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NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

Diogo Feio: "No dia em que houver uma aliança entre AD e Chega, há uma cisão à direita"

Em entrevista na Vichyssoise, antigo dirigente do CDS diz que Passos foi injusto com Montenegro. Feio acredita que AD deve aliar-se à IL e que André Ventura já só trabalha para ser "líder da direita".

Em maio, quando as dúvidas e conversas sobre os planos de Pedro Passos Coelho já se adensavam, o antigo eurodeputado e dirigente do CDS Diogo Feio era entrevistado na Vichyssoise, programa do Observador, e declarava que Passos “não é o líder da direita — é a diferença entre o passado e o presente”. Agora, com Passos fora da toca e a assumir-se como protocandidato, o democrata-cristão volta ao programa para criticar e mostra-se em desacordo com o antigo primeiro-ministro em vários pontos, incluindo a “injustiça” de comparar Luís Montenegro com António Costa.

Mas o ponto de discordância central tem a ver com o Chega: o antigo eurodeputado não só duvida de que Passos seja capaz de esvaziar o Chega, mesmo que tome conta da liderança do PSD, como não acredita que os “valores” dos partidos sejam minimamente compatíveis. Nesse caso, acredita que existiria mesmo o risco de uma “cisão” no centro-direita — e o próprio garante que iria “pregar para outra freguesia”.

A solução que propõe é outra e passa por uma aliança que apenas inclua a direita moderada (PSD, CDS e Iniciativa Liberal). De resto, o democrata-cristão recomenda ao Governo que publicite melhor, ou mais intensamente, as medidas que está a tomar e considera “ofensiva” a comparação traçada por Passos entre fazer coligações com o CDS ou o Chega.

“Passos foi injusto ao comparar este Governo com os de Costa”

Esteve aqui em maio e disse o seguinte: “Passos e Montenegro é a diferença entre o passado e o presente”. Depois da entrevista de domingo de Pedro Passos Coelho, é caso para dizer que o passado veio reclamar o presente e o futuro?
Tenho dúvidas. Pedro Passos Coelho é uma personalidade relevante no espaço da direita portuguesa, foi primeiro-ministro, tem um legado, o país saiu da bancarrota sob a sua liderança. Se hoje falamos de contas certas, isso é uma herança de Passos Coelho que este governo mantém sem cativações, portanto até tem uma linha de continuação. Deve evidentemente ser ouvido aquilo que diz, até porque o fez com clareza; o que não obriga é a que todos no espaço da direita tenham de concordar com o que Pedro Passos Coelho teorizou. Estou entre esses: há muitas coisas das quais discordo frontalmente.

Também disse o seguinte na entrevista de maio: “Passos não é o líder natural da direita, já foi, já não é”. Depois da entrevista de domingo, Pedro Passos Coelho deixou claro que é protocandidato a primeiro-ministro. O espaço da direita e o país podem voltar-se para Passos agora que esta disponibilidade foi esclarecida?
Nessa entrevista disse que não era passólogo – especialista em Passos Coelho – e também não sou especialista em “ses”. A quantidade de “ses” para chegarmos a um protocandidato é imensa. Neste momento temos um horizonte político de um ano após a aprovação do Orçamento, se nada acontecer de muito especial – não ando à espera de acontecimentos estranhos ligados à justiça ou outras coisas que não conseguimos dominar, e no plano político sou muito pela estabilidade.

Mas não muda nada depois desta entrevista de Pedro Passos Coelho, está tudo na mesma? 
Foi uma voz qualificada no PSD que falou, numa circunstância que não é muito normal. Os primeiros-ministros até têm alguma reserva. Pedro Passos Coelho tem tido uma imensa reserva até nas eleições presidenciais, onde o PSD apresentava um candidato, e nada disse sobre essa matéria. Aliás, na entrevista houve um aspeto que achei simbólico. Pedro Passos Coelho tem elogios para André Ventura, não tem elogios para o atual Presidente da República. Eu estou do lado completamente contrário. Elogio o Presidente da República, sou incapaz de ver grande capacidade de natureza política em André Ventura.

