E voltou a dar Lula, no Brasil. Aliás, a eleição deu Lula e podia também dar — caso o sistema judicial brasileiro não fosse tão fiel ao presidente reeleito como uma carraça ao pêlo de canídeo — raia, com a extensão manhosa do horário para votar e a cambalhota na segunda volta e tal. Se isso foi estratagema do Partido dos Trabalhadores para adulterar os resultados? Não faço ideia. Mas tenho a certeza de que, se tivesse de pôr as mãos no fogo pelo amor à lei do Lula e companhia, usava luvas de metalúrgico. Por cima de luvas de siderurgia. A aconchegar umas luvas de soldador. Depois de besuntar as mãos em líquido ignífugo.

Agora, não contam comigo para teorias da conspiração sobre o Lula e ilegalidades, principalmente daquelas que os anos pós-COVID nos ensinaram serem sinónimo de “verdade daqui a seis meses”. Para teorias, fico pela da evolução das espécies, de Darwin. E por isso, ao conquistar o seu quarto mandato como presidente do Brasil, creio que Luiz Inácio Lula da Silva merecia um tratamento mais digno da sua inegável capacidade de se agarrar ao poder do que o inapropriado “Lula”. Em vez de Lula — e sem perder a referência ao fascinante universo dos moluscos — sugiro Lapa. O Lapa da Silva.

Ou seja, não se conseguirá tirar o Lula do poder nem com martelo e escopro. O que, por outro lado, tem a parte boa da previsibilidade. Ninguém ficará espantado com a caminhada imparável do país rumo ao comunismo que, quem sabe?, deixem o Lula sonhar!, poderá transformar o Brasil na nova Venezuela. Eu só espero que o reconhecido poder de atracção económico, social e político exercido pelos países comunistas não prive Portugal de continuar a receber essa refinada exportação brasileira que é o dinâmico revolucionário marxista.

Vem isto a propósito do indivíduo que foi detido no Porto depois de ter incitado à violência contra o Primeiro-Ministro. Na manifestação, lá estava ele, todo mauzão, de megafone em riste, a convidar os baderneiros a incendiar a casa de Luís Montenegro. Já quando foi detido pela PSP, parecia um cordeirinho chorão, curiosamente vestido com um casaco que mais parecia pele de lobo. Não espanta, a confusão relativamente ao típico “lobo em pele de cordeiro”: afinal, esta malta adepta de revoluções socialistas é dada a ver tudo exactamente ao contrário.

Tal como a Polícia fez tudo ao contrário no que à desmobilização dos acampamentos diz respeito. Para quê a violência, meus senhores? Quando havia uma forma muito mais divertida de terminar com os acampamentos de outono do Bloco de Esquerda. Imaginem esta alternativa. Os polícias levavam, também eles, tendas, e acampavam junto àquela maralha. Os agentes far-se-iam acompanhar por potentes colunas de som, que tocariam o hino nacional bem alto e em loop. Para fechar, os polícias passavam 24 horas por dia, em três turnos, a grelhar febras. Vocês acham, sinceramente, que ao fim de duas horinhas sobrava algum cidadão-honorário de Gaza papa-vegetais no Rossio? Claro que não. Por essa altura já tinham todos ido buscar os carros ao parque dos Restauradores e iam a caminho de casa das avós na Avenida de Roma a chorar, enquanto telefonavam a fazer queixa ao Alto Comissariado da ONU para o veganismo.

Tendo a opção da Polícia recaído sobre o uso da força necessária para acabar com a baderna, agora vamos andar semanas nesta espécie de VAR: houve contacto, ou o cassetete não chegou a tocar na argola do nariz? E aquela jovem: o esfregar do sovaco peludo e suado nas narinas do agente foi voluntário, ou não houve intenção de sufocar? E o cabelo verde fluorescente daquele artista, merece duas manifestações de suspensão por perigo de contágio radioactivo?

E isto está muito longe de ser a pior consequência da acção policial. Drama, drama, foi o Presidente da República ter quebrado o silêncio sobre este assunto para garantir: “Não gostei do que vi”. Um aparte pessoal. Eu entendo Seguro, porque também fiquei decepcionado. Depois de tanta expectativa, estava à espera de mocada a sério e não de uma coisa tipo Mike Tyson no auge da sua carreira a acabar combates aos 28 segundos do primeiro assalto. Quanto à declaração do Presidente, também não gostei do que vi. Mas não fiquei surpreendido. Pensavam que só o Brasil elegia moluscos?