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Depois de almoçar, Rubi e Alzira tiravam os pratos da mesa quando foram surpreendidos por uma notícia na televisão. A jornalista repetia que um recluso de 24 anos tinha sido morto pelo companheiro de cela de 25 anos no Estabelecimento Prisional do Linhó. “Disse logo para a minha mulher: ‘Epá, isto foi o nosso neto’”. “Tu não digas isso”, respondeu a mulher incrédula. Telefonaram ao advogado e confirmou-se o desfecho que, para os avós do suspeito, apesar de trágico, não foi surpreendente.
Poucos dias antes de receber esta notícia, o avô fora ao Estabelecimento Prisional para reunir com a diretora-adjunta da prisão: queria que transferissem Hugo para uma prisão onde tivesse os cuidados médicos adequados à sua “perturbação esquizofrénica”, como consta do primeiro relatório médico em que é mencionada esta doença do recluso, assinado por um médico psiquiatra da prisão do Linhó em outubro de 2025.
A irmã de Diogo Remelgado, o colega de cela que terá morrido às mãos de Hugo, acordou nesse 28 de fevereiro com várias chamadas da prisão por atender. Quando tentou devolver o contacto, o homem que atendeu o telefone não deu explicações. “A minha mãe e o meu pai ligaram e ninguém atendeu”, denuncia Bruna ao Observador. Até hoje, acrescenta, os serviços prisionais não falaram sobre este caso com a família. Os avós do suspeito dizem que também nunca foram informados e só conseguiram confirmar através do advogado — que contactou com outras fontes, que não as prisionais.
Bruna só conseguiu entrar em contacto com a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) e é com essa ajuda que, agora, tenta pedir uma indemnização ao Estado pela “negligência dos Serviços [Prisionais]”, confirmou a APAR ao Observador. O pedido, admite o secretário-geral Vítor Ilharco, pode ser partilhado pelas duas famílias — considera que também os avós de Hugo são vítimas da inércia do sistema, que não pode alegar desconhecimento do historial clínico do jovem para justificar a inação perante os apelos dos avós para o neto ser internado num local adequado à doença.
“A APAR tem, há muito, contactos permanentes com os avós do Hugo, que andaram meses a alertar a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) para o problema grave do neto, a última vez três dias antes do homicídio quando reuniram com a senhora Directora-Adjunta do EP do Linhó a quem deram conta das suas preocupações sobre o estado mental daquele. Infelizmente, os avós do Hugo — que, repete-se, tinham enviado um email de alerta quinze dias antes do homicídio, o que levou a que a senhora Directora-Adjunta do Estabelecimento Prisional do Linhó os tenha recebido doze dias depois, três dias antes do crime – souberam do caso pela comunicação social porque ninguém do Ministério os contactou”, respondeu a associação ao Observador.
Contactada, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais disse apenas que o caso foi comunicado à Polícia Judiciária e ao Ministério Público, encontrando-se “em investigação e sob segredo de justiça”. Sobre a ausência de contacto com os familiares de suspeito e morto, garantem que o EP “cumpriu com os procedimentos a que está obrigado”.
O caso não ficou encerrado com a morte de Diogo. Depois deste episódio, Hugo foi transferido para o EP de Monsanto, onde, segundo o advogado Pedro Pestana, o seu cliente foi agredido por guardas que já o conheciam de uma passagem anterior por aquela cadeia de alta segurança. “O rapaz foi agredido, tem o olho todo roxo”, disse num vídeo enviado ao avô depois de ter estado com o recluso em Monsanto. Confrontada pelo Observador, a DGRSP não respondeu.
“A APAR já denunciou o caso ao Exmo. Senhor Procurador-Geral da República. Ainda não tivemos resposta, mas estamos certos de que o assunto está a ser seguido. Vamos apresentar queixa em todas as instâncias possíveis dado que esta agressão ultrapassa tudo o que é admissível”.
Enquanto decorre a investigação, as duas famílias lamentam o episódio. Bruna diz que nada, nem mesmo o dinheiro da indemnização, trará o seu irmão de volta e desdobra-se em questões para tentar perceber o que terá levado Hugo, que já era um conhecido de longa data de Diogo, a matar o companheiro de cela. Rubi admite o cansaço de tantos anos a alertar para esta situação. “Eu estou a morrer lentamente, porque eu quero fazer alguma coisa e não consigo… ninguém me ouve”. Os avós sempre tentaram desviar o neto de um caminho ligado ao consumo de drogas que começou a ser trilhado desde a infância e que se agravou na prisão.
Rui Abrunhosa Gonçalves, antigo Diretor-geral da Reinserção e Serviços Prisionais, não tem dúvidas que o consumo de drogas agrava “muitíssimo” os problemas mentais dos consumidores. “O que acontece é que muitas vezes alguns destes indivíduos desenvolvem perturbações em meio prisional depois de uma longa vida de consumo de estupefacientes”. Este comportamento tende a “contrariar” o efeito da medicação.