Em maio perguntámos se achava que Pedro Passos Coelho queria derrubar Luís Montenegro e a sua resposta foi: “Não acho que esteja na sua vontade, de todo”. Continua a achar mesmo? 
Continuo.

Mesmo depois desta entrevista? 
Uma coisa que não sou capaz de fazer é raciocínios sobre o insucesso do meu lado político. Quero é que o meu lado político tenha sucesso e preocupa-me que o possa não vir a ter. Para mim é uma preocupação, não é uma espécie de ansiedade para pensar o que é que vou fazer nessa circunstância e, por isso mesmo, tenho tido uma posição pública de apoio em relação a este governo que, além do mais, está a atuar de uma forma positiva – e gosto, sinceramente, de ver pessoas elogiarem a ação deste governo, que é completamente diferente da de António Costa. É muito injusto dizer-se que este é um governo que empurra com a barriga.

Pedro Passos Coelho foi injusto nesse aspeto ao comparar os dois governos?
De uma forma clara, foi.

Há pouco dizia que pessoalmente não torce pelo insucesso da AD. Pedro Passos Coelho está a torcer pelo insucesso da AD?
Não, não me parece, de todo. Não sou filiado no PSD e, portanto, não acho que eu, não sendo filiado no PSD, tenha mais vontade que as coisas corram bem do que alguém que é filiado. Isso parece-me a ordem natural das coisas.

"Passos tem elogios para Ventura, não tem elogios para o Presidente da República. Eu estou do lado completamente contrário. Elogio o Presidente, sou incapaz de ver grande capacidade de natureza política em André Ventura"

“Achar que há reformas com o Chega é ter défice de atenção”

Continuamos a contornar a questão. O que é que motiva Pedro Passos Coelho? Agora, com uma entrevista tão esclarecedora, em que disse que se as coisas falharem, então tomará uma iniciativa, como é que se conjuga isto tudo?
Na forma de encontrar estabilidade, Pedro Passos Coelho tem uma ideia diferente de Luís Montenegro. Esse é o ponto central e, em relação a esse, tenho uma discordância absoluta. A possibilidade de um acordo com o Chega é má, quer no plano substancial, quer no plano de estratégia política. São incomparáveis os valores. O PSD é um partido da social-democracia, muito preocupado com a pessoa, com a unidade da sociedade. O CDS é um partido democrata cristão, que vem da linha da doutrina social da Igreja. E o Chega é um partido de ressentimentos. E a política portuguesa não pode viver sob uma lógica de polos diferentes que têm de estar em constante confronto. Depois, no plano das reformas. Achar-se que se pode conseguir reformas relevantes com o Chega peca por um défice de atenção em relação ao seu posicionamento quanto a diferentes matérias, desde logo na questão laboral. E sou muito preocupado com a disciplina das finanças, é completamente impossível qualquer alteração da idade de reforma, porque isso é um rombo nas contas públicas. E depois, uma questão institucional. Não estou ao lado de um partido que tem dirigentes que invadem rádios, que estão à vontade para serem presidentes de uma comissão parlamentar e falarem como deputados, e tenho dificuldade em ver como é possível um governo que inclua as pessoas que estão no governo de sombra do Chega. É uma diferença do dia para a noite. Assim como qualquer comparação entre aquilo que têm sido as coligações entre PSD e CDS e uma coligação com o Chega até chega a ser ofensiva. Parece-me que há aqui um erro estratégico grave em pensar-se que pode haver qualquer espécie de acordo com o Chega.

