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"Era demasiado orgulhoso para admitir que a minha vida não era perfeita": os segredos, os excessos e a glória de Elton John /premium

Como a década de 70 deu tudo e ao mesmo tempo quase tirou tudo a Elton John. O Observador faz a pré-publicação da autobiografia do músico inglês, que é publicada em Portugal a 14 de novembro.

É um dos nomes maiores da história da música pop. Graças às canções e aos álbuns intemporais e influents que gravou, mas também pela forma plena com que viveu o estrelato. É um dos exemplos máximos de criatividade ao serviço da composição e da interpretação. Ao mesmo tempo, vestiu como ninguém a pele de estrela. De tal maneira que tornou-se impossível separar o homem do artista, a vida privada e a vida pública transformaram-se numa só. A dada altura da vida de Elton John, já não existia Reginald Kenneth Dwight, o nome verdadeiro do artista total nascido a 25 de março de 1972.

“Eu” é a autobiografia (escrita com a ajuda de Alexis Petridis, jornalista do The Guardian) que é publicada em português a 14 de novembro, pela Porto Editora, depois de se ter transformado num best seller no Reino Unido e nos EUA. Elton John revela segredos, viaja no tempo, da infância à atualidade. Lembra gravações de discos e digressões, descidas ao inferno e recuperações impossíveis. Amores, ódios e histórias aparentemente impossíveis. O Observador faz a pré-publicação de “Eu”, com um excerto que descreve parte daquilo que Elton John viveu na década de 70, a mais criativa, importante e, ao mesmo tempo, difícil da vida do músico.

A capa da edição portuguesa da autobiografia de Elton John (Porto Editora)

Gravar o álbum Captain Fantastic acabou por ser tão fácil como compô-lo. As sessões de gravação foram canja: voltámos ao Caribou no verão de 1974 e gravámos as músicas na ordem em que aparecem no álbum, como se estivéssemos a contar uma história. Lançámos dois singles, uma versão da “Lucy In The Sky With Diamonds”, com o John a tocar guitarra e a fazer segundas vozes, e “Philadelphia Freedom”, que é uma das poucas músicas que encomendei ao Bernie. Normalmente, ele escrevia sobre o que lhe apetecia – percebemos que não era possível escrever por encomenda no tempo em que tentámos escrever singles para o Tom Jones e para a Cilla Black e falhámos miseravelmente –, mas a Billie Jean King pediu-me que escrevesse uma música para a equipa de ténis dela, os Philadelphia Freedoms. Não pude recusar: eu adorava a Billie Jean. Tínhamo-nos conhecido numa festa em Los Angeles no ano anterior, e ela tornou-se imediatamente numa das minhas melhores amigas. Parece uma comparação estranha, mas ela e o John Lennon eram muito parecidos. Eram ambos incrivelmente focados, amáveis, tinham um sentido de humor excelente, e acreditavam mesmo que podiam usar a fama que tinham para mudar o mundo. O John estava envolvido na política, a Billie era uma pioneira do feminismo, dos direitos dos homossexuais e dos direitos das mulheres no desporto, não só no ténis. As grandes estrelas de ténis femininas deviam agradecer-lhe, porque foi ela quem teve a coragem de dar a volta às coisas quando venceu o US Open e disse: “as mulheres têm de receber o mesmo prémio monetário que os homens recebem, ou eu não jogo no próximo ano”. É a maior.

É compreensível que o Bernie não estivesse encantado com a ideia de escrever uma música sobre ténis – não é propriamente o tema ideal para uma música pop – por isso, decidiu escrever sobre a cidade de Filadélfia. O que acabou por funcionar às mil maravilhas, porque a canção tem influências da música que se fazia em Filadélfia nessa altura: O’Jays, MFSB, Harold Melvin And The Blue Notes. Essa era a música que eu ouvia quando ia a bares gays em Nova Iorque: ao Crisco Disco, ao Le Jardin e ao 12 West. Adorava-os, embora me tivessem barrado a entrada no Crisco Disco uma vez. E eu até estava na companhia da Divine, a lendária drag queen. Eu sei, eu sei, parece impossível alguém ter recusado a entrada do Elton John e da Divine num bar gay. Mas ela estava com uma túnica e eu com um casaco às cores, e eles disseram que a nossa roupa era exagerada: “Acham que isto é o Halloween ou quê?”

[o álbum “Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy”, de 1975:]

Ninguém ia para aqueles bares engatar tipos, ou pelo menos eu não ia. Só ia lá para dançar e, se acabasse com alguém ao final da noite, ótimo. Não consumia droga naqueles lugares, à exceção de poppers, esporadicamente. Não era preciso droga porque a música era suficiente: “Honey Bee”, da Gloria Gaynor, “I’ll Always Love My Mama”, dos The Intruders. Discos fabulosos, música verdadeiramente inspiradora e arrojada. Conseguimos que o Gene Page, que fez os arranjos de todos os discos do Barry White, ficasse a cargo dos arranjos de cordas na “Philadelphia Freedom”, e tanto o som como o estilo ficaram perfeitos. De certeza que ficaram porque, uns meses depois de a lançarmos, os MFSB fizeram uma versão da música e deram o mesmo nome ao álbum.