O perfil desenhado pelo perito em psicologia encaixa no percurso de Hugo, que começou a consumir cedo e que há vários anos vive privado da liberdade — antes da primeira condenação, já tinha passado por várias instituições de tratamento.
Manuel Moura/LUSA
Vivia com os avós desde o divórcio dos pais, que não sabiam que ele consumia droga desde os 9 anos
Hugo tinha 15 anos quando os pais se divorciaram. Segundo os avós, o trauma da separação tornou-se problemático para a criança quando se discutiu a partilha da guarda dos dois irmãos. “Aquando da separação, os pais decidiram que Hugo ficaria a residir com o pai e o filho mais novo com a mãe, acentuando no jovem sentimentos de rejeição e abandono por parte das figuras parentais, sobretudo da mãe. Pouco tempo depois, o pai reconheceu a sua reduzida disponibilidade para assegurar o seu papel parental e educativo, tendo sido decidido, em Tribunal de Família e Menores, a partilha das responsabilidades parentais entre o pai e os avós maternos do jovem, a quem foi atribuída a guarda a partir de março de 2016”, ficou provado em tribunal, segundo um acórdão de 2022 consultado pelo Observador.
“O Hugo gostava muito da avó, nós é que demos carinho, amor e afeto, porque ele nunca teve isso — eram pais, não eram progenitores, nunca se ralaram com o Hugo. A minha filha [e o pai dos dois filhos] não nasceram para serem pais, tinham 19 anos”, prosseguiu Rubi. Como o pai trabalhava como serralheiro e mergulhador, passando longos períodos fora de casa, decidiu-se que o jovem ficaria com os avós.
O tribunal tinha obrigado os pais de Hugo a ir visitá-lo “de vez em quando” e a “dar dinheiro para alimentação”, mas “ninguém deu nada”. “O pai dava 50 euros por mês… aquilo nem para a fruta dava”, recorda o avô.
Já tinham sido pais há várias décadas, mas sabiam que o primeiro passo para educar um ‘novo’ filho passava por inscrevê-lo numa nova escola na zona da Margem Sul do Tejo (onde já vivia, antes, com os pais). Assim o fizeram, num momento que abriu os olhos dos avós que desconheciam por completo o historial do neto. “Os avós desconheciam que Hugo iniciara o consumo de estupefacientes com 9 anos de idade e que, quando integrou o agregado, consumia regularmente cannabis, álcool e tabaco”, lê-se no acórdão consultado pelo Observador.
“Desde idade precoce que Hugo manifesta comportamentos difíceis de controlar, sendo descrito como rebelde e irrequieto, tendo a família, após as primeiras queixas em contexto escolar, diligenciado por consulta de psicologia, no setor privado. Neste contexto, em relatório de avaliação psicológica datado de 2011 identifica-se grave défice cognitivo de caráter permanente” sugerindo-se avaliação em ensino especial e acompanhamento psicoterapêutico. Apesar do diagnóstico, a estratégia educativa preferencial dos progenitores era o recurso a castigos físicos”, refere o acórdão da segunda condenação de Hugo, ambas por crimes de roubo. Se na primeira ficou em pena suspensa, na segunda foi condenado a quatro anos e dez meses de prisão — em nenhum momento, nas duas condenações, era mencionada uma perturbação esquizofrénica, que só seria diagnosticada anos mais tarde.
Aos olhos do tribunal, os avós “demonstraram algumas fragilidades ao nível da imposição de normas e regras”, que se traduziram numa “postura de permissividade e desculpabilização que parece ter favorecido o aumento de comportamentos desajustados, tanto em contexto familiar, com atitudes agressivas a nível físico e verbal e com fugas de casa, como no contexto escolar com absentismo e situações de indisciplina”.
Mas os avós contam ao Observador que tiveram sempre o bem de Hugo como objetivo e que por isso decidiram colocar o jovem na escola, onde se aperceberam do consumo problemático do neto que tinha ainda menos de 16 anos. “Logo no segundo dia de escola a diretora chamou-me e disse: o seu neto chegou há dois dias aqui à escola e vou mostrar-lhe onde está”. Seguiram os dois para a janela do gabinete da diretora, que dava para a rua. “Ela disse: ‘Aquele rapaz ali [a falar com o Hugo] é vendedor de droga’. Eu entrei em pânico”.
Rubi confrontou o neto e, decidido a controlá-lo mais, chegou a pedir explicações a um rapaz que estava a consumir droga perto da sua casa. “Tive que perguntar lá no jardim onde a gente mora, o que era a droga. Perguntei a um rapaz que lá estava se ele me podia explicar, porque o meu neto não me dizia. Eu queria saber o que era para estar vigilante”.