Mas isso faz de Passos Coelho o quê? Ingénuo? Otimista?
Faz de Passos Coelho uma pessoa cujas convicções são diferentes das minhas e de muitas outras pessoas. No dia em que nós tivermos um acordo de governo, um acordo parlamentar com o Chega, acho que há uma cisão à direita. Pela minha parte, no dia em que isso acontecer, vou pregar para outra freguesia e vou abandonar o meu espaço político de sempre. Terei muita pena, mas é isso que vai acontecer. Espero, e estou muito empenhado, que nunca tenha que tomar uma decisão desse género.

Ainda sobre a questão da liderança à direita, Luís Montenegro continua a cair nas sondagens e o Chega a crescer de forma consistente. A AD corre aqui um risco de sobrevivência? 
Não há governo que passe por uma crise de inflação que esteja em alta nas sondagens. Nem há um que ganhe eleições quando elas sucedem. Também temos de olhar para os números e perceber que há, no mínimo dos mínimos, da parte do Chega uma manutenção de uma fatia de eleitorado que é relevante. Por isso qualquer acordo com o Chega é um erro estratégico, porque não acredito que exista a absorção do Chega com uma liderança do PSD à direita.

Mesmo que seja de Pedro Passos Coelho?
Mesmo que seja de Pedro Passos Coelho. Aliás, não deixa de ser curioso. André Ventura fala imenso – pois no dia daquela entrevista só conseguiu falar à tarde. Deve ter estado muito ocupado a fazer coisas, possivelmente investigações em relação ao que lhe aconteceu com o seu gabinete. Mas não lhe ouvimos nada… Tão prolixo sempre. E quando veio falar, veio de uma forma um bocadinho comprometida. Porque André Ventura já se está a ver como líder dessa grande direita.

Não como vice de Passos, como líder.
Claro. E podemos estar aqui perante um potencial passo atrás. Deu tanto trabalho ao PSD atingir aquele lugar que teve o PS durante anos, que é o partido charneira. E agora ia fazer uma coligação de uma grande direita que se desfazia no seu preciso momento de início. Só há um partido que consegue dialogar à esquerda e à direita, que é o PSD. O PS tem um problema evidente. Aliás, José Luís Carneiro já vem dizer: “Num dia em que eu ganhar umas eleições, o que peço é reciprocidade.” A reciprocidade que acredito que duraria um bocadinho mais do que a validade de um iogurte. A esquerda tem neste momento um gravíssimo problema de poder assumir uma forma de governabilidade. E o PSD que a conquistou agora, um lugar central no sistema, vai deitá-la fora para termos dois polos. Um polo entre esquerda e direita. A distinção entre esquerda e direita ficou lá atrás: hoje em dia a distinção é entre moderados e radicais.

Se em futuras eleições o Chega ganhar, a AD deve aliar-se ao PS para governar?
Estou empenhado em que o Chega não ganhe. José Luís Carneiro diz uma coisa muito interessante, que é: porque é que vota abstenção no orçamento? Porque não quer uma crise política. Porque sabe e não quer ser o responsável pela crise política. A partir do momento em que tivéssemos uma crise política, a intenção de votos portugueses passava a ser completamente distinta. O que me leva a pensar agora que a legislatura pode correr bem. As sondagens podem ser até diárias. Elas agora são semanais, mas preocupam-me muito pouco.

"No dia em que tivermos um acordo de governo, um acordo parlamentar com o Chega, acho que há uma cisão à direita. Pela minha parte, no dia em que isso acontecer, vou pregar para outra freguesia e vou abandonar o meu espaço político de sempre"

“Eleitorado anseia por solução com AD e Iniciativa Liberal”

