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Como a jogada de Trump na Coreia do Norte pode reforçar o poder da China

Enquanto Trump espera que Xi Jinping dê o próximo passo na questão da Coreia do Norte, a China está a aproveitar para reforçar o poder na região deixando os EUA cada vez mais isolados.

Donald Trump atacou a China durante ano e meio de campanha e prometeu retaliar contra a política comercial chinesa, mas suspendeu para já as suas intenções. A crescente tensão com a Coreia do Norte está a mudar a relação entre as duas maiores potências do mundo e levou o Presidente dos Estados Unidos a colocar-se nas mãos da China para resolver a situação, alienando cada vez mais os seus aliados na região. Neste tabuleiro de xadrez, Pequim está a aproveitar para reforçar significativamente a sua posição na região, isolando cada vez mais os EUA.

Durante ano e meio de campanha, Donald Trump fez da China o principal inimigo dos Estados Unidos. Acusou Pequim de de roubar empregos aos americanos, de manipular a moeda e de apoiar a Coreia do Norte. Com os tambores da guerra a fazerem-se ouvir de forma cada vez mais intensa na península da Coreia, os EUA apostam cada vez mais na China para resolver um problema que a China ajudou a manter durante décadas. Mas em Pequim joga-se mais que a situação da Coreia do Norte.

Mas com os tambores da guerra a fazerem-se ouvir de forma cada vez mais intensa na península da Coreia, os norte-americanos parecem estar a apostar todas as suas fichas na China para resolver o problema norte-coreano

A tensão na península da Coreia está no seu nível mais alto desde que, em 1994, Bill Clinton disse aos norte-americanos para abandonarem a região e preparou as suas tropas para atacarem a central nuclear de Yongbyon, a norte da capital norte-coreana. O plano era eliminar por completo a possibilidade de a Coreia do Norte vir a desenvolver uma bomba nuclear, mas o número estimado de mortos, mesmo num ataque cirúrgico, dissuadiu Washington: 100 mil civis no ataque propriamente dito; pelo menos um milhão no conflito que seguiria, número que poderia subir (e muito).

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A guerra foi evitada por Jimmy Carter, que, numa missão de paz pouco comum, foi à Coreia do Norte para se encontrar com o fundador do regime, Kim Il-sung, e conseguiu um acordo para retomar as negociações. No dia em que deveriam começar, Kim Il-sung morreu de ataque cardíaco e foi sucedido pelo seu filho, Kim Jong-il, sobre quem pesavam acusações de responsabilidades em pelo menos dois atentados terroristas: uma bomba em 1983 que matou quatro ministros sul-coreanos e o ataque a um avião sul-coreano em 1987, que provocou a morte a 115 civis.

Kim Jong-il, responsável pelo desenvolvimento do complexo nuclear de Yongbyon ainda durante a liderança do seu pai, acabou por aceitar um acordo. Em troca, receberia apoio dos Estados Unidos para construir dois reatores nucleares exclusivamente para produzir energia e combustível para os reatores nucleares que já detinha enquanto os dois prometidos reatores não fossem construídos. O acordo não caiu bem entre os republicanos no Congresso, que fizeram tudo para impedir que os Estados Unidos cumprissem a sua parte do acordo.

Foi já com George W. Bush no poder que o tabuleiro mudou. Depois dos ataques de 11 de setembro, Bush colocou a Coreia do Norte, juntamente com Irão e Iraque, no chamado “eixo do mal”, o conjunto de países que patrocinavam o terrorismo e que teriam como objetivo desenvolver um arsenal nuclear, e ameaçou-os com um ataque preventivo para garantir a segurança dos Estados Unidos.

Kim Jong-un, o terceiro líder da Coreia do Norte, já realizou cinco testes nucleares em apenas cinco anos à frente do reino ermita. Mais que o seu avô e o seu pai.

AFP/Getty Images

Em outubro de 2002, o regime de Pyongyang admitiu estar a desenvolver secretamente um programa de enriquecimento de urânio e recusou suspendê-lo. Passados dois meses, os norte-coreanos recomeçaram o programa de enriquecimento de plutónio, suspenso em 1994 e expulsaram os inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica. Depois de anos de avanços e recuos nas negociações, a 9 de outubro de 2006 o regime fez o seu primeiro teste nuclear bem sucedido.