Contudo, nada parecia resultar e o casal viu-se encurralado. Depois de ter sido acompanhado por uma pedopsiquiatra no Hospital Garcia de Orta, onde começou a realizar terapêutica medicamentosa, não se notaram efeitos. O consumo manteve-se e o percurso escolar era marcado pelas dificuldades de aproveitamento e por comportamentos problemáticos.
Desesperados, inscreveram o jovem numa escola profissional. Rubi leva as mãos à cabeça enquanto recorda essa decisão. “O que é que eu fui fazer… aquela era a escola da droga”. O avô lembra que o neto “começou por ir sozinho para a escola”, mas depois começou a aperceber-se que ele não ia às aulas e passou a levá-lo lá. “Até pedi ao porteiro — dei-lhe o meu número — para me avisar se houvesse qualquer coisa [com o Hugo]. De duas em duas horas ele estava a ligar-me a dizer ‘o seu neto já fugiu’”.
Hugo passou a infância em comunidades terapêuticas — de onde fugia constantemente. Pais quase nunca o viam
Assim, Hugo acabou por ser alvo de uma intervenção no âmbito de processo de promoção e proteção pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Seixal. Mas, mais uma vez, a atitude do menor deitou tudo a perder e a alternativa acabou por ser a integração numa comunidade terapêutica. “Era a única hipótese para tirá-lo da rua”, desabafa o avô que sabe, anos depois, que nem aquela alternativa resultou.
“Foi para o Pinhal Novo”, para a Comunidade Terapêutica do Centro Jovem Tejo, onde esteve entre fevereiro e junho de 2017, antes de seguir para outra comunidade terapêutica mais longínqua, no Marco de Canaveses. Novamente, durou menos de um ano na Associação ART.
“Ele ficava lá, mas volta e meia fugia. Uma vez estava em casa e bateram-me à porta, de madrugada. Abri e disse ‘o que é isto, Hugo? O que foste fazer?’. Entrei em pânico, disse-lhe: ‘Vai tomar um banho, come uma sandes que eu vou lá levar-te’”. Fez a viagem entre a freguesia da Amora, onde ainda vive, e o Marco de Canaveses nessa mesma noite, para levar o neto à associação. Qual a justificação para a fuga? “Se calhar tinha saudades da gente, queria ver a avó e o avô… ou então queria ir à procura de uma ganza cá fora, que é o mais certo”, admite Rubi.
Como dessa vez acabou por não ser apanhado, Hugo ganhou mais tempo na comunidade, mas seria definitivamente expulso em abril de 2018, depois de ter estado uma semana em fuga.
Novamente a viver com os avós na Margem Sul, integrou um curso de formação profissional na área da animação sociocultural (que não concluiu) e continuou a consumir droga. O ciclo repetiu-se quase interminavelmente para os avós: nova recaída no consumo, nova procura por ajuda, nova melhoria (desta vez com medicamentos) e finalmente uma evolução positiva graças ao acompanhamento em consulta de psicologia e psiquiatria na Equipa de Tratamento Especializado de Almada da ARSLVT (Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo). Os aparentes bons resultados significaram o fim desta intervenção no âmbito do “processo de promoção e proteção”.
O que poderia ter sido o princípio de uma derradeira melhoria foi apenas mais uma repetição do ciclo. “Posteriormente verificou-se um agravamento da situação de toxicodependência do arguido, com o consumo agora já de cocaína, MDMA e ácidos, pelo que os avós diligenciaram por novo internamento numa Comunidade Terapêutica em Óbidos”, refere o tribunal.
Desta vez, o internamento não foi interrompido por uma fuga do jovem, mas por decisão do pai que, no Natal de 2018, voltou a trazer o filho para o seu agregado, confiante que a melhor terapia para Hugo seria o trabalho. Nova solução, o mesmo resultado: “Passada uma semana ou duas desentenderam-se e deixou o miúdo à minha porta com a malinha feita”. Antes, o avô teria o plano de inscrever o neto na Marinha, mas o jovem fez uma tatuagem no pescoço que o impediu de se alistar.
Dos 15 aos 18 anos, o processo foi-se repetindo. Hugo era colocado em comunidades terapêuticas e depois ou melhorava ou piorava — em ambas as hipóteses saía da comunidade e acabava ou em casa do pai ou dos avós, onde tudo se voltava a agravar. Ainda passou por uma associação em Abrantes e outra no Pinhal Novo.