Desliguemo-nos da questão das sondagens. É factual que há três partidos em condições de ganhar eleições em Portugal. A nossa pergunta é nesse sentido. Se o Chega ganhar, o que é que deve fazer a AD?
A AD deve fazer uma coisa anterior e preventiva. Vamos à forma de não perder as eleições: é olhar para os últimos resultados eleitorais. A direita de cariz moderado teve 39% dos votos. É somar os resultados que teve AD mais Iniciativa Liberal. Aproveitar este tempo para lançar um projeto político que fosse ou de coligação ou federador ou de criação de uma lógica única partidária da direita moderada tinha grandes hipóteses de poder vir a ter uma maioria absoluta que, como sabemos, tem 42% ou 43%. Tem de ter uma base de medidas a tomar, como é óbvio. Mas sinto que há muito eleitorado do centro-direita que anseia por uma solução desse género e está a olhar para o quadro político e ver que à esquerda isto não é possível. Porque o PS tem muita dificuldade em encontrar um parceiro que seja moderado. Passar-se a enquadrar aqui o Chega é o maior favor que se pode estar a fazer a José Luís Carneiro, porque, de repente, passa a ter uma solução que não tem: passar a aparecer com o PS como partido moderado ao eleitorado. E é isso que será importante que não venha a acontecer. E já agora, o Governo vai ter de manter o andamento desta semana. Tivemos o anúncio da privatização da TAP, que, utilizando uma expressão futebolística, foi limpinho, limpinho, limpinho. Sem espinhas. Deve multiplicar-se este género de situações e explicar muitas coisas importantes e que estão a ser feitas em relação à habitação, em relação à política fiscal – já vamos na sétima medida que baixa os impostos sobre o rendimento. Isto é uma opção de natureza política.

Então, há algum problema do governo em passar essa mensagem? É um problema de comunicação?
Problema ou não, acho que tem de se intensificar essa mensagem. E há um conjunto de ministros que sempre que vejo falar, falam bem.

Se o PS ganhar, mas existir a tal maioria de direita que seria composta com o Chega, a AD deve aliar-se ao Chega para impedir o PS de governar?
Compreendo os cenários todos. Só trabalho para os cenários de que gosto. Não me ponham perante uma situação em que temos apenas pela frente ou uma situação de bloco central ou uma situação de coligação com o Chega. Olho para o cenário dos eleitores brasileiros e tenho um bocadinho de pena. Imagino que o eleitor brasileiro esteja angustiado neste momento.

Se houver vontade da parte do PSD de se aliar ao Chega para impedir que o PS governe, isso provocaria uma cisão no partido? 
Há grandes hipóteses de isso poder provocar um abalo muito grande. Porque é dito sempre que os partidos de poder em Portugal PS e PSD estão como cimento quando estão no exercício de funções públicas. Aceito isso. Agora, ouço muita gente a não gostar da possibilidade de acordos com o Chega. Rui Rio não foi completamente claro quando foi candidato em eleições legislativas do que faria com o Chega. O que aconteceu? António Costa ganhou com maioria absoluta. Marcelo Rebelo de Sousa teve uma situação de confronto com as lógicas do Chega, do ressentimento, do negativo, e teve o melhor resultado que um Presidente da República teve à primeira volta. António José Seguro teve mais de 60% numa segunda volta, tudo numa lógica de confronto com André Ventura. Isto quer dizer alguma coisa. E há coisas que vão ficar cada vez mais claras. Estamos a viver uma grande crise de combustíveis. E se tivéssemos de apontar uma grande razão, diríamos o conflito no Médio Oriente, que foi iniciado com a atuação dos Estados Unidos e da sua presidência. Ainda me lembro daquele tempo em que André Ventura dizia com grande satisfação que tinha ido à tomada de posse de Trump. Agora que a gasolina está a 2 euros, até descobriu que Trump comete erros. Será disso que os portugueses querem quem aplaude primeiro e se arrepende depois? O radicalismo tem sempre um preço.

E tendo em conta esse cenário, acha justa a comparação que Pedro Passos Coelho traçou entre fazer, no tempo dele como primeiro-ministro, uma coligação com o CDS e agora fazer uma coligação com o Chega? 
A coligação que Pedro Passos Coelho fez foi com Paulo Portas. A coligação com o Chega será com André Ventura. A coligação que o PSD fez foi para nos salvar da bancarrota e pôr as contas públicas em ordem; não foi para mudar na idade da reforma, não foi para deixar de fazer contas, e foi uma coligação de responsabilidade, não foi uma coligação com irresponsáveis. Sinceramente, acho que essa comparação foi das coisas que mais me marcaram naquela entrevista.