Levei a banda nova para Amesterdão para ensaiarmos. Os ensaios correram lindamente – a banda era fantástica – mas os dias de folga eram uma balbúrdia: porque éramos igualmente fantásticos a consumir droga. O Tony King apareceu lá com o Ringo Starr e fomos todos fazer uma viagem de barco pelos canais que rapidamente degenerou num gigantesco festim de droga, absolutamente libertino.

“Philadelphia Freedom” foi platina nos EUA, e uns meses depois, o Captain Fantastic tornou-se o primeiro álbum da história a entrar diretamente para o número um das tabelas de vendas dos EUA. Em 1975 eu estava em todo o lado. Não era só na rádio: era em todo o lado. Em salões de jogos – a Bally fez uma máquina de flippers em homenagem ao Captain Fantastic. Nos canais de televisão direcionados ao público negro, fui um dos primeiros artistas brancos a ser convidado para aparecer no Soul Train. Fui entrevistado pelo extraordinariamente descontraído Don Cornelius, que adorou a minha roupa, outra criação do Tommy Nutter, desta vez com umas enormes lapelas e riscas castanhas e douradas: “Onde é que arranjaste esse fato?”

Mas eu continuava a querer avançar. Decidi mudar a banda e despedir o Dee e o Nigel. Telefonei-lhes para lhes dar eu mesmo a notícia, e eles reagiram bastante bem – o Dee ficou mais chateado do que o Nigel, mas não tivemos nenhuma discussão nem ficou nenhuma mágoa entre nós. Quando penso nisso, sinto-me pior agora do que na altura. Eles devem ter ficado de rastos – tocavam comigo há anos e estávamos no pico das nossas carreiras. Na altura, eu estava sempre a querer mudar e senti que tínhamos de renovar o nosso som: torná-lo mais funk, mais pesado. Contratei o Caleb Quaye para a guitarra e o Roger Pope para a bateria, que tinham tocado no Empty Sky e no Tumbleweed Connection, e arranjei dois músicos de estúdio americanos, o James Newton Howard e o Kenny Passarelli, para o teclado e para o baixo.

Também experimentei outro guitarrista americano, mas não foi um sucesso. Em primeiro lugar, porque musicalmente a experiência não funcionou, e em segundo lugar porque ele assustou o pessoal todo quando disse que gostava de sodomizar galinhas e depois cortar-lhes a cabeça. Pelos vistos elas contraem o esfíncter quando se lhes corta o pescoço, o que o fazia ejacular. Não consegui descobrir se ele tinha um sentido de humor absolutamente horrível ou uma vida sexual completamente horrenda. O rock and rol não tem muitas regras, mas ainda vai tendo algumas: seguir o instinto musical, ler as letras pequeninas antes de assinar o que quer que seja e, se possível, não formar uma banda com alguém que enraba galinhas e lhes corta a cabeça. Ou que fale sobre isso. Não deve ser fácil dividir um quarto de hotel com alguém assim.

E havia mais um problema. O casamento do Bernie com a Maxine tinha terminado e ela estava a ter um caso com o Kenny Passarelli. Portanto, o meu novo baixista andava enrolado com a mulher do meu letrista. É evidente que foi horrível para o Bernie, mas eu tinha demasiadas coisas a acontecerem na minha vida para me intrometer nos relacionamentos dos outros.

Levei a banda nova para Amesterdão para ensaiarmos. Os ensaios correram lindamente – a banda era fantástica – mas os dias de folga eram uma balbúrdia: porque éramos igualmente fantásticos a consumir droga. O Tony King apareceu lá com o Ringo Starr e fomos todos fazer uma viagem de barco pelos canais que rapidamente degenerou num gigantesco festim de droga, absolutamente libertino. Receio que a beleza estética do Grachtengordel tenha passado totalmente despercebida naquele dia. Estávamos todos demasiado ocupados a inalar cocaína e a lançar o fumo dos charros para a boca uns dos outros. O Ringo ficou tão pedrado que, a certa altura, perguntou-me se podia fazer parte da banda. Pelo menos foi o que as pessoas me contaram depois – eu não me lembro de nada. Se foi verdade, é muito provável que o Ringo se tenha esquecido do que disse noventa segundos depois de as palavras lhe terem saído da boca.

Elton John em palco em 1974

Rocket Entertainment

Uma das razões pelas quais eu andava a consumir tanta droga era o facto de estar com o coração despedaçado. Tinha-me apaixonado por alguém que era heterossexual e não era correspondido. Passei tanto tempo no quarto de hotel a chorar e a ouvir a música “I’m Not in Love” dos 10CC que o Tony mandou fazer um disco de ouro para me oferecer: para o Elton John, pela proeza de ouvir a “I’m Not in Love” um milhão de vezes.