A Coreia do Norte já era alvo de sanções económicas das Nações Unidas, mas o Conselho de Segurança reforçou o castigo depois do primeiro teste e fê-lo sucessivamente desde então. O objetivo, além de diretamente impedir o desenvolvimento da capacidade militar e nuclear do regime, era também atingir os seus dirigentes, impedindo-os de viajar e limitando o seu o acesso a bens de luxo. Mas as sanções, para serem eficazes, precisam de ser aplicadas estritamente pelos membros das Nações Unidas e a ONU enfrentou sempre um grande obstáculo: a vontade chinesa.

A relação entre a China e a Coreia do Norte

A relação da China com a Coreia do Norte muito se assemelha à de um irmão adulto a tentar controlar as birras de um irmão mais novo com problemas de agressividade: é preciso dar-lhe um raspanete de vez em quando, mas mais do que isso pode criar mais problemas que soluções. Com a desintegração da União Soviética, a Coreia do Norte perdeu uma importante fonte de segurança e de apoio económico. Desde então, mesmo com as sanções internacionais a que tem sido sujeita, a China tem sido o principal facilitador da sobrevivência do regime.

Mais de 70% do comércio da Coreia do Norte é feito com a China (grande parte através da venda de carvão), que usa os portos chineses e os mares da China para o transporte de mercadorias — com a China a fornecer a energia e a comida que o país tão desesperadamente necessita. Mas a China tem também fechado os olhos a algumas das atividades ilegais que durante anos serviram como uma importante fonte de receita e como forma de arrecadar moeda estrangeira. O regime chinês deixou que a Coreia do Norte operasse bancos usados em território chinês para financiar as operações ilegais do regime. O caso mais conhecido é o do banco norte-coreano Delta Asia, que esteve estabelecido em Macau, e que, segundo os Estados Unidos, era usado para lavar e falsificar dinheiro.

Mais de 70% do comércio da Coreia do Norte é feito com a China (grande parte através da venda de carvão), que usa os portos chineses e os mares da China para o transporte de mercadorias — com a China a fornecer ainda energia e comida que o país tão desesperadamente necessita

Mas nem só de dinheiro se faz esta relação. Desde pelo menos a década de 90, altura em que a Coreia do Norte se viu assolada por uma escassez de alimentos, a China tem colaborado com o regime norte-coreano para encontrar, deter e repatriar refugiados que procuram exílio político em território chinês, ou tentam passar pela China para outros países, como a Coreia do Sul. Para contornar a Convenção das Nações Unidas para os Refugiados, que a China assinou em 1951, o regime qualifica estes refugiados como “migrantes económicos ilegais”, que são deportados para a Coreia do Norte, onde os espera a prisão, tortura e até a execução.

O que mudou

A subida ao poder de Kim Jong-un com 27 anos, quando assumiu as rédeas do regime mais fechado e um dos mais problemáticos do mundo, acabou por desencadear o processo de mudança da China na sua posição em relação à Coreia do Norte.

Kim Jong-un tem feito uma autêntica purga no regime, removendo da liderança militar mais de 200 responsáveis, executando o seu tio e aumentado a repressão num regime que já era um dos mais repressivos do mundo. O neto do fundador do norte-coreano já fez cinco testes nucleares desde que chegou ao poder, mais do que os realizados pelo seu pai nos 17 anos que esteve no poder, continuando a extremar a posição do regime, mesmo depois dos avisos chineses.

A relação com a China arrefeceu especialmente desde que a Coreia do Norte fez o seu quarto teste nuclear (e lançou um satélite), em março de 2016. As Nações Unidas agravaram as sanções contra o regime, e a China comprometeu-se não só a aplicar as sanções, como foi um dos seus principais proponentes. As consequências de não ouvir os aliados chineses fizeram sentir-se de imediato: as transações financeiras com a cidade chinesa de Dangong, na fronteira com a Coreia do Norte, foram sujeitas a grandes limitações, as autoridades foram notificadas de imediato para cumprirem as restrições no comércio de carvão, aço e outros minerais (a maior parte das exportações norte-coreanas) e os cargueiros norte-coreanos deixaram de ter acesso aos portos chineses.

