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Nininho Vaz Maia enfrentou uma avassaladora sala completamente cheia e prova que tanto pode oferecer um momento intimista, como pular pelo palco a pedir palmas a um público capaz de cantar de cor todos os temas
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▲Nininho Vaz Maia enfrentou uma avassaladora sala completamente cheia e prova que tanto pode oferecer um momento intimista, como pular pelo palco a pedir palmas a um público capaz de cantar de cor todos os temas

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Nininho Vaz Maia enfrentou uma avassaladora sala completamente cheia e prova que tanto pode oferecer um momento intimista, como pular pelo palco a pedir palmas a um público capaz de cantar de cor todos os temas

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Com Nininho Vaz Maia, entre os bastidores e o palco: um fenómeno pop de pés descalços numa arena esgotada

Sem sapatos para se sentir "livre", chamou os filhos e a avó e cantou durante três horas — e foi da ansiedade à euforia. Reportagem com Nininho Vaz Maia na primeira de duas noites na Meo Arena.

O concerto leva mais de duas horas quando os músicos abandonam o palco. Não é o fim, longe disso: Nininho Vaz Maia ainda tem muito para oferecer às 16 mil pessoas que esgotaram a noite de sábado, a primeira de duas datas na Meo Arena (a segunda é este domingo, 16), em Lisboa.

Sobe um sofá branco, transportado por dois homens, um deles com farda policial. No ecrã é projetado um excerto do vídeo responsável por tudo o que está a acontecer atualmente. Em tronco nu, de calções, com uma guitarra no colo e uma pulseira eletrónica no tornozelo — foi assim que a primeira versão de Já Conheço o Teu Olhar foi parar ao YouTube (publicada em 2014 por uma prima, soma quase quatro milhões de visualizações) e se espalhou enquanto o misterioso cantor de olhos azuis que ninguém conhecia estava retido em casa, a cumprir uma pena de prisão domiciliária. A filmagem era amadora, mas a voz tinha já o timbre potente e afinado que continua a transformar em sucessos todos os temas que tem lançado desde então.

Em tronco nu, de calções (e não é repetição acidental), é assim que Nininho Vaz Maia desce um par de degraus do palco. Senta-se no sofá, coloca uma pulseira no tornozelo e começa a entoar Eu Conheço o Teu Olhar. “Tinha de viver esse momento”, garante mais tarde ao Observador. “Queria mostrar que não tenho vergonha, dar-me a conhecer àqueles que não sabiam como eu comecei, dar valor ao momento em que me encontro hoje.”

▲ “Temos de abrir as portas,”, avisa um técnico. São 20h em ponto, os ensaios da tarde de sábado atrasaram, mas ainda há tempo para Nininho Vaz Maia replicar o percurso até aos camarins

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A cena é poderosa, até porque Nininho Vaz Maia tem uma mensagem a passar. Rúben e Mário, sobrinho e irmão respetivamente — os homens que carregaram o sofá —, cresceram ambos num bairro problemático, são ambos polícias. “Quero dar-vos música, mas isto também é importante. Eles não negam quem são, nem de onde vêm”, justifica.

Por esta altura, o público já está rendido (já estava antes do concerto começar, convenhamos). Quando, mais à frente, uma guitarra portuguesa preenche sozinha a Meo Arena, as luzes do palco estão apagadas, deixando brilhar as milhares de pulseiras distribuídas à entrada, que vão piscando com a cor vermelha. Juntam-se os primeiros versos de Ai, Mouraria, fado popularizado Amália Rodrigues. Sentado, rodeado por alguns dos seus músicos, com os pés descalços, Nininho Vaz Maia enfrenta uma avassaladora sala completamente cheia e prova que tanto pode oferecer um momento intimista, como pular pelo palco a pedir palmas a um público capaz de cantar de cor todos os temas.

Martim, de oito anos, sabe os versos de Estou Chateado. De pé, dança e canta e grita a dada altura “Bora, Nininho, és o melhor”. Veio com os pais e a irmã, de 13, de Sesimbra. “Almoçámos e viemos. Estivemos lá fora desde as 17h até as portas abrirem, às 20h”, explica Patrícia Pinto, a mãe, ao Observador. O mesmo fizeram centenas de pessoas, que preencheram as filas à porta da Meo Arena muitas horas antes para garantir a proximidade do palco, já que não havia lugares marcados.

