As carrinhas-escritório, os sms, as pastilhas para relaxar e os descafeinados. Os bastidores da campanha eleitoral /premium

  • Texto de Rita Tavares, Rui Pedro Antunes, Rita Dinis, José Pedro Mozos, João Francisco Gomes, João Porfírio e André Dias Nobre

Carrinhas-escritório, reuniões ao pequeno-almoço, a articulação com os líderes partidários e os truques para relaxar. Como os principais candidatos se fizeram à estrada para convencer os eleitores.

Há duas semanas que o Observador está na estrada a acompanhar as caravanas dos principais partidos. Durante este tempo conhecemos por dentro as carrinhas-escritório, quisemos saber quem são os principais conselheiros políticos, como se preparam os improvisos, quem recorre ao truque das pastilhas elásticas para relaxar, quem é o candidato que precisa de dois cafés para funcionar, e qual é o outro que só bebe descafeinado para “não acelerar”. Neste último dia da campanha, contamos as histórias que ficaram nos bastidores desta longa viagem a caminho de Bruxelas.

Os SMS com Costa, o descafeinado e o dia em que decidiu virar a campanha

O conta quilómetros da carrinha Volkswagen onde segue o cabeça de lista do PS às Europeias já marca 27 mil quilómetros, contados a partir dos primeiros dias da pré-campanha, ainda em fevereiro. Pedro Marques visitou 91 concelhos do país e, no tempo da campanha oficial, foi sempre garantindo que nada do que estava a ver era inteiramente novo. “Há três meses que andamos pelo país”, repetiu várias vezes para fazer ver que não era um novato e desconhecido no terreno.

Novato não será, mas desconhecido… não há volta a dar. Mesmo que tenha corrido o país com alguma antecedência, com o objetivo de contactar o maior número pessoas, Pedro Marques chegou a esta altura de campanha oficial sem conseguir ser reconhecido nas ruas do país. Houve muitas situações em que a pergunta “como é que se chama mesmo?” surgiu entre as pessoas com quem o candidato se cruzava. Ia preparado para isso, garante-se na sua entourage e também se assegura que “dar-se a conhecer” foi umas das preocupações de Pedro Marques. A sua cara e também o seu trabalho, desenvolvido na área social, mas também nas infraestruturas — em dois governos diferentes.

Pedro Marques cumprimenta um dos seus antigos motoristas (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR

Foram os dois principais pontos da pré-campanha: falar com as pessoas, sobretudo militantes e dirigentes locais do PS e depois mostrar o trabalho que fez nos últimos anos. Em Lisboa, numa sessão com jovens universitários, o candidato socialista descreveu-se como “um executivo e pragmático”. E foi isso que evidenciou mesmo em campanha. Privilegiou contactos mais institucionais (a empresas e instituições sociais), na primeira semana, em salas fechadas e ambientes mais controlados. Só mais adiante saiu para a rua e sempre a repetir que essa também era a sua praia, que não era a primeira vez que andava em campanha — a necessidade permanente de justificação evidenciava essa insegurança.

Na rua é pouco elástico, embora não se acanhe ao contacto quando na agenda aparece “contacto com a população” ou “passeio” — termos mais ligeiros do que “arruada”, adaptados ao candidato “descafeinado” que o líder socialista escolheu para representar o partido nestas eleições. Certa manhã, no centro da sua terra, o Montijo, entrou num café e pediu “um descafeinado”. “Se bebo muito café, fico acelerado”. Mas aceleração não foi coisa que se visse em Pedro Marques, sempre controlado e organizado na tarefa que encontra pela frente, com conta peso e medida. Nada parece tirá-lo do sério.

Pedro Marques acompanhado por Manuel Pizarro, do Porto, numa ação de campanha (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

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Os seu principais conselheiros e acompanhantes de estrada foram o assessor político Henrique Baltazar e o assessor de imprensa José Pedro Pinto. Era com eles que discutia as questões do dia, mas também se documentava junto dos especialistas setoriais do PS. É bem cotado no Conselho de Ministros — de onde saiu em fevereiro passado para representar o partido nas Europeias — e, nesta campanha, foram oito os ministros que apareceram ao seu lado em dias diferentes e ações distintas. Fora deste circuito da estrada, procurou aconselhamento político sobretudo junto de quatro pessoas: António Costa, Augusto Santos Silva, Mariana Vieira da Silva e Jorge Coelho.

