O presidente do Conselho de Reitores das Universidade considerou hoje que a existência de docentes a trabalhar nas faculdades sem remuneração é uma “situação pontual, está prevista na lei e não tem por objetivo a redução de custos”.

António Cunha reagia, em declarações à agência Lusa, a uma notícia publicada no Jornal de Notícia (JN) que dá conta de que os reitores das universidades estão a contratar docentes e investigadores para dar aulas, mas sem receber qualquer remuneração, situação criticada pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior que considera o “recrutamento ilegal”.

“Normalmente esta situação é de natureza pontual num quadro da chamada contratação sem remuneração, que é uma figura para professores convidados, que existe, está prevista na lei e é algo que até é bastante importante e positiva para as universidades”, explicou à Lusa António Cunha.

De acordo com o responsável, esta figura é aplicada num contexto muito próprio e muito específico e destina-se a enquadrar situações particulares.

“Não é de modo nenhum algo generalizado ou que se destine a ter uma lógica das universidades reduzirem custos. São situações pontuais e nalguns casos prendem-se com o facto de a pessoa em causa não querer recebimentos adicionais face ao que já tem. Eventualmente haverá alguma situação, que desconheço, de contratação, utilização exagerada do mecanismo”, disse.

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Contudo, no entender do presidente do Conselho Nacional de Reitores das Universidades Portuguesas, o mecanismo “é normal” e deve ser visto com naturalidade.

“Estes docentes não se usam para suprir necessidades de funcionamento ou reduzir custos de operações das universidades. São pessoas normalmente ligadas à instituição ou ao exterior e cuja contribuição em determinado momento é importante”, disse.

Segundo António Cunha, a contribuição do docente ou investigador é feita de uma forma de quase “voluntariado, com candidatos que se potenciam para o fazer”.

“Agora se houver conhecimento da existência da utilização desta figura de forma abusiva, de modo exagerado, então deve ser corrigido”, concluiu.

O jornal adianta que só a Universidade do Porto contratou 40 docentes sem remuneração, destacando ainda dados do Ministério da Ciência e do Ensino Superior que apontam em 2014 para a existência de 176 casos a nível nacional.