▲ “Sou dos Maias, sou dos Maias, sou dos Maias, sim, senhor”, cantam todos, acompanhados pelas guitarras, enquanto Nininho dá uns passos de dança no meio da roda

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Mais à frente, Adelaide Figueira, de 71 anos, só se senta em alguns temas mais calmos para recarregar baterias. Nos outros, canta e filma praticamente tudo. “Os vídeos são para enviar à minha neta, que está a trabalhar em Espanha”, conta ao Observador. Foi ela quem lhe mostrou Nininho Vaz Maia. “Olhe, menina, não sei explicar, eu olho para ele e sinto que podia ser meu neto. E depois canta desta maneira e dança. Eu sempre gostei de dançar e não é por ter esta idade que vou parar”, afirma ao Observador, enquanto o pé não para de bater no chão ao som dos acordes que chegam do palco.

Nininho é um fenómeno pop que ultrapassa idades e classes sociais. Cigano, oriundo da Picheleira, antiga Curraleira (um dos maiores e mais antigos bairros de barracas de Lisboa), tem no currículo um Disco de Platina (que conquistou com Raízes, o primeiro álbum), coliseus esgotados em Lisboa e no Porto, milhares de visualizações nas várias plataformas digitais e agora a consagração na Meo Arena.

Mentor na televisão e no bairro

“Temos de abrir as portas, as pessoas estão a ficar impacientes”, avisa um técnico. São 20h em ponto, os ensaios da tarde de sábado atrasaram, mas ainda há tempo para Nininho Vaz Maia replicar o percurso que o levará dos camarins, seguido por uma câmara, enquanto o público já estiver a ver nos ecrãs um breve vídeo introdutório que culmina na subida ao palco da Meo Arena, com uma língua que se prolonga até um terço da sala.

▲ "Estou ali à frente de 16 mil pessoas, com tanta luz parece que estou no espaço, é surreal. Há tantos bons cantores e fui eu o escolhido, só tenho de agradecer”

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Nas últimas horas, afinaram-se guitarras, definiram-se marcações, arrancou-se o plástico que cobria o palco branco e varreu-se o chão. Perante dezenas de pessoas que, em passo apressado, executam as respetivas tarefas, Nininho Vaz Maia parece sempre sereno. “Parece” é a palavra correta. Com o microfone numa mão e uma garrafa de água na outra, finge bastante bem, mas por dentro vai controlando uma bola de ansiedade que só acalmará horas mais tarde.

“Estava a cantar por instinto, embrulhei-me todo”, desculpa-se no final de um tema. “Tózé, baixa um bocadinho a guitarra portuguesa”, pede noutro. “Estão confortáveis, têm alguma dúvida?”, questiona Victoria e Alícia, duas jovens que irão partilhar com ele a canção Despertar. A primeira foi a vencedora da edição de 2024 do concurso The Voice Kids, da RTP, tendo Nininho Vaz Maia como mentor.

O cuidado que tem com os mais novos é notório aqui, como mais tarde num momento que partilhará com alguns fãs em palco, e vem de trás, provavelmente da época em que foi monitor de jovens e crianças no seu antigo bairro. Jovens esses, hoje adultos, que o cantor fez questão de ter na Meo Arena. “Estão cá hoje e estarão amanhã. Ainda hoje digo que foi dos meus melhores trabalhos. Agora consigo perceber isso, antes não percebia porque era demasiado novo. Hoje vejo o quanto me ensinam e tenho esse bichinho cá dentro, não o perco”, diz ao Observador.

▲ Em tronco nu, de calções, com uma guitarra no colo e uma pulseira eletrónica no tornozelo, recriou o vídeo da primeira versão de "Já Conheço o Teu Olhar"

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Às 20h08, quando Nininho Vaz Maia atravessa a porta para os bastidores, outras portas, as do público, abrem-se e os primeiros fãs ocupam os lugares pelos quais esperaram horas.

Descalço para se sentir livre

I’ll Be Missing You é o tema que o quarteto de cordas escolhe para fazer o aquecimento. Estamos no corredor, à porta do camarim de Nininho Vaz Maia, faltam sete minutos para as 21h30, hora marcada para o arranque do espetáculo. O tom muda quando o cantor sai da sala onde esteve com a família nos últimos momentos.

“Sou dos Maias, sou dos Maias, sou dos Maias, sim, senhor”, cantam todos, acompanhados pelas guitarras, enquanto Nininho dá uns passos de dança no meio da roda. O casaco de cabedal preto, a T-shirt cinzenta, as calças e os ténis brancos dos ensaios deram lugar a um look pensado para brilhar — literalmente. Os sapatos pretos têm uma biqueira prateada, as calças são de cetim preto e a camisa, com um generoso decote, tem fileiras de brilhantes.

