A ciência explica o que acontece ao corpo quando fazemos sexo /premium

O cérebro entra em curto-circuito. Uma onda de químicos altera o corpo por inteiro. Depois vem o orgasmo. Ou não. Hoje é o Dia do Sexo. Isto é o que acontece ao corpo humano quando o praticamos.

Tudo começa com um sorriso sugestivo, um olhar sedutor ou um travo inconsciente de feromonas no ar. Assim que duas pessoas começam a sentir-se atraídas uma pela outra, o cérebro entra num frenesim descontrolado. Visto através das poderosas lentes de uma ressonância magnética, o cérebro transforma-se numa autêntica árvore de Natal com os neurónios a piscarem como as luzes ao ritmo de “Jingle Bell Rock”. Uma análise que reviu 58 estudos à sexualidade humana diz que só para uma pessoa ficar excitada é preciso que seis partes do cérebro fiquem prontas: o córtex pré-frontal ventromedial, a amígdala, o córtex cingulado anterior, o tálamo, o córtex parietal e o hipótalamo. Tudo isto sem sequer ter tirado a roupa.

De acordo com Clara Clark, investigadora na área da neuropsicologia, cada uma dessas partes tem uma função. O córtex pré-frontal ventromedial é o viciado em sex appeal: “O primeiro estágio do modelo é o componente cognitivo, onde se perceciona o estímulo visual sexual e julga a natureza sexual para depois focar a atenção, o que pode levar ao ensaio mental da realização de um ato sexual”. A amígdala “está envolvida na avaliação do conteúdo emocional de uma situação sexual”. E o córtex cingulado anterior, o tálamo, o córtex parietal e o hipótalamo compõem o nosso sistema límbico, responsável pelas emoções e pelos comportamentos sexuais. A amígdala também entra na equação porque tem uma grande quantidade de recetores de hormonas sexuais, o que vai ser essencial para o que vem a seguir.

Dois dias depois do Dia da Educação Sexual, celebra-se esta quinta-feira o Dia do Sexo à conta de um trocadilho inevitável entre o dia seis e o mês nove. Gabriel García Márquez disse que o sexo é “o consolo que se tem quando não se pode ter amor”, Hunter S. Thompson disse que “sexo sem amor é tão vazio e ridículo como amor sem sexo” e Marilyn Monroe disse que o sexo “é parte da natureza” e ela “só obedece à natureza”. De uma maneira ou de outra, alguma vez parou a meio do ato para pensar na panóplia de coisas que estão a acontecer nesse preciso momento no seu cérebro e no seu corpo? Imaginámos que não. Mas também não precisa: nós explicamos tudo ao segundo com a ajuda de especialistas.

William Masters e Virginia Johnson foram os primeiros a descrever o que acontece ao corpo humano durante o sexo. Novos modelos relativizam a importância do orgasmo, principalmente para a mulher.

De acordo com os ensinamentos de William Masters e Virginia Johnson (o médico e a assistente pioneiros no estudo da sexualidade humana), a resposta sexual divide-se em quatro partes: excitação, plateau, orgasmo e resolução: “São descritas quatro fases da resposta sexual , quase semelhantes em ambos os sexos, mas com uma evolução mais rápida no homem do que na mulher e também com uma resposta final distinta. As fases seriam a de excitação, o plateau, que corresponderia a uma fase de excitação máxima que poderia durar alguns momentos até ao orgasmo, que será a fase seguinte e, finalmente, a fase de resolução”.

Mas Marcela Forjaz, ginecologista autora do livro Estas Hormonas Deixam-me Louca, explicou ao Observador que essa divisão já sofreu mudanças: “Esse conceito está abandonado, tendo sido introduzido o conceito de desejo nos anos 70. Aceita-se  um modelo em três fases: desejo, excitação e orgasmo, que viria ainda a ser corrigido no fim do século XX por Rosemary Basson no que diz respeito à vertente feminina”. Essa correção relativiza a importância do orgasmo como acontecimento físico, concretiza a médica ginecologista: “Há uma ideia mais abrangente e complexa que não se foca no objetivo de atingir um orgasmo como acontecimento físico, mas sim na satisfação pessoal que pode incluir esse acontecimento ou satisfação psicológica e emocional de ligação especial ao parceiro”.

