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Luis e uma entrada para Óscar antes da saída digna de Hollywood (a crónica do Sporting-Estoril)

Este artigo tem mais de 6 meses

Suárez resolveu cedo, Bragança fechou com chave de ouro após assistência de Nuno Santos e Alvalade festejou mais uma vitória que acabou com os olhos em Sydney Sweeney no camarote de Alvalade (3-0).

Luis Suárez bisou em 16 minutos, subiu à liderança isolada dos melhores marcadores da Liga e já está na época com mais golos da carreira
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▲Luis Suárez bisou em 16 minutos, subiu à liderança isolada dos melhores marcadores da Liga e já está na época com mais golos da carreira

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

▲Luis Suárez bisou em 16 minutos, subiu à liderança isolada dos melhores marcadores da Liga e já está na época com mais golos da carreira

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Parecia uma série mais acessível, era tudo menos uma série acessível. Depois do empate resgatado no Dragão no último minuto de descontos, e antes de novo ciclo infernal que teria também jogos grandes para a Taça de Portugal e para a Champions, o caminho do Sporting cruzava com aquelas equipas tipo do Campeonato que até podem estar a meio da tabela mas têm sempre futebol para algo mais. Foi assim com o Famalicão, foi assim com o Moreirense, ia sempre assim com o Estoril. E tudo com um contexto favorável: à medida que as dificuldades apareciam ou cresciam, a resposta em campo dos leões ia sendo cada vez mais convincente, com a deslocação a Moreira de Cónegos a ser exemplo paradigmático dessa melhor versão ofensiva dos verde e brancos. Ainda assim, mesmo num contexto favorável, Rui Borges recusava facilidades ou facilitismos.

Sporting vence Estoril com bis de Luis Suárez e mantém distância para o líder FC Porto

“Fase mais importante da época? Para mim importante é ter os jogadores todos disponíveis. Não sei se é a fase mais importante… É natural que possam pensar assim, com jogos de Taça de Portugal, Campeonato e Liga dos Campeões. É uma fase importante naquilo que é o desfecho das provas em que estamos. Em termos de motivação, a equipa vai estar ligada e super motivada. Equipa mais completa? É subjetivo o melhor momento… Aquilo que interessa é que não perdemos identidade. A intensidade, baixámos um pouco num ou outro jogo, mas a qualidade esteve lá. Os 19 jogos demonstram a regularidade da equipa. Não sei se é o melhor momento. Começámos bem a época, tirando o jogo com o FC Porto, mas temos sido competentes. Não há um melhor momento. A equipa do ano passado foi campeã, este ano estamos na luta”, frisara Rui Borges, entre muitos elogios a um Estoril em crescendo na temporada apesar de alguns deslizes recentes.

“Vai ser dos jogos mais difíceis que vamos ter ao longo da época. É uma equipa dinâmica no processo ofensivo, que tem coisas parecidas connosco. Gosta de ter bola, com bons jogadores, nas suas ações ofensivas. Em alguns momentos tem alguns desequilíbrios, faz parte, mas acredito que nos vai expor a problemas diferentes do que temos apanhado. Espero um Estoril ambicioso, pressionante. É uma equipa que mudou o sistema inicial de jogo, mantendo algumas dinâmicas em termos de posicionamentos e com grande variabilidade de posições e jogadores, capaz de criar coisas diferentes. Vai obrigar-nos também a pensar coisas diferentes. É uma equipa que gosta de ter bola, boa no processo ofensivo”, apontara na antecâmara.