As decisões do guarda-roupa estão nas mãos de Triana Marin, mulher de Nininho Vaz Maia. Mas não é só isso que depende dela. Além de alguns temas que ajudou a compor, é agente e a mente por detrás da organização dos espectáculos deste fim-de-semana. “Começámos a pensar no conceito um ano antes, mas a verdadeira correria começa nos dois ou três meses anteriores”, revela ao Observador. Pelo palco distribuem-se 11 músicos, apoiados por uma equipa técnica de 80 ou 90 pessoas que durante dois dias tem de assegurar que nada falha. De auriculares nos ouvidos, Triana está sempre atenta. É rápida a resolver problemas e a dar respostas. Pergunto-lhe se já trabalhava nesta área antes de conhecer Nininho Vaz Maia. “Não, trabalhava numa fábrica de peças de automóvel.”

▲ “Foi longo, foi o primeiro concerto e há coisas a limar, mas teve muita energia e gosto de ser natural mesmo em cima do palco", disse no final

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Neste casal, que se conheceu há oito anos “através das redes sociais, por causa da música”, o dom inato de um é equivalente ao do outro. Nininho Vaz Maia também nunca tinha composto uma música até juntar os primeiros acordes de Já Conheço o Teu Olhar, em 2014. A ascensão foi rápida, o cantor sabe disso, mas faz de questão de lembrar a dedicação de todos os que o acompanham no brinde com os músicos e a equipa minutos antes de começar o concerto que será um marco importante no seu percurso.

“Se hoje me sinto mais profissional, se hoje me sinto melhor pessoa, é graças a vocês. Quero que não estejam nervosos, nós trabalhámos para isto”, garante, enquanto lembra como a música pode impactar quem os ouve. “A todos os que estão ali, os mais necessitados, quero que a minha voz e as vossas notas possam aquecer o coração de todos eles.”

Um “olé” dá o sinal de partida. Que comece a festa na Meo Arena. Bebé, Metamorfose e o mais recente Teus Beijos deixam poucas pessoas sentadas. Os telefones fazem diretos para o Instagram, as pulseiras piscam em momentos específicos, seis bolas de espelhos penduradas no teto indicam que é hora de dançar. Nem meia dúzia de canções passam até que Nininho Vaz Maia se desfaça dos sapatos e é assim, descalço, que se mantém nas horas seguintes.

“Acho que, involuntariamente, já é a minha marca. Descalço-me muitas vezes em palco porque às vezes uso sapatos novos e não gosto. A verdade é que gosto de me sentir livre. Sei que a dada altura do concerto, o meu corpo me vai pedir isso”, explica-nos no fim do concerto.

▲ O cuidado que tem com os mais novos é notório, como mais tarde num momento que partilhará com alguns fãs em palco

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Onde Nasci é o tema que dedica à família, sobretudo aos pais, que estão na plateia e gostam de se manter na sombra. Estarem presentes é o suficiente, confessa: “Não são muito expansivos ou não dizem na totalidade as coisas, mas sei que estão muito orgulhosos de mim e de tudo o que estou a fazer. Fiz esta música a pensar neles, no bairro de onde eles vieram e onde eu queria ter crescido.”

Os pais estão juntos desde os 11 anos, eram vizinhos. Ele cigano, ela não cigana, tiveram três filhos e passaram pelas quase inevitabilidades de quem ali vivia. O pai foi preso à frente dele, uma experiência que teve um impacto profundo em Nininho, na altura com 10 ou 11 anos, mas que também era “normal”. Era o que acontecia a toda a gente ali e era o que, certamente, lhe aconteceria um dia também.

Avelino Abel Vaz Maia: assim foi batizado quando nasceu a 25 de fevereiro de 1988 na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. Deixou a escola aos 16 anos, trabalhou numa empresa de táxis, na IKEA e foi monitor de jovens. Porém, a revolta e o sentimento de exclusão também o atiraram para uma série de delitos que culminaram numa detenção após uma rixa entre grupos. Sentença: prisão domiciliária. No meio do caos interior que se formou por estar isolado, apareceu o talento que nem sabia que tinha e o vozeirão (não há outra forma de descrevê-lo) de Nininho Vaz Maia fez o que tinha a fazer e levou-o a milhões de pessoas. Acredita que foi protegido e que é abençoado. Mas também soube pegar na oportunidade e, com trabalho, transformá-la numa carreira de sucesso.

A avó Requeta emociona 16 mil pessoas

A meio do tema Gosto de Ti deixa escapar a pergunta “porquê eu?”, questionando o momento. “Durante muito tempo não acreditei. Hoje sei que mereço, mas sai-me naturalmente. Estou ali à frente de 16 mil pessoas, com tanta luz parece que estou no espaço, é surreal. Há tantos bons cantores e fui eu o escolhido, só tenho de agradecer.”