Virgina Johnson e William Masters foram os primeiros a documentar a resposta sexual humana

Wikimedia Commons

Excitação

Quando uma mulher fica excitada, os vasos sanguíneos que compõem os genitais dilatam e permitem um maior fluxo de sangue para essa região. Entretanto, há duas glândulas que se preparam para lubrificar a vagina: as glândulas de Bartholin e a glândula de Skene. Em conjunto, essas glândulas aproveitam o plasma do sangue que chega aos genitais para lubrificarem a vagina, mas isso só acontece quando o canal vaginal aumenta de volume e as paredes se tornam mais finas. Entretanto, o volume das mamas aumenta, o tamanho do clítoris também, o útero amplia e eleva-se 2,4 centímetros para permitir à vagina ter mais espaço para acomodar o pénis; e a acidez da vagina diminui ligeiramente para não comprometer a saúde dos espermatozoides.

No caso do homem, quando fica excitado os vasos sanguíneos dilatam e o sangue começa a fluir mais rapidamente para dentro de três áreas que existem no pénis — dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso — fazendo com que fique ereto. Tanto os testículos como a glande podem aumentar de tamanho em 50%, mas os primeiros mexem-se e recuam para ficarem mais próximos do corpo humano porque o escroto (a bolsa de pele que os envolve) também fica mais apertado. Isso serve para aumentar a temperatura na região dos genitais e assim estimular ainda mais sangue para essa área. Em contrapartida, a pele que envolve o pénis fica mais solta e móvel, permitindo que o pénis cresça tanto em comprimento como em diâmetro e que se eleve num ângulo de 120º em relação à posição natural. Nas contas de Marcela Forjaz, “o pénis com a ereção passa dos dez centímetros de comprimento médio e nove de perímetro para 15 centímetros de comprimento e 12 de perímetro”.

Durante a excitação, as glândulas nos genitais da mulher lubrificam a vagina. O volume das mamas aumenta, o tamanho do clítoris também, o útero amplia e eleva-se 2,4 centímetros. Nos homens, os testículos e a glande podem aumentar de tamanho em 50%. O pénis eleva-se 120º e passa a ter 15 cm de comprimento e 12 de perímetro.

Para saber exatamente o que acontece nesta fase da relação sexual, um grupo de investigadores pediu a oito casais heterossexuais para fazerem sexo dentro de uma máquina de ressonânica magnética. Descobriram que os homens e as mulheres precisam normalmente de trinta segundos para ficarem excitados e que chegam ao orgasmo ao fim de 10 minutos. Mas o que provoca tudo isto?

Antigamente julgava-se que, se uma pessoa sentia atração sexual por outra mas não era correspondida, tudo podia ser resolvido com uma poção mágica a que os contos rotularam de “Elixir do Amor”. Conta a lenda que Tristão se apaixonou perdidamente por Isolda, futura noiva do rei, quando os dois beberam por engano um líquido que os manteve apaixonados até à morte — os dois morrem de tristeza quando Tristão é expulso do reino e ela sucumbe quando o encontra sem vida. Conta outra lenda que, inspirado por esta história, Nemorino vai em busca de um elixir para conquistar o coração de Adina, mas acaba bêbedo depois de engolir uma garrafa de bourbon. Uma ingenuidade, não é?

Nem por isso, pelo menos tendo em conta que a excitação sexual entre duas pessoas é determinada precisamente por um cocktail poderoso, uma poção bioquímica, com dois neurotransmissores: dopamina e serotonina. A dopamina é responsável pelo prazer, pela excitação, pelo desejo e pela atração, mas também é muito importante para nos dar mais motivação. Quando é posto em circulação na nossa corrente sanguínea, a dopamina leva-nos a sentirmo-nos mais atraídos pelo objeto da nossa atenção.

A serotonina funciona de modo contrário: baixos níveis de serotonina em circulação aumentam a líbido e o apetite sexual. A ajudar nessa tarefa está também a oxitocina, outro neurotransmissor relacionado com a nossa capacidade de sentir um vínculo com outra pessoa. Quando a dopamina e a oxitocina surgem juntas na equação sexual, isso explica porque é que muita gente sente uma ligação emocional quando tem relações sexuais com essa pessoa, apesar de não ter sido essa a razão porque se envolveu com ela fisicamente. É este o primeiro passo de uma caminhada que levará o corpo até ao orgasmo — ou, como dizem os franceses e convenientemente cabe na história de Tristão, la petit mort.

A excitação sexual entre duas pessoas é determinada precisamente por dois neurotransmissores: dopamina e serotonina. A dopamina leva-nos a sentirmo-nos mais atraídos pelo objeto da nossa atenção. A serotonina funciona de modo contrário: baixos níveis de serotonina em circulação aumentam a líbido e o apetite sexual. 