“[A Coreia do Norte] assinou a sua própria sentença de morte. (…) A China avisou a Coreia do Norte para desistir do armamento nuclear várias vezes, mas não recusaram ouvir. Foi por isso que a China apoiou a resolução adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas com duras sanções contra a Coreia do Norte”, disse Wu Dawei, representante chinês nas negociações com a Coreia do Norte, em março de 2016.

As relações entre os dois regimes estão tão tensas que o Presidente chinês não se encontrou uma única vez pessoalmente com Kim Jong-un. O líder norte-coreano chegou a ser convidado em 2015 para as comemorações na China do final da Segunda Guerra Mundial, mas faltou

As relações entre os dois regimes estão tão tensas que o Presidente chinês não se encontrou uma única vez pessoalmente com Kim Jong-un. O líder norte-coreano chegou a ser convidado em 2015 para as comemorações na China do final da Segunda Guerra Mundial, mas rejeitou o convite.

Em fevereiro deste ano, apenas alguns dias depois da misteriosa morte de Kim Jong-nam, meio irmão do líder norte-coreano, num aeroporto da Malásia, a China extremou ainda mais a sua posição e suspendeu todas as importações de carvão da Coreia do Norte até ao final do ano, num esforço para fazer cumprir as sanções acordadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Entre 30% e 40% das receitas de exportações da Coreia do Norte são oriundas da venda de carvão, quase todo comprado pela China. Um ano antes, a limitação às importações norte-coreanas era apenas parcial, com exceções para garantir a sobrevivência do regime.

Uma das formas que a Coreia do Norte usa para financiar as operações do regime é através de trabalho escravo dos seus cidadãos fora do país.

Getty Images

Nem guerra, nem mudança de regime

Durante décadas, a China protegeu o regime norte-coreano e facilitou a sua sobrevivência, em termos económicos e também de segurança, com receio do que um colapso do regime poderia provocar na região e o impacto que teria nos seus próprios interesses. Mas a situação parece estar a mudar aos poucos, com os responsáveis chineses a darem mostras de profundo desagrado com a postura de Kim Jong-un. Mas, mesmo assim, para a China a melhor das más opções continua a ser a manutenção do regime.

Uma guerra com a Coreia do Norte, mesmo sem a participação direta da China, dificilmente ficaria circunscrita ao outro lado do rio Yalu, mais ainda tendo em conta que desse mesmo lado está um regime imprevisível e que ameaçou por várias vezes que não terá qualquer problema em usar o seu armamento nuclear caso seja atacado, seja de que lado for.

O caos na porta ao lado significaria inevitavelmente um grande fluxo de refugiados, um problema económico e que também poderia afetar a estabilidade política nas províncias do norte da China, isto num regime que preza acima de tudo o controlo e a estabilidade. A fuga destas pessoas para a Coreia do Sul seria sempre mais difícil neste contexto, já que é sempre o primeiro alvo da Coreia do Norte. Nesta altura, haverá cerca de 25 milhões de pessoas a viver na Coreia do Norte, sujeitas a condições de vida difíceis, fome e repressão.

O perspetiva de um conflito é pouco atrativa para qualquer uma das partes, especialmente para a China. “O continuado apoio e proteção da China à Coreia do Norte deveria moderar as expectativas dos responsáveis norte-americanos sobre a disponibilidade de Pequim de ir muito mais longe”, diz Derek Grossman, analista da RAND corporation.

Uma guerra significaria também a entrada dos Estados Unidos no conflito, já que Washington tem um acordo com a Coreia do Sul e o Japão, seus principais aliados na região, para os defender na eventualidade de um ataque. Em troca, estes países abdicaram de construir um arsenal nuclear, algo que os deixa numa posição vulnerável face à Coreia do Norte e em relação à própria China.

O regime celebrou o dia do Exército a 25 de abril. Nesse mesmo dia testou, sem sucesso, um míssil balístico intercontinental com capacidade para atingir solo norte-americano.