▲ Gratidão é uma palavra que usa frequentemente durante a noite e a voz quase lhe falha quando sobe ao palco outra das figuras mais importantes da sua vida, a avó Requeta

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Gratidão é uma palavra que usa frequentemente durante a noite e a voz quase lhe falha quando sobe ao palco outra das figuras mais importantes da sua vida, a avó Requeta, que começa por aparecer num vídeo projetado nos ecrãs gigantes a acenar à janela. Se a emoção começa a tomar conta da sala perante essas imagens, não há olhos secos quando Requeta, de 88 anos, segue palco fora para se juntar aos dois netos (Popinho Maia acompanha Nininho na guitarra). Chora ela, abraçada ao neto, e choram muitos na Meo Arena perante a o momento: a avó, de figura frágil, toda vestida de preto, incluindo um lenço na cabeça, acena timidamente ao público.

Os fãs de Nininho Vaz Maia têm direito a todos os sucessos, desde E Agora — que até Cristiano Ronaldo já improvisou com o cantor — até Calon, passando por Soy Gitano, numa longa noite, tal como o próprio Nininho Vaz Maia a descreveu no final das mais de três horas de espetáculo. “Foi longo, foi o primeiro concerto e há coisas a limar, mas teve muita energia e gosto de ser natural mesmo em cima do palco.”

É por isso que desce de vez em quando, distribui beijos e abraços e até troca de roupa sem ir aos bastidores. Para surpresa de todos, escolhe cinco fãs ao acaso para subirem ao palco. “Quem é que canta bem? Não me enganem”, pede. A mais nova não deve ter mais de oito anos e talvez não tenha bem noção do que lhe está a acontecer, mas, para os outros, o brilho nos olhos denuncia que esta passará a ser uma noite memorável. “Acho que devo isso aos meus fãs, partilhar o palco com eles. Para mim é gratificante”, revela ao Observador.

Também os filhos de Nininho Vaz Maia se juntam a ele. Cristiano, de 17 anos; Ionara, de 15; e Fabiano, de 7, não têm vergonha e herdaram os genes vocais do pai. “O Fabiano é o mais corajoso. Por ele, cantava o concerto todo.” Cristiano Maia até já gravou um tema com o pai, Gosto de Ti, mas, pelo menos para já, prefere fazer carreira como futebolista — faz parte do plantel do Estrela da Amadora.

▲ São 00h48, Nininho Vaz Maia agradece de joelhos enquanto ainda se ouvem em loop os versos de Calon, “eu vivo à minha maneira”

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Um medley que partilha na parte mais avançada do palco com as guitarras, a guitarra portuguesa e a percussão acontece à volta de uma mesa de madeira com copos de vinho. Há brindes e uma voz gutural que concede um ambiente intimista e nostálgico de uma tasca típica e nostálgica. Por esta altura, Martim já foi derrotado pelo cansaço e dorme ao colo do pai. Mas mais atrás, Sofia, de 12 anos, levanta-se para dançar e cantar aos primeiros acordes de Soy Gitano. “Conheço o Nininho do The Voice, é o meu cantor preferido”, explica-me à saída. Convenceu a mãe, Paula, a vir com ela. “Moramos em Entrecampos, viemos de metro, já comemos pipocas, fizemos disto uma saída só de mãe e filha.”

Sofia, que já juntou a pulseira de luzes às outras cinco pulseiras da amizade cheias de missangas e com os nomes das amigas que tem no pulso, agita os braços no ar e canta: “Deixem-me ser como sou, nem todos somos iguais”. A letra é transversal, mas o significado tem ainda mais impacto em Jessica, que chora copiosamente num tema de fala de festa. “Sou cigana”, conta, quando a questiono mais tarde sobre a emoção que a canção lhe provoca. “Tenho 25 anos, a minha mãe já cá não está, mas nasceu na Curraleira. O Nininho é um de nós, acho que somos todos nós ali em cima.”

São 00h48, Nininho Vaz Maia agradece de joelhos enquanto ainda se ouvem em loop os versos de Calon, “eu vivo à minha maneira”. À maneira de Nininho Vaz Maia, a Meo Arena encheu-se de ritmos ciganos, de flamenco e de fado. A noite foi longa, mas ninguém desistiu antes de acabar a festa. Adelaide sobe as escadas de mão dada com as duas vizinhas, que vieram com ela da Amadora. Pela manhã, a neta terá o telefone inundado de vídeos.

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