Plateau

À medida que a relação sexual avança, o corpo humano continua a alterar-se e a preparar-se para o clímax: estamos no plateau. Tanto nos homens como nas mulheres, o coração bate mais rápido, a respiração fica mais intensa e há um aumento da pressão sanguínea. No caso do homem, a glande do pénis fica mais larga e os vasos sanguíneos também dilatam para permitirem a passagem de um maior fluxo de sangue. Além de continuarem a crescer em tamanho, os testículos continuam a subir, empurrados pelo escroto. À conta disso, a temperatura na área aumenta. À medida que se aproxima do orgasmo, a frequência cardíaca sobe, a pressão sanguínea também, as coxas e nádegas contraem e o ritmo da respiração intensifica-se.

A partir de cera altura, os corpos cavernosos e o corpo esponjoso já estarão cheios de sangue, fazendo com que a ereção seja total. Só então entra em ação a glândula de Cowper, que fica logo debaixo da próstata e da vesícula seminal: quando o homem estiver prestes a atingir o orgasmo, ela lança o fluido pré-ejaculatório para lubrificar a uretra e limpá-la de impurezas.

Nas mulheres, o fluxo sanguíneo atinge o seu limite e chega ao terço inferior da vagina, fazendo com que fique mais inchada e firme. Isso é provocado por dois químicos libertados pelas paredes da vagina, o óxido nítrico e o peptídeo vasoativo intestinal, que não só chama mais sangue para aquela zona como também relaxa os músculos da vagina. Essa região passa a chamar-se plataforma orgásmica e é ela que vai contrair em intervalos de 0,8 segundos quando a mulher atingir o orgasmo. Entretanto, o volume das mamas aumenta até 25%, a vagina torna-se mais larga e alongada e o fluxo sanguíneo aumenta nas veias em redor dos mamilos. À medida que a mulher se aproxima do orgasmo, o clitóris afasta-se do osso púbico. “A estimulação contínua é necessária nesta fase para acumular excitação sexual suficiente para o orgasmo”, aconselha a página do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Nesta altura, o corpo fica à mercê da resposta química do organismo: “Se no homem a testosterona tem um papel preponderante na sua resposta sexual, desencadeando depois a libertação de adrenalina e oxitocina, já na mulher parece haver a ação conjunta e em concordância de estrogénios, oxitocina, testosterona, entre outros”, explica Marcela Forjaz. Nas mulheres, essa resposta química é especial: “Diria que na mulher tudo é muito mais complexo do que uma simples resposta biológica. Tudo depende das concentrações de serotonina e a dopamina, mas também há um papel importante do seu estado emocional basal, que se relaciona com os fatores como a existência ou não de stress com o trabalho, os filhos, a fase da sua vida reprodutiva, por exemplo”.

Se no homem a testosterona tem um papel preponderante na resposta sexual, desencadeando depois a libertação de adrenalina e oxitocina, já na mulher parece haver a ação conjunta e em concordância de estrogénios, oxitocina, testosterona, entre outros", explica Marcela Forjaz. Nas mulheres "é muito mais complexo do que uma simples resposta biológica" porque o estado emocional conta muito.

Orgasmo

Quando alguém está prestes a atingir o orgasmo — “uma sensação de intenso prazer sexual” na definição do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido — o cérebro ordena às glândulas suprarrenais, que ficam por cima dos rins, que lancem para a corrente sanguínea uma hormona chamada adrenalina. A adrenalina está para o nosso organismo como o nitro está para o motor de um carro porque o prepara para esforços físicos extraordinários: é à conta dele que, quando alguém chega ao clímax, as artérias dilatam, o fluxo sanguíneo cresce, os batimentos cardíacos aceleram e o ritmo da respiração aumenta.

Quando isto acontece, o corpo fica à mercê do sistema nervoso autónomo, aquela que controla as funções mais básicas do organismo, como a respiração, a temperatura do organismo ou a digestão; enquanto a atividade do córtex cerebral, que é a mais externa do cérebro e também a mais moderna e sofisticada, diminui. Por outras palavras: as regiões mais animalescas do cérebro tomam conta do nosso corpo; enquanto a zona do cérebro mais responsável pela memória, atenção, consciência, linguagem, perceção fica adormecida.