AFP/Getty Images

Por essa razão, um conflito e a perspetiva de mudança de regime na Coreia do Norte é vista do lado chinês com desconfiança, já que seria uma oportunidade para que os EUA reforçassem a sua presença militar na região, deixando a China mais isolada. Pequim vê o território norte-coreano como uma importante ‘almofada’ geográfica entre território chinês e os aliados dos norte-americanos, até porque, só na Coreia do Sul, os EUA têm atualmente destacados 28.500 militares.

“Pequim, como é abundantemente noticiado na imprensa chinesa, acredita que os Estados Unidos querem usar a crescente crise na península da Coreia como um pretexto para instalar capacidades (militares) que deixariam as forças armadas chinesas mais vulneráveis. Por isso, a China vê a resposta dos Estados Unidos, e não as provocações da Coreia do Norte, como a principal ameaça à sua segurança. (…) Além disso, a Coreia do Norte tem um historial de aceitar o apoio chinês sem moderar o seu comportamento. A dinastia Kim sabe perfeitamente que a China valoriza a Coreia do norte como buffer estratégico, de tal forma que simplesmente não se pode dar ao luxo de o perder”, diz Minxin Pei, senior fellow do German Marshall Fund, num artigo publicado na revista The Atlantic.

A possibilidade de um qualquer chefe militar detonar uma bomba nuclear se o regime norte-coreano cair, como manobra de desespero, também não é colocada de parte por qualquer uma das partes.

Os trunfos da China

É verdade que a China não tem boas opões, mas Pequim ainda tem algumas cartas na manga. A primeira é usar a relação económica com a Coreia do Norte para pressionar o regime, que quer acima de tudo garantir a sua sobrevivência. Para garantir essa sobrevivência, a continuação da ajuda chinesa é fundamental. Para manter o apoio das elites norte-coreanas, o regime precisa de dinheiro, dinheiro esse que chega via China, seja pelo comércio ou pelas atividades ilegais que passam pelas suas fronteiras.

A China tem fechado os olhos (e em alguns casos até dado uma mãozinha) às transgressões norte-coreanas e, passando pela China tanta da economia norte-coreana, dificilmente Pyongyang pode continuar a ignorar os avisos chineses. Mesmo o desenvolvimento do arsenal militar e nuclear da Coreia do Norte tem tido apoio da China, que permite ao país ter uma ligação financeira com o estrangeiro, entre outras facilidades.

A China tem fechado os olhos (e em alguns casos até dado uma mãozinha) às transgressões norte-coreanas e, passando pela China tanta da economia norte-coreana, dificilmente Pyongyang pode continuar a ignorar os avisos chineses

“Temos todos de fazer a nossa parte, mas a China, sozinha, sendo responsável por 90% do comércio com a Coreia do Norte, tem uma vantagem económica sobre Pyongyang que é única, e o seu papel é, por isso, particularmente importante. Os Estados Unidos e a China têm mantido trocas muito produtivas sobre o assunto, e esperamos mais ações que fortaleçam o que a China já fez”, disse o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sexta feira.

O distanciamento chinês levou a Coreia do Norte a procurar apoio na Rússia, mas o país liderado por Vladimir Putin não só não tem a capacidade económica da China, como geograficamente não consegue substituir a China como ponto de acesso da Coreia do Norte ao mundo.

Mas não é só na Coreia do Norte que a China tem movimentado as suas peças. Nos anos mais recentes, a China tem vindo a aprofundar as suas relações económicas com a Coreia do Sul. Até mostrou abertura para discutir a aplicação de regras — que existem, mas que Pequim não respeita — em relação ao mar do Sul da China, onde os chineses se têm expandido de forma considerável, criando ilhas artificiais que servem de bases militares para melhor se posicionarem na região.

A queda da presidente sul-coreana Park Geun-hye, devido a um escândalo de corrupção que envolve uma amiga próxima e a Samsung, pode abrir outra brecha na frente norte-americana de oposição ao regime de Kim Jong-il. Os conservadores de Park Geun-hye foram castigados nas eleições de 9 de maio e o novo presidente é agora um liberal. Moon Jae-in é um advogado de direitos humanos que tem defendido uma posição mais conciliatória com a Coreia do Norte e relações menos próximas com os Estados Unidos do que Park Geun-hye, uma ardente defensora da aliança com os norte-americanos e de uma posição dura com os norte-coreanos.