Já entre os regressos de nomes como Pedro Gonçalves, a par das ausências de Kochorashvili e de Ricardo Mangas e as dúvidas em torno de Fotis Ioannidis e Zeno Debast, o técnico leonino aproveitou sobretudo para deixar elogios… a Luis Guilherme. “O Nuno Santos também está bem, o único problema é que esteve muito tempo parado. A decisão está lá, a qualidade, mas falta a parte física e atleta. Está a sentir-se cada vez melhor e disponível. O Pote… Já fizemos grandes jogos com o Pote e agora um sem ele. Neste caso jogou o Luís Guilherme, também já jogou o Trincão. São todos importantes. O Luís Guilherme chegou agora e tem 70% de drible. São jogadores diferentes, mas importantes. Fico feliz por ter mais soluções”, destacara o técnico.

Foi isso que se viu, foi isso que fez com que Rui Borges não mexesse qualquer unidade em relação à equipa que venceu em Moreira de Cónegos por 3-0 com Pedro Gonçalves a começar no banco em detrimento de Luis Guilherme. O brasileiro nem teve uma noite tão inspirada como aquela que conseguiu com o Moreirense mas mais uma vez cumpriu os três propósitos da aposta: 1) imprimiu velocidade, risco no 1×1 e mobilidade em velocidade na frente; 2) voltou a combinar bem com Maxi Araújo deixando muitas vezes o corredor para as subidas do lateral jogando mais por dentro; 3) possibilitou que Trincão continuasse a jogar no meio e Geny Catamo na direita. Com isso, as duas unidades criativas em melhor momento estavam na sua zona de maior conforto. Com isso, Luis Suárez voltou a mostrar que é um avançado de qualidade acima da média, neste caso necessitando apenas de dois bons passes e meia dúzia de metros para decidir o encontro que acabou nos últimos minutos com todos os olhos virados para um dos camarotes onde estavam os atores Sydney Sweeney, Leo Woodall e Matthew Goode… antes de Daniel Bragança fechar de vez as contas finais.

Ficha de jogo

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Sporting-Estoril, 3-0

24.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda)

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda (Vagiannidis, 83′), Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Hjulmand, Morita (João Simões, 72′); Geny Catamo (Daniel Bragança, 83′), Francisco Trincão (Nuno Santos, 83′), Luis Guilherme (Souleymane Faye, 72′) e Luís Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Eduardo Quaresma, Pedro Gonçalves e Rafael Nel

Treinador: Rui Borges

Estoril: Joel Robles; Ricard Sánchez, Ferro, Bacher, Gonçalo Costa (Pedro Carvalho, 46′); Jandro (Khayon Edwards, 80′), Holsgrove; Rafik Guitane (Pizzi, 80′), João Carvalho, Begraoui e Alejandro Marqués (Tsoungui, 46′)

Suplentes não utilizados: Martin Turk, Lominadze, Longin Bimai, Peixinho e Jan Martos

Treinador: Ian Cathro

Golos: Luis Suárez (6′ e 16′) e Daniel Bragança (90+4′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Tsoungui (56′), Iván Fresneda (63′), João Carvalho (63′), Ricard Sánchez (77′) e Maxi Araújo (87′)

O encontro começou como previsto. Aberto, rápido, sempre com foco nas balizas, a mudar de velocidade e com muita mobilidade em busca de tirar referências defensivas ao adversário. No entanto, e dentro do perfil tipo de ambos os conjuntos, o Estoril acabou por provar do seu próprio veneno pela forma como se estendeu no relvado falhando na transição defensiva: saída rápida do Sporting encontrando Geny Catamo mais por dentro no primeiro passe, bola na direita em Francisco Trincão com Iván Fresneda a fazer o movimento para dentro a dar linha de passe, cruzamento longo do português ao segundo poste para a entrada de Luis Suárez no espaço entre lateral e central e desvio em antecipação a Joel Robles na pequena área para o 1-0 (6′). Se em jogos anteriores o “problema” do colombiano tinha sido a falta de eficácia nas oportunidades iniciais, agora já tinha deixado marca no encontro para subir ao topo dos melhores marcadores. E não ficaria por aí. 