Nas mulheres há “uma libertação intensa e prazerosa da tensão sexual” criada por contrações dos músculos da pélvis, incluindo os genitais, com 0,8 segundos entre elas. O orgasmo nas mulheres é quase sempre mais longo do que o orgasmo masculino. As pupilas dilatam, a respiração torna-se muito mais ofegante, a pressão arterial sobe em riste, a temperatura corporal chega ao pico e a tensão muscular chega ao máximo. Um estudo sugeriu que, nesta altura, as mulheres perdem 69 calorias numa relação sexual que dure 20 minutos (25 minutos se contarmos com os preliminares) e os homens perdem 101: “Os homens pesam mais que as mulheres e, por isso, o gasto energético será maior nos homens para o mesmo exercício realizado”, justifica o relatório.

Tudo isto acontece porque o cérebro está carregado de sinais elétricos que estimulam as regiões responsáveis pelo prazer. Há, no entanto, outro grande mistério em torno do orgasmo feminino — e não, não estamos a falar do tão debatido Ponto G: para que serve o clímax nas mulheres? Nos homens, o orgasmo vem quase sempre acompanhado pela ejaculação, que é essencial para a procriação e, sendo assim, para a continuidade da espécie. Nas mulheres, por outro lado, não parece haver qualquer relação entre a fecundidade e o orgasmo. Durante algum tempo julgou-se que as tais contrações na vagina durante o orgasmo podiam servir para ajudar os espermatozoides a chegarem mais depressa ao útero, mas essa teoria caiu por terra porque, se assim fosse, então o útero não se elevaria durante a relação sexual.

Nas mulheres há "uma libertação intensa e prazerosa da tensão sexual" criadas por contrações dos músculos da pélvis, incluindo os genitais, com 0,8 segundos entre elas. Nos homens, essas contrações concentram-se principalmente no canal deferente, o tubo que transporta os espermatozoides dos testículos para o pénis. O orgasmo feminino é mais longo que o masculino.

Outra teoria surgiu entretanto. Elizabeth Lloyd, da Universidade de Indiana, sugeriu no livro The Case of the Female Orgasm que talvez a mulher tenha orgasmos por causa de uma simples coincidência: os tecidos embrionários que dão origem à glande, a zona com mais terminações nervosas do pénis e aquela que é mais sensível ao estímulo, são os mesmos que dão origem ao clítoris nas mulheres. Além disso, pode ser uma boa estratégia para que tanto homens como mulheres queiram repetir a experiência, quase como se seguíssemos as leis de Pavlov e víssemos o orgasmo como uma recompensa: como o orgasmo é uma sensação prazerosa, isso pode incentivar homens e mulheres a continuarem a procurá-lo através do sexo, aumentando assim a probabilidade de conceber.

Nos homens, essas contrações concentram-se principalmente no canal deferente, o tubo que transporta os espermatozoides dos testículos para o pénis. Normalmente, o orgasmo do homem tem uma duração de três a dez segundos e divide-se em duas partes: na primeira, controlada pelo sistema nervoso simpático (responsável pelo controlo involuntário dos órgãos internos), o líquido vindo da próstata lubrifica a uretra e elimina vestígios de urina. Os canais deferentes contraem fazendo com que os espermatozoides viajem desde o epidídimo (o armazém onde os testículos mantêm as células sexuais masculinas) até para fora do pénis. Pelo caminho são adicionados todos os líquidos das glândulas anexas — as vesículas seminais, que também sofrem contrações. Na segunda parte, controlada pela ação das células da medula espinal, as contrações continuam e levam o corpo do homem a expulsar o sémen para o interior do corpo da mulher. Essas contrações são muito violentas: só assim é que os espermatozoides podem viajar depressa o suficiente para passarem o menos tempo possível na vagina, que é muito ácida.

O problema é que isto não acontece a toda a gente:  o Journal of Sex & Marital Therapy publicou no ano passado um estudo onde estima que 80% das mil mulheres que têm entre 18 e 94 anos não conseguem chegar ao orgasmo exclusivamente através da penetração do pénis na vagina. Um estudo feito em 1924 sugeriu que há uma explicação anatómica para que as mulheres tenham mais dificuldade do que os homens em atingir o orgasmo — e para que algumas tenham menos orgasmos do que outras. Segundo Maria Bonaparte, que assinava com o pseudónimo A. Narjani, quanto menor for a distância entre a vagina e a glande do clítoris, maior a probabilidade de a mulher atingir o orgasmo. E se essa distância fosse inferior a 2,5 centímetros, ela até conseguiria atingi-lo apenas através da penetração do pénis.