"A comparação entre coligações com CDS ou Chega é ofensiva. Foi das coisas que mais me marcaram na entrevista de Passos"

“Sem o ‘não é não’, AD não ganhava as últimas eleições”

Já percebeu que reformas em concreto é que Passos Coelho quer implementar no país?
Sou paciente e aguardo por essas reformas. Diz-se que é preciso reformar a educação, alterações na educação e Pedro Passos Coelho disse isso, de facto. É preciso fazer reformas na área da saúde, é preciso ter competitividade. Agora, essas coisas não se fazem da noite para o dia, não se fazem num estalar de dedos. É preciso todo um caminho e é preciso ter o caminho que o eleitorado quis. Fazer aquilo que o eleitorado aponta não é cair numa armadilha, e o eleitorado apontou que queria três grandes blocos e queria a AD a governar, não um acordo com o Chega. Estou perfeitamente convencido que se o PSD tivesse posto no caixote do lixo o “não é não” a AD não tinha ganho as últimas eleições, tal como aconteceu em todo o histórico. E pior seria se algum dia fosse a eleições dizendo “não é não” e depois esquecesse e fizesse esse acordo com o Chega.

O que está a dizer pode ser verdade para a AD, para António José Seguro, mas ao mesmo tempo temos assistido a um crescimento consistente do Chega. Como é que se conjugam as duas ideias? 
Faço uma distinção entre o partido Chega e o seu eleitorado. Há um conjunto de eleitorado para o qual é necessário falar e para o qual é necessário estar atento. Desde logo, por exemplo, explicar de uma forma muito clara medidas da habitação, que é uma matéria que está a tocar muitas pessoas neste momento. As primeiras medidas foram de apoio social, foi tentar resolver uma urgência que os jovens tinham. Portanto, para esse eleitorado é preciso explicar que há aqui problemas que não vão ser resolvidos no curto prazo, é impossível, mas estamos a tomar estas medidas. Estamos a tomar as medidas dos impostos para favorecer um conjunto de classes sociais, desde logo a classe média, aquela que dizemos que tem que ter um elevador para poder crescer.

Reconhecerá que existe uma impaciência do eleitorado. O discurso de Pedro Passos Coelho não será capaz de canalizar essa impaciência? 
Não sei e faço um elogio grande a Pedro Passos Coelho porque não olha para este género de medidas de acordo com uma conjuntura de dificuldades, foi ele que disse “que se lixem as eleições”, pouco preocupado com a vertente eleitoral. Não vejo que seja alguém que possa pessoalmente agregar esse descontentamento. E, por isso mesmo, vejo com dificuldades que possa algum dia liderar um projeto que tenha o Chega e muito menos o que se diz agora vamos esperar por aquilo que vem da Associação Comercial do Porto. Primeiro, o estudo é um estudo da Associação Comercial do Porto, feito pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, por académicos e tem dois coordenadores: Pedro Passos Coelho e Sérgio Sousa Pinto. Estão a ver algum dia um programa que tenha a coordenação do Sérgio Sousa Pinto ser uma coisa que é utilizável pelo Chega? Eu não estou, sinceramente.