“No entanto, o período de abstinência não se encontrava consolidado, mantendo consumos que se foram intensificando e agravando, à medida que o seu comportamento se tornava mais irregular, sobretudo na interação com os avós, parecendo existir uma agressividade latente, gerando sentimentos de insegurança nos ascendentes, pessoas de idade avançada e com problemas de saúde. Encontrava-se prevista nova integração em comunidade terapêutica, a qual parecia constituir a derradeira oportunidade dos serviços de saúde, dado as interrupções anteriores dos programas terapêuticos, pois o arguido Hugo Pereira tinha vaga assegurada na Clínica Olhos de Água em Palmela”, prossegue o tribunal. Mas esse internamento foi substituído pela primeira condenação.
▲ Hugo foi condenado a uma pena de quatro anos e dez meses de prisão
ANTONIO COTRIM/LUSA
Condenado a pena suspensa pela primeira vez com menos de 20 anos. Acabou por roubar novamente e foi para a cadeia
Na altura em que estava em Abrantes, recorda o avô, fazia “muitas javardices” sempre que regressava à casa dos avós na Margem Sul. O advogado lembra que eram “crimes contra o património no contexto da toxicodependência” para conseguir droga. “Por mais que o avô e a avó tentassem que ele não caísse nessa vida, a verdade é que o Hugo já estava totalmente agarrado aos consumos. “Como não estava a trabalhar e não tinha renda própria, o que os avós davam não era suficiente para o vício”. Assim, o roubo afigurou-se como a única forma de o jovem manter o consumo regular.
Essa primeira incursão no mundo do crime teve a primeira consequência judicial em novembro de 2020, quando foi condenado por 13 crimes (de roubo na forma tentada, ofensa à integridade física, roubo qualificado e detenção de arma proibida). Teve uma segunda oportunidade — foi condenado na pena única de cinco anos de prisão, suspensa na sua execução durante cinco anos — mas não a aproveitou. Nesse período, estava obrigado a “efetuar tratamento à dependência de produtos estupefacientes e bebidas alcoólicas com integração em unidade terapêutica”, lê-se no acórdão datado de 2022, quando Hugo voltou à tribunal por crimes semelhantes.
Nem uma semana passou entre a data da primeira condenação — a 30 de outubro de 2020 (por factos praticados entre fevereiro e abril do ano anterior) — e o primeiro crime que consta da segunda acusação. O avô tem o dia da segunda detenção bem gravado na memória. “Foi detido a 2 de março de 2021, entrou na prisão no dia 3. Nunca mais me posso esquecer, era o meu dia de anos. Disse-lhe ‘Olha que rica prenda de anos tu me deste”.
Na segunda ida a tribunal, Hugo não escapou à prisão e, com 21 anos, foi condenado a uma pena de quatro anos e dez meses de prisão pela coautoria moral de quatro crimes de roubo e pela autoria material de um crime de roubo na forma tentada. No acórdão do Juízo Central Criminal de Almada consultado pelo Observador não foi referido, tirando o acompanhamento que beneficiou enquanto criança, qualquer perturbação psicológica, tampouco esquizofrénica.
De acordo com o relato dos avós, essa situação que ainda não tinha sido diagnosticada começou a ser notada pelos especialistas que acompanhavam o recluso no EP de Leiria (uma prisão destinada ao internamento de jovens adultos entre os 16 e os 21 anos), onde começou a cumprir a pena efetiva. Quando estava em Leiria, o jovem continuava a ter apenas a companhia dos avós, que iam visitá-lo quase semanalmente. “Os pais dele iam visitá-lo, mas eram visitas de médico. Quase não o viam”. Em contexto prisional, voltou a agravar-se a condição do recluso, que começou a ter problemas com outros jovens reclusos.
Este agravar do comportamento obrigou os serviços prisionais a transferirem Hugo para a prisão mais segura de Portugal. “Quando ele vai de Leiria para Monsanto, ele já estava descompensado”, entende o advogado Pedro Pestana, que só surgiu como defensor do recluso depois da sua segunda condenação.
▲ Jovem recebia visitas regulares dos avós quando estava no EP de Leiria
PAULO NOVAIS/LUSA
“Tentativa de homicídio” com caneta a guarda levou-o para Hospital Prisional de Caxias. “Era evidente que estava descompensado”
Com mais controlo, a situação não melhorou e o comportamento do recluso atingiu dimensões incomportáveis quando atacou um guarda prisional, em março de 2024. Na altura, o dirigente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) Frederico Morais descreveu a agressão como uma “tentativa de homicídio”. De acordo com o dirigente sindical, o agressor desferiu dois ou três golpes com uma caneta de plástico derretida por forma a ter uma ponta afiada, atingindo o guarda na face na zona do maxilar, perfurando-lhe a boca.
Em resposta à agência Lusa, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) confirmou a agressão do recluso ao guarda “sem que nada o fizesse prever”, atingindo o rosto do guarda “com o bico de uma esferográfica no momento em que este abria a porta da cela”. Acrescenta que o guarda “deslocou-se, para curativo, a hospital do Serviço Nacional de Saúde”. “Como decorre do legalmente previsto, o recluso foi imediatamente colocado em medida cautelar de confinamento, enquanto decorre o processo disciplinar indo os factos ser comunicados ao Ministério Público (MP) para os efeitos criminais e judiciais competentes”, esclareceu então a DGRSP.