Essa teoria ficou fragilizada quando a própria Maria Bonaparte, que não conseguia atingir o orgasmo, foi operada por Josef Halban para diminuir e reposicionar a glande do clítoris para mais perto da abertura vaginal. Maria Bonaparte esperava assim conseguir atingir o orgasmo através da penetração, mas de nada lhe serviu a intervenção cirúrgica. Aliás, a cirurgia não parece ter sido eficaz com nenhuma das cinco mulheres que participaram na experiência: duas deixaram de ser seguidas pelos médicos, duas continuaram sem atingir o orgasmo e uma só o alcançou enquanto teve uma infecção no local da cirurgia — quando ficou curada, os orgasmos desapareceram. Maria Bonaparte chegou a justificar o falhanço com a possibilidade de a cirurgia ter danificado os nervos no clítoris.

No entanto, segundo um relatório que analisou os 70 anos de estudos em redor deste assunto, os dados estatísticos realmente indicam que as mulheres em que a distância entre o clítoris e a vagina é menor têm maior probabilidade de atingir o orgasmo através de uma relação sexual (na masturbação essa distância não parece ter influência): “Algumas mulheres podem ser anatomicamente predispostas a ter orgasmos numa relação sexual, enquanto a anatomia genital de outras mulheres torna tais orgasmos improváveis”, pode ler-se no documento. Mais: também há estudos que sugerem que a probabilidade de uma mulher atingir orgasmos depende em um terço da genética. Ou seja, a capacidade de ter um orgasmo pode correr no sangue.

Segundo um relatório que analisou os 70 anos de estudos em redor deste assunto, as mulheres em que a distância entre o clítoris e a vagina é menor têm maior probabilidade de atingir o orgasmo através de uma relação sexual. Na masturbação essa distância não parece ter qualquer influência.

Resolução

Tudo isto acontece muito depressa: ainda o organismo está a passar pelo orgasmo, já está ao mesmo tempo a preparar-se para o descanso. É que o orgasmo é um acontecimento muito violento, por isso assim que ele chega o cérebro ordena logo uma descarga muito grande de endorfinas que vão funcionar como um calmante quase instantâneo — mais instantâneo para os homens do que para as mulheres, que têm orgasmos mais longos do que eles. Durante algum tempo, tanto as endorfinas que querem manter a calma como a adrenalina que quer continuar a festa estão a atuar no corpo. Isso faz com que tanto as áreas ligadas ao prazer como as ligadas à falta dele estejam a funcionar ao mesmo tempo. É como um curto-circuito que vai ter repercussões nos músculos, fazendo com que sofram espasmos. Ao homens, esse curto-circuito tem uma função muito útil: vai permitir os espasmos da ejaculação.

Só depois de toda esta agitação é que o corpo tanto do homem como da mulher entram na última fase da relação sexual: a resolução, que é no fundo o regresso à normalidade. Depois de atingirem o orgasmo, todos os homens precisam de passar por uma fase de recuperação até serem capazes de voltar a ter uma relação sexual. Durante esse período, tanto o pénis como os testículos voltam ao tamanho e às posições normais. Ainda assim, a respiração vai permanecer pesada e os batimentos cardíacos vão continuar fortes durante algum tempo: quanto mais velho for o homem, mais tempo vai precisar para regressar ao normal e para recuperar o suficiente para voltar a fazer sexo.

Com as mulheres não é necessariamente assim: algumas mulheres não precisam de atravessar  esse período de recuperação após um orgasmo e até podem ter outro se continuarem a ser estimuladas.

Durante algum tempo, tanto as endorfinas que querem manter a calma como a adrenalina que quer continuar a festa estão a atuar no corpo. Isso faz com que tanto as áreas ligadas ao prazer como as ligadas à falta dele estejam a funcionar ao mesmo tempo. É como um curto-circuito.

Recapitulando: tudo começa com um sorriso sugestivo, um olhar sedutor ou um travo inconsciente de feromonas no ar. Depois, tudo termina com a hipófise, uma pequena glândula alojada na base do cérebro, a lançar ainda mais oxitocina na corrente sanguínea, com os recetores de dopamina a tornarem-se mais preguiçoso e com o cérebro a libertar uma quantidade maior de uma hormona chamada prolactina. À conta da oxitocina, muita gente acaba a relação sexual com a sensação de ter um vínculo emocional maior pelo parceiro. Por causa da dopamina, os homens precisam de recuperar do sexo antes de o retomarem. E a prolactina, que serve por exemplo para estimular a produção de leite e o aumento das mamas na mulher, faz com que muitas pessoas (e sobretudo os homens) tenham vontade de dormir.

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