No essencial, o Governo assentou a sua estratégia na questão dos rendimentos, pensionistas, funcionários públicos, mais jovens, salário mínimo, mas continua com problemas a entregar resultados, por exemplo, na questão das creches, nas escolas, nos hospitais, nas casas, na competitividade da economia. A isto soma-se aquilo que se falava há pouco, a crise energética, que vai tornar tudo mais difícil. A AD não corre o risco de frustrar as expectativas de quem lhe deu esse voto?
Isso pode ser visto como um elemento objetivo porque em todas essas matérias é impossível dar resultados imediatos, nem em Portugal nem em qualquer lado do mundo. Vão-se dando resultados, que é uma coisa diferente, e as pessoas neste momento específico estão impacientes, mas já estiveram mais impacientes quando foi a questão da Ucrânia tínhamos níveis de inflação incomparáveis com aqueles que estamos a ter neste preciso momento. Outro ponto para se manter as contas públicas em ordem, porque evidentemente o Estado fica limitado em algumas das ações que levam a maior despesa. Tudo isso são pontos que com certeza levam a algum desgaste para quem está a exercer o poder. O que me parece importante é poder chegar ao final da legislatura, que acredito possa ser de facto mesmo no final do prazo e apresentar um relatório de atividades.

No próximo ano será fácil voltar a ver um Orçamento como este viabilizado? José Luís Carneiro voltará a colocar-se nesta posição? 
Com o andar do tempo é natural que documentos como o orçamento sejam mais difíceis de terem uma aprovação. O próximo Orçamento é o mais difícil desta legislatura, mas também temos um Presidente da República que quis afirmar que, para ele, a não aprovação de um Orçamento não tinha como consequência a demissão do governo e a convocação de eleições legislativas. Há sempre a possibilidade de se apresentar um outro, governar por duodécimos e isso vai ter que ser algo que vai ter que ser analisado na altura.

Mas José Luís Carneiro não terá a tentação, dessa ou de outra forma, de derrubar o governo antes do tempo? Mantendo-se as sondagens positivas pode não querer esperar por resultados bons do governo.
Vejo a política portuguesa como vários espelhos e espero que a certa altura elas não comecem a desfocar muito a visão de quem tem que a ter. Estivemos a falar sobre a entrevista de Pedro Passos Coelho, é provável que se tivéssemos aqui um comentador mais ligado à área do PS estivessem a falar de Mário Centeno. Mário Centeno cria uma pressão sobre o PS, curiosamente apresentando-lhe uma solução de bloco central. Não é filiado no PS, não poderia ainda ser secretário-geral, mas vem gerar esta situação; ao mesmo tempo, José Luís Carneiro tem um grupo parlamentar que objetivamente não foi ele que escolheu. Mas também acredito que é alguém capaz de resistir, que sabe que precisa de tempo, de apresentar ideias, de estudos. E é muito complicado para o líder do Partido Socialista ir a votos se houver a perceção que a responsabilidade é sua.

“Dava aula de Direito a António Costa”

Vamos passar ao bloco Carne ou Peixe, em que só pode escolher uma de duas opções. Quem colocava como capitão na sua equipa da liga Fantasy: Mário Centeno ou José Luís Carneiro?
Mário Centeno não conheço, mas há a figura do capitão e do vice-capitão; e punha como vice-capitão José Luís Carneiro.

Quem é que convidava para jogar um torneio de ténis de 24 horas: Gonçalo Matias ou António Leitão Amaro?
Convidaria os dois, também depende como estivesse a forma física deles. Tenho cumplicidades mais antigas, até do mundo académico, com o Gonçalo Matias, por isso chamava o Gonçalo Matias, mas se quisessem jogar os dois em pares contra mim estaria tudo bem.

A quem é que gostaria de dar uma aula de Direito: António José Seguro ou António Costa? 
Acho que não deveria dar ao Presidente da República e o António Costa é de Direito, e podia estar sempre a precisar de um refrescamento de matérias, até nas matérias de Direito da União Europeia, que é uma daquelas disciplinas que eu dou. Portanto, dava a António Costa. Seria possivelmente uma tarefa mais fácil para o professor.

Quem é que preferia ter ao seu lado num camarote no Estádio do Dragão: Fernando Alexandre ou Luís Neves?
Acho que o Fernando Alexandre é do Porto, mas não tenho a certeza. Ia para o Fernando Alexandre porque quando estamos a ver e a sofrer por um clube, precisamos daquele apoio, não precisamos muito de contrapontos.

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