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Perderam a atitude parva quando passou o acne, mas nunca deixaram de ser realmente irreverentes, nem mesmo agora, com mais de 50 anos. Na verdade, eles não queriam ser insolentes quando fizeram criancinhas chorar nos espectáculos em que abriram para Madonna, em 1986. Ou quando destruíram quartos de hotel em Londres, no mesmo ano. Ou, no ano seguinte, quando fizeram uma digressão com dançarinas dentro de gaiolas e um pénis gigante que entrava em palco ao som de “Fight For Your Right To Party”. Essas e outras parvoíces aconteceram só porque pareciam ter piada — e os adolescentes acham sempre que devem ter piada. Depois as pessoas crescem.

Há algumas coisas nos Beastie Boys de que apetece não gostar, quase todas da fase de Licensed To Ill, o álbum que os tornou estrelas aos 20 anos, lançando-os num circo mediático surreal. Mas toda a gente, até as feministas, que deviam odiá-los por causa das miúdas nas gaiolas e algumas bocas impróprias, etc, desenvolveram um carinho especial pelos rapazes (Kathleen Hanna, das Bikini Kill e Le Tigre, é casada com Ad Rock…). Parece agora que toda a gente reconhecia a ironia que sustentava a pose e atitude do início mas eles próprios olham para o passado com alguma vergonha. Citando Adam Horovitz Rock, “é preciso mesmo pensar bem antes de se dizer ou fazer coisas estúpidas (…) pensem em vocês no futuro, a olhar para trás (…) vão acabar a pagar renda de um armazém em New Jersey durante 30 anos para guardar um pénis gigante numa caixa”.

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