1233,8kWh poupados 1233,8 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

As duas famílias de MARO num concerto esgotado: nos bastidores do espetáculo no Coliseu dos Recreios

MARO apresentou “SO MUCH HAS CHANGED” num Coliseu completamente esgotado. Rodeada de família "dentro e fora do palco", estivemos com a artista antes, durante e depois do concerto.

Chegamos ao Coliseu dos Recreios perto das 15 horas. À porta da entrada dos artistas estava um pequeno batalhão de jornalistas internacionais com os gravadores e os blocos de notas prontos para entrevistas rápidas com a artista portuguesa. Faltavam seis horas para o início do espetáculo.

É a primeira vez que MARO atua no Coliseu dos Recreios e logo com a sala esgotada. É um concerto especial por todas as razões — também por quem estava na plateia e nos bastidores. O Observador acompanhou a artista em exclusivo: antes, durante e depois do concerto.

Depois de ter passado por 16 cidades europeias onde apresentou SO MUCH HAS CHANGED, o novo álbum nasceu de uma fase de grande mudança, tanto a nível pessoal como artístico, e revela-se como um registo que a própria cantora e compositora assume como profundamente introspetivo, atravessado por um sentimento de gratidão e por uma clara consciência do caminho que a trouxe até aqui.

▲ O Coliseu dos Recreios foi pequeno para MARO. 4200 encheram a sala de espectáculos

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Os bastidores de um concerto com “duas famílias”

Os jornalistas internacionais são guiados pelo backstage do Coliseu até ao segundo piso. Chegados ao corredor dos camarins, vão entrando um a um, pela porta 203. MARO cumprimenta todos com um sorriso e um abraço. Durante as entrevistas a artista alterna entre água natural, água de coco e chá de gengibre — essenciais para manter a voz cuidada e pronta para o concerto daquela noite, especialmente num dia em que está “aflita” porque está “rouca”. Confessa ao Observador que beber muita água já faz parte do dia a dia, tenha concerto ou não, mas neste final de tarde a “dose” teve de ser “reforçada” porque, “como estou rouca e vou puxar pela voz, espero não ficar afónica para o Porto [concerto no dia 28 de março, este sábado]”. Mais tarde, já a colocar os auriculares in-ear, e a menos de 10 minutos de pisar o palco, MARO desabafa que conseguiu recuperar um pouco a sua voz.

De 15 em 15 minutos, as entrevistas vão-se sucedendo e o tempo vai passando. Há perguntas sobre a conceção do novo álbum, sobre a digressão que lhe corresponde — e, claro, sobre o concerto no Coliseu. No corredor, o silêncio impera e só é interrompido pelo dedilhar da guitarra de Manuel Rocha, músico que toca com MARO há vários anos e que está no camarim ao lado. O passo que se segue é o soundcheck. A banda começou 30 minutos antes. MARO já parte para o último ensaio com um ligeiro atraso de 20 minutos, mas nada que lhe pareça colocar pressão extra. Antes de ir tranquilamente até ao primeiro piso, ainda diz ao Observador que o facto de já estarem a meio desta digressão internacional faz com que “o nervosismo dê lugar ao entusiasmo antes do concerto. Já fizemos várias datas e já sabemos o que temos de fazer para correr bem”.

▲ Antes do soundcheck a artista deu cinco entrevistas a órgãos de comunicação social estrangeiros. O Observador foi o único órgão de comunicação social português

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Ao sair da zona dos camarins, ouve-se a banda em todos os cantos e recantos. MARO desce no elevador com o técnico de luz, o fotógrafo e a videógrafa. O ambiente é descontraído, os sorrisos são constantes e as gargalhadas altas, mas tudo fica ligeiramente menos alegre quando MARO pisa o palco do Coliseu pela primeira vez e percebe que a distância entre a linha da frente do público e os músicos é “demasiado grande”. A artista dispara várias sugestões para atenuar essa distância, mas nenhuma delas é aceite por motivos técnicos e por limitações impostas pela própria sala. As sugestões ora são em português, em espanhol ou em inglês. Esta mistura de idiomas é fruto da multiculturalidade da equipa de MARO — há técnicos espanhóis, alguns elementos da banda são brasileiros e a videógrafa é alemã, por exemplo.