Com o líder socialista o contacto é permanente e fazem-no essencialmente por SMS. Costa apostou em Pedro Marques para a campanha que já sabia de antemão que iria frequentar sempre que pudesse — afinal foi ele quem avisou logo de início que nestas eleições também queria ler uma avaliação à sua própria governação. Esteve em nove comícios, em 12 dias apenas. E esteve num dos mais marcantes da campanha, aquele em que Pedro Marques virou a mesa de dois dias iniciais fracos tanto na mensagem política como nas ações de campanha que organizava. Foi em Faro que deu um murro na mesa, ao atirar ao adversário Paulo Rangel e a um voo de helicóptero sobre a área ardida em 2017 que o candidato do PSD tinha feito nesse dia.

Pedro Marques lê os últimos papéis antes do debate da RTP, perto de Nuno Melo (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

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Foi o próprio Pedro Marques quem decidiu fazer um discurso, no comício dessa noite, mais impressivo e apenas focado naquela ação de campanha de Rangel — aproveitando o facto de ter sido criticado por um autarca do PSD –, obrigando o adversário a ter de explicar-se nos dias seguintes. O voo de Rangel nunca mais deixaria de ser tema daí até ao fim da campanha.

Está atento ao impacto que tem através da comunicação social e por mais que possa incomodar-se com o que lê e ouve, pouco mostra aos jornalistas que acompanham a comitiva. Embora nas Feiras Francas de Fafe, depois de dias a ser questionado sobre a sua opção de estar menos presente na rua, tenha atirado uma provocação à comunicação social que o seguia: “Queriam rua? Ahahahaha”.

Fora deste circuito da estrada, procurou aconselhamento político sobretudo junto de quatro pessoas: António Costa, Augusto Santos Silva, Mariana Vieira da Silva e Jorge Coelho.

No carro, a rádio mais ouvida é de informação, a Antena 1, mas a atualização noticiosa vai sendo feita sobretudo através do telemóvel. E o ritmo a que a informação sai é tão frenético que essa atualização tem obrigatoriamente de ser feita ao longo de todo o dia. As viagens — e foram muitas e longas — servem quase sempre para isso e também para preparar discursos. Nesses momentos, o candidato socialista fica absorto nas suas notas que não larga durante o dia, mesmo nas visitas que vai fazendo. Muitas vezes, antes de falar à comunicação social também retirava as notas do bolso direito do peito do casaco para agarrar uma linha de raciocínio.

Nas ruas das localidades por onde passou, o candidato socialista deixava os créditos da organização e mobilização dos dirigentes socialistas a cargo do seu diretor de campanha, João Azevedo. O autarca de Mangualde apostou forte no almoço comício na sua terra, logo no domingo antes do arranque da campanha oficial no país (para o PS aquele foi o dia em que considerou o arranque da sua campanha). Juntou mais de mil pessoas para ouvirem Costa, Pedro Marques e Frans Timmermans, o holandês que os socialistas querem à frente da Comissão Europeia.

ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR

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Sempre de telemóvel à carga, num powerbank, João Azevedo é o homem dos contactos e a quem o antigo homem da máquina socialista, Jorge Coelho, chamou de “máquina política”. No dia do jantar de Setúbal, andava pelas ruas do Montijo em picardia com um dos membros da estrutura do PS local, António Caracol (o homem da logística da caravana). Conseguiria o PS-Setúbal organizar um jantar maior do que o seu almoço de Mangualde? Na política partidária esta demonstração de força local conta, sobretudo quando o próprio líder é o convidado de honra — e quando as eleições antecedem a volta das legislativas, onde o próprio Costa vai a votos.

Também é ele quem faz o cruzamento de agendas e de sensibilidades das estruturas locais, garantindo que a máquina está oleada para apoiar o candidato. Numas Europeias a tarefa fica facilitada quando António Costa desce à campanha. Quando os cargos em disputa estão à distância de Bruxelas há muita coisa que passa ao lado da máquina de que o partido precisa para fazer passar palavra pelo país. Tanto que, a três dias do fim da campanha, um autarca socialista (que o círculo mais próximo de Pedro Marques não quis identificar) enviou uma SMS para a organização da caravana socialista a declarar a sua intenção empenhada de apoiar a candidatura e o total alinhamento com a necessidade de entrar na campanha para dar um ajuda. Acabava a mensagem a propor que se organizasse uma ação de campanha local na semana seguinte. A organização da caravana disparou em gargalhadas. Nessa semana esperam já estar fora desta bolha, com as eleições do dia 26 resolvidas.

Atrás de Pedro Marques, João Azevedo, diretor de campanha e presidente da câmara de Mangualde (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

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O espião que vem do Rio e a carrinha dos vidros fumados

Na tarde da última segunda-feira, Paulo Rangel não teve agenda. Tinha de preparar o debate. Ao chegar à sede, o candidato confessava ao Observador estar exausto: “Preciso de um café”. E logo retificou: “Não, dois cafés”. Foi até ao pequeno bar que funciona dentro da sede do PSD na São Caetano, só pediu um e no fim pagou-o (não há borlas, nem para candidato). Mas já na sala onde preparou o debate, antes de começar a trabalhar, trouxeram-lhe outro. Dois cafés não era piada.

