A plataforma de sindicatos que representa os trabalhadores da TAP apresentou esta segunda-feira ao Governo um memorando no qual propõe a suspensão da greve entre 27 e 30 de dezembro, caso o processo de privatização da companhia também seja suspenso para que ambas as partes cheguem a acordo sobre os interesses dos sindicatos. O ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou também esta segunda-feira que o processo de privatização da TAP vai avançar independentemente da posição da plataforma em relação à greve.

“Na sequência da proposta do Governo para a criação de um grupo de trabalho, a plataforma de sindicatos apresentou ao Governo um memorando visando a suspensão do processo de reprivatização e da greve convocada para os dias 27 a 30 de dezembro do corrente ano”, informou a plataforma em comunicado enviado às redações, sem acrescentar mais informações. Conforme o que o Observador conseguiu apurar junto do presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), Miguel Kadoch, o memorando expressa “os receios da plataforma” e os “pontos que [os sindicatos] pretendem ver salvaguardados”. No entanto, nem o presidente do SINTAC nem os elementos do grupo de trabalho responsável pelo memorando farão outras declarações enquanto não houver reação oficial do Governo.

Antes da divulgação do comunicado da plataforma, Pires de Lima disse aos jornalistas: “Ficou bem claro perante os sindicatos que o Governo não vai abdicar dos seus poderes e que já decidiu sobre esta matéria. Lançámos o projeto de privatização e espero que desta vez o processo seja bem-sucedido”. O ministro da Economia reafirmou ainda a convicção de que a privatização é a melhor opção para salvaguardar o futuro da TAP, porque a empresa precisa de “capital e flexibilidade laboral”.

“Outra coisa são as preocupações dos trabalhadores da TAP, relativamente a alguns interesses, dos sindicatos, das pessoas que trabalham na TAP. E é essa avaliação que nós mostrámos disponibilidade para fazer durante as próximas semanas, a tempo, perfeitamente a tempo, naquilo que considerarmos razoável, de incorporar no caderno de encargos da privatização”, acrescentou o governante.