista de Tabuaço, de José João Patrício, lançou nas redes sociais um apelo para que a população se manifeste na consulta pública, à qual é possível aceder através do portal de participação nas consultas públicas Participa.

“A participação dos cidadãos e das entidades interessadas é fundamental neste processo. Os contributos podem ser submetidos através da plataforma oficial Participa, até 24 de novembro de 2026”, sublinha a Câmara Municipal de Tabuaço.