Nessa tarde, Rangel foi informado sobre os números das sondagens que seriam publicadas daí a algumas horas e não teve qualquer reação. Nem negativa, nem positiva, o que encaixa na relativização que tem feito em público das sondagens. Põe-se ao telefone e, durante quinze minutos, comenta o estudo sobre sondagens que o especialista Pedro Magalhães tinha referido nesse dia nas redes sociais. Ideia-chave retirada da conversa: os estudos de opinião falham muito em eleições europeias.

Gonçalo Villas Boas, assessor de Rangel, com o candidato na carrinha Mercedes Vito, onde há sempre muitos jornais (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Desligou a chamada, tirou a gravata, tirou o blazer. Foi à mochila buscar o carregador, pôr o telemóvel a carregar junto à lareira e nunca mais mexeu no telemóvel. O telefone vibrou várias vezes com chamadas e mensagens, mas o candidato estava focado no trabalho que tinha em mãos. Sublinhou e tirou notas nas folhas durante muito tempo, até que a caneta que tinha deixou de escrever. Ora, na campanha das canetas, esse é um objeto que não falta. Rangel pegou numa das que costuma distribuir nas feiras e continuou o trabalho.

A dada altura, o seu assessor, Pedro Miguel Esteves, entrou na sala, distribuiu print screens pela mesa, com artigos de vários jornais. E depois pediu a uma secretária para “imprimir com folhas mais grossas” daquelas que a funcionária sabia “quais são”, para ser mais fácil mostrar na televisão. Rangel assim o fez: à noite mostrou fact checks do jornal Polígrafo no debate, com mentiras de Pedro Marques.

Pedro Miguel Esteves, assessor de Rangel, consulta o telemóvel durante a preparação do debate na RTP (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Tondela, dois dias depois. Luís Filipe Menezes não é conhecido pela pontualidade. Nesta quarta-feira, era esperado para um almoço de apoio a Paulo Rangel que, por causa do calor e do cansaço que já leva dos vários dias na estrada, decide esperá-lo à hora marcada fora da carrinha que o tem transportado pelo país. Não foi uma boa decisão, como depressa lhe fazem saber os assessores. E, de facto, ali está o candidato à vista de todos durante cerca de meia hora, enquanto o convidado não aparece. Não é grave, claro, mas a estrutura de apoio a Paulo Rangel está montada e bem oleada para que erros destes não aconteçam.

A Mercedes Vito onde viaja tem vidros fumados, para evitar a exposição pública, e tem muito mais que isso. É um autêntico escritório. Confortável, para as longas viagens, e com uma mesa desmontável, para preparar as intervenções, onde tem jornais, incluindo internacionais, e o computador para ver notícias online ou escrever os seus artigos de opinião. Na pega por cima da janela costuma pendurar a gravata.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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A carrinha tem seis lugares atrás, duas filas de três assentos que ficam em frente uma à outra. Normalmente só seguem três pessoas além do motorista na carrinha: Paulo Rangel, claro, e Gonçalo Villas-Boas e Pedro Miguel Esteves. São os dois homens da máxima confiança do candidato. É com eles que discute ideias, se prepara (para o debate, por exemplo) define como vão ser as intervenções e ouve e pede conselhos. Até sobre o tamanho do bloco que deve levar para o estúdio de televisão – não quer dizer que os aceite todos, já que o próprio candidato tem ideias claras sobre o que quer fazer.

Mas é a Pedro e Gonçalo que pede sempre opinião antes de responder às perguntas dos jornalistas. São eles quem trata da comunicação de Rangel. Gonçalo Villas-Boas tem 47 anos, é antigo jornalista da TSF. Trabalha com Paulo Rangel desde 2008, esteve com ele nas duas anteriores campanhas e é militante do PSD.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Pedro Miguel Esteves tem 37 anos, é o chefe de Gabinete da representação do PSD em Bruxelas e é militante há dez anos. Em 2009 — quando Rangel ganhou — fez a volta das Europeias, mas ainda sem as funções que assumiu em 2014: ser a voz do candidato junto da estrutura e mais uma ponte com os jornalistas.

Nesta campanha, tal como já acontecia há cinco anos, é também uma espécie de “apaga-fogos”, que conhece bem as estruturas do partido e que — embora não seja a sua função — muitas vezes assegura que os espaços vão estar devidamente preenchidos e que é garantida a mobilização de militantes e simpatizantes para as atividades previstas.