Ao olhar para trás, o advogado entende que esse episódio aconteceu no “decurso de um surto psicótico”. Já na altura Pedro Pestana alertou para os apelos que já se faziam ouvir por parte dos avós a pedir o internamento psiquiátrico do neto. Na sequência deste episódio, Hugo acabou por ser transferido para o Hospital Psiquiátrico de Caxias.
“No hospital prisional esteve em tratamento, para tentar estabilizar a situação. Ali sim ele estava a ter acompanhamento mais digno, compatível com a sua patologia de índole mental. Era onde os avós e eu também sentíamos que ele estava a ter o acompanhamento que a sua patologia determinava. Era evidente que estava descompensado, mas o que pecou foi que ele ficou só três meses e depois foi novamente transferido: voltou para Monsanto”.
▲ Hugo foi levado para Caxias depois de uma agressão a um guarda. Avós dizem que devia ter permanecido no Hospital Prisional mais tempo
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“Enquanto recluso no EP de Monsanto, chegou a ter episódios de alucinações e ataques de pânico, que determinaram o seu internamento no Hospital Prisional S. João de Deus, em Caxias, entre 28.03.2024 e 20.06.2024”, lê-se no relatório social que a DGRSP realizou sobre o recluso em outubro de 2025. Esta foi a primeira, única e última vez em que o recluso esteve num hospital prisional, mas não seria aqui que seria diagnosticado com esquizofrenia.
Contudo, foi na passagem de Hugo por Caxias que os avós viram o melhor período deste jovem. Razão que levou o advogado, em abril de 2024, a pedir, em prol da “segurança de todos” que o recluso fosse mantido no Hospital Psiquiátrico, “local onde estará resguardado e que, certamente, terá todos os cuidados médicos indispensáveis à sua saúde psiquiátrica e assim, resguardará a segurança de todos os envolvidos”.
Mas quando a 20 de junho, os avós foram visitar o neto, tiveram uma surpresa. Assim que chegaram a Caxias foram informados que o neto tinha sido transferido nesse mesmo dia. “Ninguém soube informar para onde foi transferido. Reitero que o Hugo tinha sido transferido, proveniente de Monsanto, em virtude de uma agressão a um Guarda Prisional. O recluso não deve jamais ser redirecionado a Monsanto, pois conforme salienta a própria família, corre risco de vida, em virtude dos problemas ocorridos com outros reclusos e ainda em decorrência da confusão recentemente ocorrida com o Guarda”, lê-se numa nota enviada pelo advogado à DGRSP.
Na mesma mensagem, salientava o medo dos avós não só pelo neto, mas pela segurança dos outros reclusos e mesmo dos guardas. Estes perigos, alertava Pedro Pestana em junho de 2024, eram “sérios e iminentes”. De qualquer das formas, e apesar dos apelos em sentido contrário, o prisioneiro voltou a Monsanto — onde esteve grande parte do tempo em “regime de segurança por agressão grave a outro recluso com uma lâmina” artesanal. Daqui, foi transferido para o Linhó, onde aconteceu o ataque fatal ao colega de cela.
“Após retornar ao regime comum teve uma breve passagem pelo EP de Lisboa, tendo sido transferido definitivamente para o EP do Linhó. Apresenta características de instabilidade comportamental, registando episódio de automutilação. Mantém acompanhamento em consultas de psicologia e psiquiatria e terapêutica medicamentosa. Todavia, o mesmo considera não estar a ser acompanhado com a regularidade que necessitaria, verbalizando diversas queixas, apesar de a realidade que refere não corresponder à verdade. Da análise da declaração médica que nos foi disponibilizada é referido um quadro clínico de perturbação esquizofrénica. O recluso insiste que quer ser transferido para o Hospital Prisional de Caxias, onde já esteve, estando ciente do processo que decorre, de instauração de internamento, sentindo-se satisfeito pelo mesmo. Acresce que, da articulação com os serviços de educação e do contacto estabelecido com o recluso, o mesmo evidencia uma postura manipuladora e nem sempre verdadeira nas suas afirmações”, lê-se no relatório social da DGRSP realizado em outubro de 2025.
Bem anteriores eram os apelos do advogado, e dos avós, que já mencionavam um “agravamento do estado psiquiátrico” do recluso em 2024. O alerta de Rubi e Alzira intensificou-se depois de uma assistente da prisão para jovens em Leiria ter mencionado que Hugo deveria ter um acompanhamento especializado. “A própria família refere o diagnóstico de esquizofrenia do recluso, que carece de cuidados e de tratamento médico. Para além disso, a família já sinalizou terem existido períodos intensos de consumos aditivos de todo o género de produtos estupefacientes, que agravaram substancialmente o seu estado de saúde psiquiátrica”, escreveu o advogado numa carta dirigida à DGRSP, quando pedia para que o recluso continuasse em Caxias.