Após inúmeras tentativas de encontrar uma solução para atenuar o espaço “vazio” em cima do palco, MARO acaba por se resignar ao que está à sua frente. “Era suposto ser o melhor concerto e vai ser o pior?“, a resposta a esta pergunta não tardou a chegar: “Claro que não. Podemos sempre ir à frente do palco, no final do concerto vamos conseguir atingir os 20 mil passos diários“, diz Carbeau, multi-instrumentista da banda, em tom de brincadeira. O resto dos testes seguiu com boa disposição, algo “normal” naquele grupo “tão unido” — palavras dos próprios. Para MARO, esta tour só fazia sentido com os quatro músicos que a acompanham, “pessoas especiais, sensíveis, bons seres humanos, além de extremamente talentosos”. “Os músicos que estão no palco comigo são família, são importantes na minha vida”, diz-nos. A assistir a tudo isto está a mãe da artista, sentada no meio da plateia, a mesma que daí a poucas horas vai estar completamente repleta. Na zona da entrada do Coliseu, os irmãos de MARO vão ultimando os pormenores na banca de venda de merchandising.

Durante o soundcheck vão-se afinando os últimos detalhes de som e de luz. Ao mesmo tempo, MARO sabe da importância do conteúdo para as redes sociais e por duas vezes deu indicações à sua videógrafa de como queria que fossem gravados e editados dois dos vídeos: “Quero fazer um vídeo em que tenho o Coliseu vazio e depois tu fazes um movimento rápido e cortas para uma gravação em que eu tenho o Coliseu cheio. Mas o movimento tem mesmo de ser rápido em ambas as gravações para que a transição seja impercetível na edição“. Para MARO, estas indicações são tão importantes como naturais — no início da carreira era a própria que filmava e editava os vídeos.

Os testes com a banda chegam ao fim e o técnico de som aproxima-se de MARO para perguntar se o convidado surpresa já chegou. A resposta é afirmativa e poucos momentos depois EU.CLIDES chega ao palco do Coliseu. MARO costuma ter sempre um convidado nos concertos (em Inglaterra teve Jacob Collier, amigo de longa data) e em Portugal a escolha recaiu sobre alguém que a cantora “admira imenso”. EU.CLIDES começa a afinar a guitarra em palco. Esta última fase do teste de som faz parte do momento acústico que a protagonista da noite considera “essencial” neste concerto. “Queria que houvesse um momento que marcasse o concerto, que desse para respirar de maneira diferente e depois voltar, para fechar lá no alto”.

Os dois fazem o ensaio, tocam uma canção de cada um e dá-se por concluído o soundcheck minutos depois. Mas não é por isso que MARO pode ir descansar por breves momentos antes do concerto. Os artistas vão para um camarim vazio e voltam a praticar os acordes de “99”, a música de EU.CLIDES que vão tocar dali a menos de duas horas.

Momento em que MARO se apercebe da distância no palco entre a banda e a fila da frente do público. Na fotografia está acompanhada do técnico de luz que lhe explica as complicações técnicas
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A mão da artista sentada na plateia em pé a assitir ao soundcheck
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
MARO nos primeiros momentos de teste de som
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Carbeau, multi-instrumentista que integra a banda.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A artista testou o som ao redor da sala pois queria ter um momento no concerto em que cantava no meio do público
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Esse momento, que seria como está retratado nesta fotografia, não aconteceu devido a problemas técnicos
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Momento de cumplicidade com Carbeau
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Num dos momentos mais divertidos do soundcheck, a cantora foi até à ponta do palco e tocou guitarra de joelhos
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Durante o soundcheck MARO ora vai falando em português, ou espanhol ou inglês. A sua equipa tem várias nacionalidades
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Um dos momentos que MARO pediu para gravar para as redes sociais
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Esta era a vista para o Coliseu, quatro horas antes do concerto
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O segundo momento em que grava um video para as redes sociais. O objetivo desses vídeos era mostrar a diferença da sala vazia e da sala cheia
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O artista EU.CLIDES chegou no fim do soundcheck para testar a sua guitarra acústica
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Final do soundcheck. Está tudo pronto para o concerto
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
De regresso ao camarim MARO pegou automaticamente na guitarra e começou a tocar
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Aqui com o convidado especial do concerto no Coliseu voltaram a ensaiar uma das músicas que ambos iriam tocar mais logo
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“‘Bora, pessoal! It’s Showtime”: o momento do concerto

Já tudo ensaiado e testado é agora o único momento em que MARO pode estar sozinha e a tentar relaxar antes de encarar de frente um Coliseu esgotado. Admite ao Observador que se sente “entusiasmada” porque este concerto é diferente dos outros. Este concerto é especial por ser no Coliseu, uma sala icónica , mas não só. A artista toca na sua cidade e com muita família a ver. “Vão estar cá as minhas avós, uma delas tem 96 anos, vão estar também os meus pais, os meus primos… são muitas pessoas importantes para celebrar este momento que vai ficar na memória”.