Sublinhou e tirou notas nas folhas durante muito tempo, até que a caneta que tinha deixou de escrever. Ora, na campanha das canetas, esse é um objeto que não falta. Rangel pegou numa das que costuma distribuir nas feiras e continuou o trabalho.

É ele quem supervisiona uma boa parte da logística que envolve a campanha, como a distribuição de pessoas pelos carros ou as dormidas da comitiva. E sempre que lhe é solicitado mantém debaixo de olho os “jotas” que acompanham a caravana e que seguem, também eles, em duas carrinhas Mercedes Vito, com nove lugares cada.

Mas a principal função de Pedro Miguel Esteves nesta campanha é a de assessor de comunicação. “Onde é que está o Esteves?”, é a frase mais ouvida quando alguma coisa está a falhar. E ele resolve. Oficialmente, a responsável pela comunicação da campanha é a mesma do partido (Florbela Guedes), mas a mulher de confiança de Rui Rio assume apenas a responsabilidade da comunicação relacionada com o presidente. Tudo o que é relacionado com Rio (que está mais presente nesta última semana de campanha) é com a “Dra. Florbela”, como é referida pela estrutura mais próxima de Rio.

Rangel na sede do PSD, em Lisboa, a preparar o debate (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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O diretor de campanha é José Silvano, mas na primeira semana mal se juntou à caravana. Terá feito o trabalho a partir da sede. Mais no terreno e sempre preocupado com as questões logísticas andou o diretor da volta nacional, Bruno Coimbra, que é secretário-geral adjunto.

Já o diretor operacional é Maló de Abreu, amigo pessoal de Rui Rio e vogal da direção. Desloca-se sempre num Mercedes alugado de alta cilindrada, com motorista, onde também segue José Silvano quando está na campanha. Na maior parte das ações limita-se a observar. Foi isso que aconteceu, por exemplo, em Cernache, quando foi até ao aeródromo simplesmente ver o agora famoso helicóptero, onde seguia Rangel, descolar. As funções que desempenha não são claras. Está em quase todos os locais das ações de campanha, mas movimenta-se na sombra. Só cumprimenta quem conhece e só fala com quem tem confiança, raramente com jornalistas ou com militantes. Na caravana que acompanha o candidato, há quem o veja, por isso, como uma espécie de espião de Rui Rio. Mas não estará ali só como oficial de ligação ao líder. Estará também a perceber como funciona uma volta nacional, em estágio para as próximas legislativas.

Uma pastilha por dia, não sabe o bem que lhe fazia

A carrinha onde viaja Marisa Matias para todas as ações de campanha é do mesmo modelo da de Paulo Rangel. Lá dentro viaja aquele que se pode considerar o núcleo duro da candidata ao longo desta campanha. O número dois da lista, José Gusmão, a assistente da eurodeputada em Bruxelas, Claudia Oliveira, a assessora de imprensa, Catarina Oliveira, e até Luís Costa, “que não é apenas o nosso motorista, é também nosso camarada”, explica ao Observador uma fonte próxima da cabeça-de-lista do BE às eleições europeias de domingo. A Mercedes Vito preta percorreu já milhares de quilómetros nas últimas semanas tornando-se um autêntico quartel-general móvel da candidatura bloquista.

As pessoas que viajam com Marisa Matias são as que mais consulta em tempo de campanha eleitoral. Por vezes há membros temporários que, consoante o tema a que a candidata vai dedicar o dia ou consoante o local onde vai fazer campanha, também participam no brainstorming que acontece todos na carrinha-escritório. A própria líder do partido, Catarina Martins, que participou na maioria dos comícios, viaja muitas vezes com este núcleo duro. Só não o faz quando tem compromissos que a obriguem a recorrer ao transporte pessoal. Mas não é por isso que o contacto entre a candidata número um e a coordenadora do BE deixa de existir. Têm sempre via aberta para o diálogo. Não há intervenções que não sejam debatidas antes de serem proferidas. Trocam sempre impressões antes do comício sobre aquilo de que cada uma vai falar. “Fazem isso sempre”, confirma a mesma fonte.

Paula Nunes/Bloco de Esquerda

Paula Nunes/Bloco de Esquerda

Nesta campanha tentaram sempre que os temas trazidos para os comícios se relacionassem com a Europa ou as instituições europeias. Houve linhas vermelhas traçadas, mas pouco mais. A mais óbvia foi assumida pela própria candidata no primeiro dia de campanha: “Não entro na campanha dos ataques pessoais”.