▲ Segundo os avós, foi finalmente no Hospital Prisional de Caxias que Hugo esteve com o acompanhamento devido
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Hugo engoliu pilhas e lâminas no Linhó. Passados anos de alertas dos avós, relatório médico menciona “quadro clínico de perturbação esquizofrénica”
O comportamento de difícil convivência que complicou a vida dos guardas prisionais não melhorou no Linhó, onde Hugo chegou a engolir lâminas de barbear e pilhas. “Eles basicamente entenderam que já não estaria em fase de descompensação” o que o levou a sair de Caxias, recorda o advogado. “Disseram que estava estabilizado, mas como é que está estabilizado se logo a seguir começa a engolir pilhas e lâminas?”.
A 2 de outubro de 2025, numa altura em que se intensificavam os apelos dos avós, surge o primeiro relatório médico que menciona um “quadro clínico de perturbação esquizofrénica” — o documento assinado por um médico psiquiatra do Linhó recorda o “internamento passado” em Caxias por “agudização da sua doença de base” — apresentando-se no momento “clinicamente estável e ausente de psicopatologia major relevante” quando regressou a esta prisão.
Além de confirmar o “seguimento psiquiátrico”, o relatório médico descreve uma longa lista de medicamentos prescritos: Clozapina; Diazepam; Escitalopram; Lorazepam; Olanzapina; Quetiapina; Risperidona e Trazodona.
Num outro documento do mesmo mês, um relatório social realizado por uma técnica de reinserção da DGRSP, a descrição é compatível com o relato dos avós. “É detentor de um percurso de vida pro-delinquencial, que se acentuou com a problemática de policonsumos. Teve intervenção precoce no âmbito da saúde mental, com acolhimento em comunidades terapêuticas. Veio a consolidar um padrão comportamental não convencional. Dispõe de suporte familiar por parte dos avós. A sua adaptação tem sido condicionada pela sua problemática mental, de perturbação esquizofrénica e alucinações, protagonizando episódios de automutilação e apresentando-se fragilizado. Mantém acompanhamento especializado e medicação por parte dos serviços clínicos do EP”.
Menos de um mês depois da divulgação do relatório social, um novo relatório de “perícia psiquiátrica forense” (realizado em novembro de 2025 pelo Instituto Nacional de Medicina Legal a pedido do Juízo de Execução de Penas), reiterou: “Podemos afirmar que o examinando apresenta quadro clínico compatível com esquizofrenia. O quadro apresenta-se estável, à data da emissão do relatório clínico plasmado em sede de exame indireto. À data da presente perícia, apuram-se pseudoalucinações, não se apurando ideação delirante ou outra sintomatologia psicótica digna de registo”.
A confirmação dos relatórios médicos e do social, o relato das confusões na prisão e os consumos de drogas contribuíram para a impaciência dos avós que, junto do advogado ou diretamente com os diretores da prisão, manifestavam a sua incompreensão pela permanência de Hugo no Linhó.
A poucas semanas do homicídio de Diogo, a contestação subiu de tom. Numa carta aos serviços prisionais, assinada já em janeiro deste ano, o advogado denunciou que “manter uma pessoa doente num EP convencional é extremamente arriscado”. “A manutenção do recluso acarreta perigos concretos aos outros reclusos, assim como aos guardas. A única forma de acautelar a situação do arguido é mantê-lo em Internamento no Hospital Prisional. O Juiz do TEP [Tribunal de Execução das Penas] deve ser sensível à questão mental e psiquiátrica do recluso. O recluso carece de um tratamento condigno. A saúde mental não deve ser relegada”, escreveu Pedro Pestana.
Rubi conseguiu, três dias antes do homicídio na cela, falar diretamente com a diretora-adjunta do EP. “Disse-lhe que ele não estava bem, que devia estar acompanhado. Que vendia toda a roupa que eu lhe dava para comprar droga. Eu disse: doutora, por favor tome conta do meu neto, eu conheço-o, sei como ele é. Ainda vai acontecer uma desgraça”. A diretora, a quem o avô elogia a simpatia e a atenção, terá respondido: “Não se preocupe, vá descansado, ele aqui está bem tratado, nós estamos cá para isso”.