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Estoril em vídeo]

O Estoril, que tinha como principal “pecado” a forma como chegava bem à entrada do último terço mas não conseguia depois colocar o último passe por dentro, acusou essa desvantagem inicial sobretudo nas formas como fazia a primeira pressão na zona de construção dos leões, o que dava depois espaço no corredor central para os elementos em maior foco brilharem como quisessem. Foi assim que Trincão, agora por dentro, viu a entrada de Luis Suárez descaído sobre a esquerda para o remate na área para defesa de Joel Robles antes da recarga por cima de Luis Guilherme (13′). Foi assim que Hjulmand, solto de marcação no centro da manobra ofensiva pelo meio, encontrou Suárez nas costas dos centrais canarinhos antes de uma grande receção do colombiano que atirou depois sem hipóteses para o 2-0 pouco depois do quarto de hora inicial (16′).

Entre os quatro elementos da frente, a que se juntavam um Hjulmand em crescendo a dominar todo o meio-campo e um Morita cada vez mais próximo do rendimento que mostrou nas primeiras épocas em Alvalade, Luis Guilherme até era aquele que tinha menor influência na enxurrada de futebol ofensivo dos leões mas a forma como imprimia velocidade em todas as ações deixando muitas vezes o corredor para Maxi Araújo e a maneira como promovia a tal mobilidade procurada por Rui Borges justificava por completo a opção inicial de deixar Pote no banco para outras batalhas. Ricard Sánchez ainda teve um remate enrolado travado a dois tempos por Rui Silva (26′) mas a primeira parte continuava a correr com o Sporting por cima sem descurar a capacidade ofensiva do Estoril, encontrando nas transições a grande arma para ferir o seu adversário como aconteceu em mais um grande passe de Morita para a velocidade de Geny Catamo pela direita até ao remate forte por cima (28′). Robles defendeu um tiro de Francisco Trincão e o intervalo chegou mesmo com 2-0, com Rui Silva a travar ainda um remate de meia distância de João Carvalho em jeito para canto (45+1′).

Ian Cathro fez uma dupla alteração ao intervalo, com as saídas de Gonçalo Costa e Alejandro Marqués para as entradas de Pedro Carvalho e Tsoungui (com Ricard Sánchez a passar para a esquerda e João Carvalho a subir no terreno), mas as verdadeiras mexidas a demorarem a surgir perante um Sporting que não tinha tanta clarividência no último terço mas conseguia momentos de “sufoco” no meio-campo dos canarinhos na reação à perda que valeu a Luis Suárez uma tentativa de hat-trick num remate de fora da área para defesa de Robles (52′). No entanto, e com o passar dos minutos, o relaxamento demasiado precoce dos leões e a melhor capacidade de saída com João Carvalho como principal referência catapultou o Estoril para a melhor fase na partida, tendo um remate muito perigoso de Rafik Guitane para grande defesa de Rui Silva depois de ganhar o duelo a Gonçalo Inácio (62′) e mais uma tentativa na área de Pedro Carvalho a sair por cima (63′).

Rui Borges sentia que a equipa perdera o controlo da partida e, uns minutos depois daquilo que o jogo estava a pedir, lá acabou por mexer com as entradas de João Simões e Souleymane Faye para as saídas de Morita e Luis Guilherme. Mais do que aquilo que veio do banco, o Sporting conseguiu finalmente recuperar as rédeas do encontro, com Faye a ter uma boa iniciativa individual da esquerda para o meio antes de um remate que saiu fraco (74′) e mais um lance de desequilíbrio de Geny Catamo à direita que terminou com Maxi Araújo a rematar sozinho na área contra o pé de Tsoungui que evitou in extremis o golo (75′). Apesar dos poucos minutos de quebra que poderiam ter outro impacto caso o Estoril tivesse marcado, os leões caminhavam de uma forma tranquila para mais uma vitória sem golos sofridos, a terceira consecutiva no Campeonato, que chegou ainda ao 3-0 com assistência de Nuno Santos para um grande trabalho de Daniel Bragança (90+4′).

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