Quando os temas coincidem, como já aconteceu nesta campanha quando ambas falaram sobre pensões no mesmo comício, nada se altera de forma substancial. Apenas se limam arestas para não haver duas intervenções demasiado semelhantes. Nunca preparam os discursos em conjunto, até porque Marisa Matias raramente leva uma intervenção escrita na íntegra. Há sempre uma dose de improviso. Os papéis que leva para o púlpito são apenas algumas notas que servem de guião da intervenção. Escritas à mão, riscadas e rabiscadas, com uma letra típica de quem escreve à pressa ou no carro. O que acontece várias vezes. Devido não apenas à quantidade de tempo que a candidata passa na carrinha durante a campanha mas porque é lá que muitas vezes se consegue o sossego necessário para pensar.

Outras vezes essa discussão é feita à mesa do pequeno-almoço do hotel em que pernoitam. Para acertar agulhas sobre aquilo que vai ser o dia e preparar as reações — ou até as mais comuns não-reações — às notícias do dia. Marisa Matias lê os jornais todas as manhãs e troca ideias sobre os principais temas com a sua entourage. Ao longo desta campanha foram raros os casos em que a candidata acabou por introduzir uma reação mais a quente no planeamento do dia. “Já nem existe essa pressão porque sabemos que a estratégia da Marisa é mesmo a de não responder aos ataques que tanto marcaram esta campanha”, conta uma fonte desse núcleo duro ao Observador.

Marisa Matias antes do debate na RTP (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

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Quando o dia arranca, a comitiva do Bloco de Esquerda está toda por dentro da estratégia. Nada pode falhar. São vários os momentos ao longo da campanha em que a candidata tem de enfrentar jornalistas ou uma plateia. Para os primeiros, o treino está mais do que feito e não fugir à estratégia tem sido sempre o caminho que tem permitido que Marisa Matias não tenha ainda sido apanhada em contrapé. O mesmo não se pode dizer dos discursos. Embora não tenha desiludido em nenhum, houve vários em que não foi capaz de galvanizar salas que já lhe eram favoráveis. “Ter de preparar um discurso por dia pode limitar a criatividade”, justifica a mesma fonte.

Outras vezes essa discussão é feita à mesa do pequeno-almoço do hotel em que pernoitam. Para acertar agulhas sobre aquilo que vai ser o dia e preparar as reações — ou até as mais comuns não-reações — às notícias do dia.

E isso significa que nem sempre os comícios correm como esperado: “Mas a Marisa é a primeira a reconhecer e a dizer: Epá, bolas, gostava de ter dito aquela frase e não disse”. Antes de qualquer discurso, para relaxar, costuma mastigar pastilhas. É um vício que vem de longe e que não tenta corrigir porque a relaxa. Como quem quer retirar a pressão dos ouvidos quando um avião descola, Marisa Matias retira assim a pressão dos ombros antes de enfrentar mais uma plateia. Hoje à noite tem a última. E as sondagens favoráveis nesta reta final da campanha também já devem ter ajudado a aliviar a pressão.

O mister que define a tática e o Ronaldo que marca os golos

As câmaras e os microfones já estão a postos para uma declaração do candidato aos jornalistas, mas Nuno Melo ainda não está pronto. Parou para conferenciar com Pedro Mota Soares. Ambos mexem no telemóvel (o famoso telemóvel de ecrã partido que Nuno Melo mostrou no último debate televisivo). Procuram alguma coisa. “É isto”, diz Mota Soares, apontando para uma notícia no site de um jornal. A notícia era sobre as declarações desse dia do ministro Eduardo Cabrita, a acusar o CDS de branquear a extrema-direita na Europa. Tudo pronto? “Siga a marinha” (expressão que ficou célebre na campanha pela quantidade de vezes que é dita pelo candidato quando os microfones estão desligados).

Tem sido assim recorrentemente. Nuno Melo e Pedro Mota Soares são unha com carne, e é sempre com o número dois da lista que o número um se aconselha para acertar os detalhes da mensagem que quer transmitir. Esta quinta-feira voltou a acontecer na feira de Barcelos. Os jornalistas posicionam as câmaras e Nuno Melo põe-se a postos, mas não sem antes conferenciar com Mota Soares a tática de ataque daquele dia. Era dia de lembrar que o decreto-lei da execução orçamental costuma ser publicado no primeiro trimestre de cada ano, e estamos em maio e nada. Resultado: o Governo esconde as cativações.