O dia trágico chegou, três meses depois de ter sido feita a última menção em relatórios oficiais à esquizofrenia de Hugo. Só depois de ver a notícia na televisão é que o avô teve conhecimento do caso que aconteceu de madrugada, como confirmou a DGRSP. “Na madrugada de 28 de fevereiro, na sequência de altercação entre dois reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó, ocorrida no interior da cela que ambos partilhavam, um dos reclusos agrediu o outro na cabeça, com um ferro retirado da cama, tendo-lhe provocado a morte. O guarda que procedia à abertura das celas deu conta da ocorrência, tendo, de imediato, chamada ao local a enfermeira de serviço que confirmou a ausência de sinais vitais. O recluso falecido [Diogo] tinha 24 anos e encontrava-se condenado a uma pena de 7 anos e 7 meses. O recluso agressor [Hugo], que foi imediatamente colocado em medida cautelar de confinamento até afetação a regime de segurança, tem 25 anos e está condenado a uma pena de 8 anos e 9 meses”.
Só depois de ter telefonado ao advogado — que ligou a várias pessoas para tentar confirmar a identidade do agressor — é que Rubi teve conhecimento que tudo se tinha passado na cela do neto. Tal como a família de Hugo, também a irmã de Diogo diz que nunca falou com alguém da DGRSP.
“Já quando o meu irmão foi transferido [de Paços de Ferreira para o Linhó] ninguém me disse nada. Ligaram-me de manhã três vezes mas eu estava a dormir. Entretanto liguei para a prisão e um senhor despachou-me. No domingo [1 de março], a minha mãe e o meu pai também ligaram e ninguém atendeu”.
Diogo partilhava cela com Hugo há cerca de dois meses. O recluso relatava várias vezes à irmã as alterações súbitas de humor do colega que o viria a matar, mas nunca assumiu qualquer preocupação por uma eventual agressão. “O meu irmão protegia-o”, desabafa Bruna, que, por esse motivo, compreende ainda menos a morte do irmão e projeta algumas teorias, como algum ajuste de contas encomendado por alguém, ou uma forma de silenciá-lo, quando estava a pouco tempo de testemunhar num caso em tribunal.
▲ Guarda prisional apercebeu-se da morte de Diogo quando abriu a cela dos reclusos no Linhó
TIAGO PETINGA/LUSA
Antigo diretor das prisões explica que doenças têm tendência a agravar-se com consumo excessivo de drogas
Sem comentar diretamente este caso, o antigo diretor da DGRSP — que abandonou o cargo na sequência da fuga de Vale de Judeus — não tem dúvidas quanto ao impacto do consumo das drogas em reclusos com perturbações mentais. “A esquizofrenia tem tendência a aparecer ou a eclodir no final da adolescência, mas se as pessoas consumirem substâncias — seja haxixe ou outras drogas — mesmo não tendo a predisposição para a esquizofrenia, ela pode aparecer”, assume Rui Abrunhosa Gonçalves, doutorado em Psicologia da Justiça, psicólogo forense e professor na Universidade do Minho.
No caso dos consumidores de droga agrava-se a ineficácia do tratamento com medicamentos. “Mesmo estando a tomar a medicação adequada, se consumir [drogas], estas substâncias vão contrariar o efeito da medicação e ele vai continuar a ter problemas graves de saúde mental”.
O perito em psicologia explica que o diagnóstico de esquizofrenia tem que ser “feito e validado por um médico-psiquiatra” e depois, consoante o grau de “descompensação”, aplicada a medicação — que pode ser com comprimidos ou injeções. “É evidente que o mais eficaz são as injeções, porque nessa circunstância sabe-se que é administrada”, sendo mais “seguro para manter o indivíduo compensado”. Quando são comprimidos, o risco de o recluso não seguir o estipulado é maior.
Quando há uma descompensação, há uma tendência para que se verifiquem “alterações cognitivas e emocionais”. Como acontece com Hugo, verificam-se “delírios persecutórios” — “a ideia que estão a ser perseguidos por alguém e podem tornar-se violentos”. Esse relato é compatível com a descrição que Rubi e Alzira fazem das conversas com o neto, que várias vezes disse estar a ser perseguido por um famoso barão de droga que está detido no Linhó, apesar de nunca terem tido contacto, já que estiveram sempre em alas diferentes.
Para Abrunhosa Gonçalves, é sempre melhor quando se verifica que um recluso com estas características não está compensado, transferi-lo para um “hospital prisional”, onde podem ficar internados por um determinado período, até apresentarem melhorias para poderem “regressar ao EP de origem”.
Se Hugo teve alta, entende o antigo diretor das prisões, é porque “já não devia estar em fase crítica”. “É preciso apurar porque ficou descompensado no EP. Deixou de tomar a medicação? Muitas das vezes é o que acontece neste tipo de doenças”. Nesses casos, que são comuns, os profissionais de saúde que os acompanham estão treinados para contornar essa contrariedade.
“O quadro psicopatológico faz com que recusem as consultas, porque não acham que estão doentes. Agora, é evidente que um médico especialista percebe e tem que promover uma intervenção”.