Pequim tem vindo a cimentar a sua aliança com a Coreia do Sul, apesar das divergências sobre o novo sistema anti-míssil norte-americano THAAD, cuja entrega à Coreia do Sul deverá ser antecipada devido à crise norte-coreana. A China entende que este sistema reduz o poder dissuasor do seu próprio arsenal nuclear. Mas com a mudança nas rédeas da Coreia do Sul, Pequim pode ganhar apoio na sua causa de manter o regime norte-coreano vivo, ainda que ligado às máquinas chinesas.

O que quer a China

A visita de Xin Jinping aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump parece ter sido mais proveitosa para chineses do que para americanos. A China conseguiu não só que Trump deixasse cair de vez a ameaça de que iria decretar a China um país manipulador da sua moeda (algo que, efetivamente, não tem sido nos últimos anos) — uma das promessas de Trump para o seu primeiro dia na sala oval —, mas também que Trump não avançasse com o tão prometido imposto sobre as importações para equilibrar as relações comerciais com a China e ainda moderasse a sua retórica em relação a Pequim.

Donald Trump saiu da reunião com o Presidente chinês admitindo que a questão da Coreia do Norte é de difícil resolução e que a China estava empenhada na questão, que também era do seu interesse resolver, deixando depois vários elogios a Xin Jinping, que considerou ser um “homem bom”.

O Presidente chinês visitou os Estados Unidos no início de abril. Donald Trump a elogiar o líder chinês e mostrou-se confiante na ajuda da China para ajudar a resolver o problema norte-coreano

AFP/Getty Images

Mas a China conseguiu mais do que alguma paz nas relações diretas com os Estados Unidos. Xi Jinping garantiu que Donald Trump não voltará a ter contactos diretos com a Presidente de Taiwan sem antes consultar Pequim, garantindo o respeito pela política de que existe apenas uma China e que Taiwan é território chinês. Em troca recebeu a promessa de maior abertura para investimentos do setor financeiro na China e o desbloqueio das exportações norte-americanas de carne de vaca norte-americana para a China.

Para além do volte face completo na sua estratégia anunciada em relação à China, Donald Trump abriu ainda a porta a uma cada vez maior influência da China sobre os principais aliados norte-americanos na região. Numa altura em que a tensão na região está em máximos devido à Coreia do Norte, em vez de reassegurar o Japão e a Coreia do Sul, Trump disse publicamente que os dois países têm de pagar mais pela proteção militar norte-americana, dizendo inclusivamente à Coreia do Sul que tem de pagar pelo sistema anti-míssil THAAD — cujos custos estimou em cerca de mil milhões de dólares —, e avisando que quer renegociar o acordo comercial que tem com Seúl.

Em pleno período eleitoral na Coreia do Sul, e com a China a aproximar-se, Trump está a virar-se cada vez mais para a China, apostando na vontade chinesa em resolver o problema norte-coreano

A China, como dizia o histórico diplomata Henry Kissinger, tem sempre em vista o longo prazo. Se a paciência dos chineses estiver, de facto, a esgotar-se com a Coreia do Norte, as suas prioridades para agirem ainda assim passarão sempre por algum ganho próprio:: normalização e segurança nas relações comerciais com os EUA; o fim do apoio militar norte-americano a Taiwan; liberdade para continuar a expandir no mar do Sul da China; a retirada das forças norte-americanas da região; a não instalação do sistema anti-míssil THAAD na Coreia do Sul; e o fim da pressão dos EUA sobre as violações dos direitos humanos na China.

Por mais pressão que a pressão do tempo se faça sentir em Pequim, os líderes chineses dificilmente perderão a oportunidade de retirar benefícios do poder que têm: o de controlar Kim Jong-un. O bromance, como lhe chamou a imprensa norte-americana, entre Xi Jinping e Donald Trump pode parecer inteligente ao homem que assina o livro A Arte do Negócio, mas a China dificilmente aceitará ser vencida nesta negociação e a principal peça, Kim Jong-un, está nas mãos de Pequim.

 
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