Às vezes, o assessor de imprensa também se junta ao grupo naqueles cinco segundos de dicas de última hora. “Fala só da história do voto fútil, não fales de mais nada”, diz Pedro Salgueiro em Setúbal, no dia em que era esperado que Nuno Melo reagisse à “boca” que Paulo Rangel tinha atirado na véspera, acertando em cheio no CDS. Se Nuno Melo falasse de outros temas, a probabilidade de a resposta a Paulo Rangel passar cá para fora seria menor, por isso era preciso manter o foco. E assim foi: Nuno Melo respondeu que todos os votos são úteis, porque respeita os votos de todos os eleitores, e acrescentou que não via era utilidade em votar num partido como o PSD que, sendo oposição, não perde uma oportunidade para fazer acordos com o PS de António Costa. Mensagem transmitida.

Nuno Melo no último debate entre os candidatos (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

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Às vezes corre bem, mas nem sempre. Foi o que aconteceu na semana passada, na herdade do Vale da Rosa, em Beja. O tema “Berardo” tinha entrado a todo o gás na campanha e Nuno Melo, satisfeito por ter sido ele o impulsionador daquilo que viria a tornar-se um consenso político para reavaliar as condecorações, queria ir ainda mais longe. No meio das videiras, enquanto Assunção Cristas falava aos jornalistas, Melo e Mota Soares trocavam impressões de forma discreta, mantendo as suas posições no boneco que aparecia na televisão, atrás da líder.

Quando Cristas pára de falar, Nuno Melo avança: “Queria só acrescentar mais uma coisa, a propósito deste caso de delinquência bancária”, diria, para a seguir fazer a ligação que faltava entre Joe Berardo — no centro do furacão — e António Costa (com ricochete em José Sócrates).Disse Melo que o decreto-lei que constituiu a fundação Berardo, que viria a contrair empréstimos milionários à Caixa Geral de Depósitos, tinha sido assinado em 2006, no tempo de José Sócrates, quando António Costa era ministro — e tinha por isso o carimbo do atual primeiro-ministro.

Às vezes corre bem, mas nem sempre. Foi o que aconteceu na semana passada, na herdade do Vale da Rosa, em Beja. 

Só que não seria bem assim, e, à noite, Melo foi forçado a retificar: a fundação que tem protocolos com o Estado, e que tem a assinatura de Costa, era a fundação Coleção Berardo, para expor obras de arte no museu do CCB, e não a fundação José Berardo que, essa sim, viria a pedir milhões de euros ao banco público para investir em ações do BCP.

“Queremos manter a mensagem focada nas questões europeias, por um lado, e nas questões nacionais, por outro, e só uma vez ou outra é que puxamos por questões que surjam na atualidade”, diz fonte da candidatura ao Observador, sublinhando que a campanha do CDS não perde muito tempo a ver em detalhe o que se passa nas outras caravanas, escolhendo apenas responder aos adversários em questões “cirúrgicas”, como foi a questão do “voto fútil/voto útil”. Ou a resposta ao “comissário socialista da Administração Interna”, Eduardo Cabrita.

O candidato, contam ao Observador, não dedica muito do pouco tempo livre que tem a ver o que se passa nas restantes campanhas, aproveitando antes para recarregar baterias. Cabe ao assessor de imprensa enviar-lhe diariamente tópicos com o que de mais importante se passou lá fora. De qualquer forma, a mensagem fundamental que o CDS queria passar nesta reta final da campanha (e repetir até à exaustão para ficar no ouvido) já tinha sido pensada “há muito tempo”, pelo que só as reações às questões da atualidade é que são acertadas naquelas reuniões de meio minuto antes de os jornalistas apontarem as câmaras.

Isabel Santiago Henriques/CDS

Isabel Santiago Henriques/CDS

A mensagem de Nuno Melo (e é mesmo mais de Nuno Melo do que de Assunção Cristas) é esta: o CDS representa a direita moderada, e não a extrema-direita; o CDS dá voz às pessoas que não têm medo de dizer que são de direita; o CDS diz o que pensa;  e o CDS não vai na cantiga do politicamente correto. Mais: é a única opção possível para quem é de direita em Portugal porque o PSD “recentrou-se” e o PS “radicalizou-se”.

A meio da primeira semana de campanha, foi acrescentada uma nuance a este discurso para espicaçar os eleitores do CDS: é preciso ir às urnas para que o Bloco de Esquerda (e o PCP, mas sobretudo o Bloco, partido “deplorável”) não fique à frente nos votos. A ideia é fazer com que os eleitores seguros, garantidos, para que não fiquem em casa no domingo. Seria um sinal “positivo para a Europa” não pôr os partidos “extremistas” (da extrema-esquerda) à frente de um partido “tolerante e moderado” como o CDS.