MARO prefere não comer nada antes do concerto, o jantar pode ficar para depois, diz-nos — mas não se trata de superstição pré-concerto. Há, no entanto, um ritual que começou antes da digressão e que se repete em todos os concertos: o abraço de grupo entre os músicos que vão pisar o palco, como uma equipa no balneário antes do início do jogo. O mantra é bastante simples: “‘Bora ser felizes, ‘bora aproveitar, ‘bora perceber que é um privilégio tocar para um grupo de pessoas que escolheu estar ali a ver-nos”.

Ritual cumprido, adrenalina no máximo e a expectativa das 4200 pessoas que esgotaram a sala continua a crescer. Primeiro, entram os músicos, tocam por breves segundos uma melodia instrumental e só depois MARO começa a cantar, ainda fora do palco. Quando aparece perante o público, tudo se concretiza.

O alinhamento inclui várias canções do novo álbum, o momento com o convidado EU.CLIDES e Saudade, Saudade. A multidão foi cantando em coro, sobrepondo-se muitas vezes à voz da própria cantora. Os agradecimentos foram-se redobrando ao longo do concerto. Primeiro aos músicos com quem partilha o palco, depois à família, à editora, à agência e ao público.

Tira também as últimas fotos no camarim antes de subir ao palco.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
É o último momento que tem antes do concerto para fazer "check" ao seu telemóvel.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A cumplicidade entre MARO e os seus colegas músicos é visível antes, durante e após o concerto.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Um "brinde" de sorte antes da entrada em palco.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Há tempo para uma última fotografia, ainda nos camarins, com os músicos a pegarem MARO ao colo.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
“'Bora ser felizes, 'bora aproveitar, 'bora perceber que é um privilégio tocar para um grupo de pessoas que escolheu estar ali a ver-nos”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Um último abraço, o que faz parte da rotina, antes da artista pisar o palco.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Assim que MARO entra em palco a excitação na plateia em pé é gigante.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
MARO apresentou o novo álbum “SO MUCH HAS CHANGED” num Coliseu completamente esgotado.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O sorriso na cara da artista foi uma constante durante todo o concerto.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
MARO apresentou o novo álbum “SO MUCH HAS CHANGED” num Coliseu completamente esgotado.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A tour de MARO retoma em meados de setembro.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Os concertos em Portugal acontecem em Lisboa e no Porto.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Durante o concerto houve vários momentos de interação com o público.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Neste momento em específico a artista ficou muito emocionada com todo o carinho que recebeu do público.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O Coliseu encheu para ver o concerto da artista portuguesa.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Um dos momentos mais emocionantes do concerto foi quando o público ligou as luzes dos telemóveis.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Um dos momentos mais emocionantes do concerto foi quando o público ligou as luzes dos telemóveis.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Ao longo do espetáculo a artista foi agradecendo várias vezes ao público.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Momento da entrada de EU.CLIDES.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Os dois artistas tocaram duas músicas juntos.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O concerto continuou num momento puramente acústico. Primeiro só com MARO.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Depois juntou-se a banda.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O público cantou as músicas em unísono.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Momentos finais do concerto no Coliseu dos Recreios.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O momento de agradecimento ao público presente no Coliseu dos Recreios.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Fotografia de "família" com os seus músicos no fim do concerto.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Os abraços repetem-se agora no fim do concerto sem qualquer pressão.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O perfecionismo no final do concerto e os abraços a duas pessoas especiais

Depois das últimas despedidas e da fotografia com os fãs que encheram o Coliseu, MARO sai de palco em êxtase, rodeada pela banda e com um sorriso de orelha a orelha. Os abraços multiplicam-se e ouve-se “correu bem, foi um showzaço. Parabéns, pessoal!“. No entanto, instantes depois, a artista pergunta ao seu fotógrafo se deu para perceber se desafinou ao cantar FEELING SO NICE. Resposta negativa. Ainda houve tempo para lamentar a caminhada por entre o público, que acabou por não acontecer por questões técnicas.

À porta da zona dos camarins, os familiares e amigos mais próximos vão chegando e fazendo uma fila informal para abraçar a estrela da noite. Duas pessoas chegam um pouco depois de todas as outras e têm prioridade para passar à frente: as duas avós de MARO. Os abraços são calorosos, recheados de felicidade e orgulho. As palavras são doces e aparecem acompanhadas de sorrisos. A artista está mesmo “em casa”, mas por pouco tempo: segue-se o concerto no Coliseu do Porto. Depois disso, a digressão do novo álbum vai fazer uma breve pausa e regressa no final de setembro, nos Estados Unidos da América.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.