Reconhecendo as limitações das prisões, Abrunhosa Gonçalves entende que há soluções intermédias que podem não implicar imediatamente o internamento. O recluso pode ficar apenas sozinho na cela, evitando que magoe outros colegas, ou seguir para a enfermaria desse EP. No entanto, reforça, a solução indicada passa sempre pelo internamento num dos dois hospitais prisionais em Portugal.
“Têm que se apurar responsabilidades se houve alguém que se pode ter apercebido que o recluso já estava descompensado e não tomou as devidas providências. Isso é grave, porque agora este homem será inimputável deste mesmo homicídio, porque não era capaz de se autodeterminar, distinguir o certo do errado e o bom do mau. Mas quem estava a ver de fora já tinha visto que ele estava bastante perturbado e portanto tinha que providenciar qualquer coisa”, aponta o antigo diretor, lembrando que é uma avaliação genérica: “não estou a dizer que não tenha sido feito isto neste caso”.
▲ Abrunhosa Gonçalves reconhece que têm que ser apuradas responsabilidades dos serviços prisionais sobre este caso
MIGUEL A. LOPES/LUSA
“Parece evidente que a prisão não é o local onde este recluso deve estar”, denuncia APAR
Mesmo não tendo dados concretos, a APAR não tem dúvidas que há “bastantes” reclusos, “alguns inimputáveis” nas cadeias portuguesas “e não em clínicas psiquiátricas, como deveria acontecer”. “A APAR defende que um doente mental deveria estar num hospital psiquiátrico e não numa cadeia. Especialmente os inimputáveis. A APAR não aceita que um doente, que comete um acto ilícito, sem noção de que está a fazer algo de errado, seja considerado criminoso e preso. Trata-se de um doente”.
Num e-mail de julho de 2025 dirigido ao PGR Amadeu Guerra, a direção da APAR denunciava “a terceira vez” que Hugo engolia “lâminas de barbear, quiçá para chamar a atenção”. “Parece evidente que a prisão não é o local onde este recluso deve estar, independentemente de crimes que, eventualmente, tenha cometido. É um doente e deveria estar num local apropriado para ser tratado. Dizem, alguns colegas, que é frequentemente agredido por companheiros e guardas. Dado o seu comportamento, que obviamente não segue todas as regras impostas na cadeia, é muitas vezes colocado em cela disciplinar, o que só pode agravar a sua doença. A APAR, que tem acompanhado este caso, questiona a legalidade da manutenção de um preso com estas características numa prisão, e não em Hospital, e recorre a V. Exa. na esperança de que, finalmente, se encontre uma solução antes que algo de muito grave possa acontecer”.
▲ Apesar de não haver números oficiais, APAR não tem dúvidas que há "bastantes" reclusos, "alguns inimputáveis" nas cadeias portuguesas "e não em clínicas psiquiátricas"
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
O caso não teve o desfecho que a associação sempre defendeu, motivo pelo qual anunciou que iria “apresentar queixa à Procuradoria-Geral da República (PGR), por eventual negligência dos serviços, porque considera inadmissível que seja permitido que um recluso com doença mental reconhecida, para mais com acesso a drogas, como os serviços reconheceram várias vezes, partilhe a cela com outros reclusos”.
Já depois da morte de Diogo, Hugo foi transferido novamente para Monsanto. Para desespero da família, o jovem acabou alegadamente agredido por um guarda prisional. Segundo o advogado, o mesmo guarda que tinha sido agredido com uma caneta por Hugo, também em Monsanto. “Ao que contam, quatro guardas entraram na cela dele, algemaram-no atrás das costas e, depois, entregaram-no ao guarda que ele tinha ferido há dois anos, e que o agrediu deixando-o completamente marcado. Obviamente a APAR não pode pactuar com esta ignóbil cobardia que, aliás, envergonha uma Corporação digna como é a Guarda Prisional”, denuncia a APAR. Questionada pelo Observador sobre estas acusações, a DGRSP não respondeu.
A associação, que agora enfrenta um período eleitoral — terá uma nova direção a partir de 12 de abril — estuda “em conjunto com os futuros dirigentes, as famílias dos dois jovens e advogados”, as várias hipóteses de “exigir responsabilidades a quem falhou gravemente neste caso” e exigir que, desde já, os pais do jovem morto “recebam uma indemnização pela negligência dos serviços”.
O avô Rubi, cansado de falar há vários anos sobre o caso, desabafa. “O Hugo está sob a guarda do Estado. A morte do Diogo era evitável se Hugo estivesse acompanhado. Quem tem que ser castigado pelo crime que ele fez é a prisão, as pessoas que tomam conta dele, quem me ouviu, a instituição em si”. Entre os vários lamentos pela morte de outro jovem, os avós querem que se evite, a todo o custo, um caso semelhante.