Este era o guião de campanha desenhado por Nuno Melo e Mota Soares e pouco ou nada os centristas fugiram a ele.Em paralelo a esta narrativa, surge outra, repetida sobretudo pela voz de Assunção Cristas, que se complementa com a mensagem ideológica: atacar o Governo, que faz com que o “Estado não seja uma pessoa de bem”, e acusar António Costa de desperdiçar o dinheiro da Europa, não executando os fundos na sua totalidade.

Ao mesmo tempo que aponta o dedo, o CDS procura apresentar todos os dias “uma medida sobre a Europa” e fazer uma “campanha positiva”, mostrando bons exemplos de aproveitamento dos fundos da Europa. Segundo o Observador apurou, era este o esquema que estava previsto desde o início, de forma a que a campanha oscilasse num eixo entre a Europa e Portugal. “É chato para os jornalistas repetirmos a mesma ideia, mas é assim mesmo que funciona a política, e a campanha”, diz Nuno Melo. “Partir pedra”, é outra expressão utilizada. Como quem diz “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Isabel Santiago Henriques/CDS

Apesar de a ideia de centrar o discurso no cariz ideológico, dizendo que o CDS é “de direita”, ser de Nuno Melo (que é assumidamente mais conservador do que Assunção Cristas), a líder do CDS tem estado presente diariamente na campanha — nas duas últimas semanas só falhou dois dias. E a articulação entre os dois, dizem, é “intuitiva”, uma vez que a líder está sempre presente. Não combinam táticas, nem quem diz uma coisa ou quem diz outra, e quando estão juntos, é Assunção Cristas quem vai na frente, a máquina já está oleada.

Mas a verdade é que há diferenças nos discursos dos dois. Cristas abre portas ao centro, enquanto Nuno Melo afunila na direita. E é propositado: o ponto é não ter medo de assumir os diferentes graus de direita e de conservadorismo que coabitam no partido. Foi Adolfo Mesquita Nunes quem pôs os pontos nos is, num jantar de campanha em Alcobaça, ao dizer que o CDS “representa todo o espaço que vai do centro à direita, e que não se identifica com o socialismo”.

A mensagem fundamental já tinha sido pensada “há muito tempo”, pelo que só as reações às questões da atualidade é que são acertadas naquelas reuniões de meio minuto antes de os jornalistas apontarem as câmaras.

Nesse espaço cabe “o CDS do Adolfo”, o liberal que se orgulha de ter um retrato de Margaret Tatcher no escritório, e o “CDS do Melo”, mais conservador, praticante de caça e tiro, e defensor da lei das armas. É ele, e não Cristas, quem, numa arruada em Lisboa, pegou numa bandeira nacional em tamanho grande que ali tinha sido colocada de propósito para a fotografia. É o próprio candidato quem confidencia que Assunção Cristas está à sua esquerda.

Mas “a riqueza do CDS, a vocação do CDS, o património e a razão de ser do CDS, reside nisso mesmo: no facto de estarmos cá todos”, como disse Adolfo.A ordem, de resto, é partir pedra na mensagem que querem transmitir sem se desviarem com comentários a sondagens menos positivas. “No domingo, comentamos tudo o que quiserem”, diz Nuno Melo aos jornalistas. “E siga a marinha”, que ainda há mais feiras a visitar.

CDU, a fórmula de campanha que é uma missão

João Ferreira não foge ao protocolo da ortodoxia do partido, não improvisa, não entra em acrobacias para a televisão. Chega quase sempre a horas (só numa ou outra arruada é que o trânsito o fez atrasar-se uns minutos) num carro simples com a comitiva completa, que é composta por ele próprio, dois membros do partido que o apoiam com a logística — desde a garrafa de água ao contacto com os jornalistas — e um motorista (um “camarada” do partido que trata do carro e da condução será uma definição melhor).

Os bastidores de uma campanha eleitoral da CDU resumem-se, assim, com facilidade. Não há cancelamentos de última hora, não há modificações na agenda para se ajustar ao fluxo da campanha dos outros partidos — embora haja contactos (fora dos olhares da imprensa) com as outras caravanas, para evitar atropelos de horários. A agenda está fechada desde o início e a campanha prossegue quase sempre alheia aos outros. É a “batalha do esclarecimento”, como lhe chama João Ferreira, para a qual é preciso mobilizar toda a gente.

Os compromissos são quase sempre os mesmos: um “contacto com a população” — ou seja, a distribuição de panfletos por uma rua de uma qualquer localidade acompanhado por militantes munidos de bandeiras, megafones e uma gaita de foles—; uma arruada, um almoço ou um comício. João Ferreira cumpre a função de forma dedicada, formal, quase missionária, mas é tímido, leva-se a sério e não dá espaço para os desvios e as piadas. É quase sempre ele o protagonista, excepto quando Jerónimo de Sousa se junta à festa. Nesses dias, é o secretário-geral do PCP quem encerra os discursos.

João Ferreira coloca o microfone antes do debate (ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR)

ANDRÉ DIAS NOBRE/OBSERVADOR

A comitiva não é muito grande. Há um carro que leva João Ferreira e três carrinhas com os painéis, os sistemas de som, as bandeiras e os panfletos. As três equipas, constituídas por funcionários do PCP, revezam-se para poderem estar em todas as iniciativas. Mas montar uma intervenção de João Ferreira também não implica muita logística. Na maioria das vezes, no final de uma arruada ou de um contacto com a população, basta um microfone, duas colunas e a carrinha pintada com as cores da coligação a servir de fundo ao discurso, igual em todos os lugares.

Noutras vezes, um pequeno palco e um púlpito dão maior solenidade às intervenções nos almoços e jantares. Há ainda a terceira equipa, que leva a carrinha maior para os grandes comícios em praças e jardins. Aí, há palco, luzes, som, muitas vezes até artistas. No total, cerca de uma dezena de funcionários do partido trabalham neste serviço. Não mais.

A CDU tem uma forte implantação local — nos sindicatos e organizações de trabalhadores e nas autarquias —, factor que justifica a grande afluência aos comícios e arruadas. Meia hora antes da hora marcada para o arranque das iniciativas, já alguns dirigentes comunistas da terra organizam as pequenas multidões, distribuem bandeiras, colocam molhos de panfletos nas mãos dos apoiantes e ensaiam os gritos de ordem. Não que precisem de grande ensaio, porque já são conhecidos de todos. “A CDU avança, com toda a confiança” é o que mais se ouve num desfile da coligação.

Só dorme fora se andar longe de casa — e a proximidade da rota à Grande Lisboa permite-lhe ir ficando em casa muitas noites.

Não é, por isso, preciso grande aparato. Basta a carrinha do som respetiva e o carro do candidato. À chegada, já se formou o grupo que vai acompanhar João Ferreira e o comité de receção, habitualmente composto pelos dirigentes sindicais locais, pelos mandatários da candidatura no distrito ou concelho e, em muitas vezes, pelos autarcas.

Para garantir o sucesso das iniciativas, a caravana da CDU tem optado por passagens em regiões onde a coligação tem força. Na agenda, multiplicam-se os municípios liderados pela CDU — o que faz a coligação demorar-se na Grande Lisboa, no Ribatejo e no Alentejo — e os bastiões históricos, como o Couço ou até a Marinha Grande. Nestes locais, a comitiva é recebida em festa. Os dirigentes locais ensinam aos apoiantes que “este é o nosso candidato” e logo João Ferreira é rodeado por punhos erguidos.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Também nos temas de campanha a caravana da CDU segue o protocolo ao milímetro. As batalhas são as mesmas de sempre: os direitos laborais, a soberania do país face às “imposições da União Europeia”, as pescas e a agricultura, os ataques ao mercado único e às “promessas europeias que caíram por terra”, a defesa do ambiente. A lista é conhecida e a estratégia é simples: dividem-se os temas pelos dias da campanha, adaptados aos locais de passagem, e espalham-se as propostas eleitorais pelos momentos de contacto com a imprensa.

Os jornalistas são sempre informados do tema, ou temas, que João Ferreira quer tratar durante o dia. E o modo de os comunicar também não muda. Todas as arruadas ou contactos com a população têm uma pequena pausa a meio para que o candidato fale com a imprensa ali presente. Se os jornalistas perguntarem sobre o tema do dia, ótimo. Se não, faz-se uma declaração antes das questões para introduzir o tema e para o detalhar — antes de, no comício da noite, regressar ao assunto.

Perto do final de cada iniciativa, já o motorista puxou o carro para o local onde acabou a arruada. Ainda toca a “Carvalhesa”, hino eleitoral da CDU que passa sempre após o último discurso, quando João Ferreira se despede dos dirigentes locais, tímido como chegou, às vezes de mãos nos bolsos, calado, sem levantar a voz, sem dar nas vistas. Relativiza a sua presença ali e lembra que esta é só uma das “centenas de ações” por todo o país levadas a cabo por vários membros da CDU. Mete-se no carro e segue viagem. Só dorme fora se andar longe de casa — e a proximidade da rota à Grande Lisboa permite-lhe ir ficando em casa muitas noites. A assobiar a “Carvalhesa”, são os militantes locais que se juntam para arrumar as cadeiras, limpar as mesas e desmontar os púlpitos. A escola do PCP nunca falha.

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