Desde que terminara a minha relação com o John, a minha vida pessoal tinha sido mais ou menos um desastre. Apaixonava-me constantemente por heterossexuais, andava sempre atrás do que não podia ter. E às vezes as paixonetas duravam meses e meses, a par da insanidade de acreditar que um dia receberia um telefonema a dizer: “ah, já agora, queria só dizer-te que estou apaixonado por ti”, depois de me terem dito que tal nunca seria possível.

Ou então via alguém que me interessava num bar gay e, antes mesmo de trocarmos duas palavras, já eu estava perdidamente apaixonado e absolutamente convencido de que aquele amor estava escrito nas estrelas. Conseguia imaginar a nossa vida inteira juntos. Era sempre o mesmo tipo de pessoa. Louro, de olhos azuis, bonito e mais novo do que eu, para que eu pudesse mimá-lo com uma espécie de amor paternal – talvez o tipo de amor que não tive quando era miúdo. Mais do que engatá-los, tornava-os meus reféns. “Muito bem, tens de largar a tua vida toda e vir para a estrada comigo, viajar pelo mundo inteiro.” Comprava-lhes relógios, roupa, carros, mas eles acabavam por não ter outro objetivo de vida para além de estarem comigo, e eu estava sempre ocupado, por isso eles acabavam por ficar para segundo plano. Na altura não me apercebi disto, mas eu estava a impedi-los de viverem as suas próprias vidas. E três ou quatro meses depois, eles ressentiam-se disso, ou eu deixava de lhes achar piada e acabava tudo numa choradeira. A seguir, pedia a alguém que os despachasse para começar tudo outra vez. Era um comportamento absolutamente horrível: às vezes pedia que largassem um no aeroporto enquanto outro já estava a chegar.

Era uma época decadente e havia várias outras estrelas pop a comportarem-se da mesma maneira – o Rod Stewart costumava mostrar às raparigas que estava tudo acabado deixando-lhes um bilhete de avião na cama, portanto, também não era nenhum cavalheiro. Mas, no fundo, eu sabia que aquilo não se fazia.

Mas eu tinha de ter uma muleta, alguém com quem conversar. Não suportava estar sozinho. Não havia momentos de solidão, de reflexão. Tinha de estar sempre acompanhado. No fundo continuava a ser o mesmo puto de Pinner Hill Road. Todos aqueles acontecimentos, os concertos, os discos e o sucesso eram fantásticos, mas quando estava longe daquilo tudo, não era um adulto, era um adolescente. Estava completamente enganado ao acreditar que mudar o meu nome seria o suficiente para mudar como pessoa. Eu não era o Elton, era o Reg. E o Reg continuava a ser o mesmo miúdo que era quinze anos antes, escondido no quarto enquanto os pais discutiam: inseguro, complexado e sem nenhuma autoestima. Eu não queria voltar a ser o Reg quando me ia deitar. Se o fizesse, a tristeza ter-me-ia consumido.

Uma noite, enquanto gravava com a banda nova nos estúdios Caribou, tomei doze comprimidos Valium antes de me deitar. Não me lembro bem por que motivo o fiz, mas o mais certo é que tenha sido por um caso amoroso qualquer que correu mal. Quando acordei no dia seguinte, entrei em pânico, corri escada abaixo e telefonei à Connie Pappas, que trabalhava com o John Reid, a contar-lhe o que tinha feito. Enquanto falava com ela, desmaiei. O James Newton Howard ouviu-me cair ao chão e levou-me para o quarto. Chamaram um médico que me prescreveu uns comprimidos para os nervos. Olhando para trás, parece uma solução estranha para alguém que acabou de tentar suicidar-se com uma mão-cheia de comprimidos para os nervos, mas deve ter funcionado, pelo menos a curto prazo, porque conseguimos terminar as gravações.

"Esse era outro dos motivos pelos quais eu consumia tanta cocaína: descobri que era um afrodisíaco, o que é estranho, porque a maioria das pessoas nem sequer consegue ter uma ereção depois de a inalar. Mas para mim isso nunca foi um problema. Muito pelo contrário."

O primeiro concerto da nova banda foi no Estádio de Wembley, no dia 21 de junho de 1975. Foi numa espécie de festival chamado Midsummer Music. Fui eu mesmo que escolhi o cartaz: uma banda chamada Stackridge que tinha assinado com a Rocket, Rufus com Chaka Khan, Joe Walsh, os Eagles e os Beach Boys. Eram todos magníficos. O público adorou. Eu toquei o Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy do início ao fim, as dez músicas. Era o maior concerto da minha vida. Estava tudo perfeito – o som, as bandas de apoio, até o tempo estava bom. E foi um autêntico desastre.

Aprendam comigo. Quando se sobe ao palco depois dos Beach Boys – cujo concerto praticamente só inclui sucessos de um dos catálogos mais amados da história da música pop – é mesmo muito má ideia tocar dez músicas novas de um álbum com apenas duas semanas que o público, obviamente, não conhece. Infelizmente, eu aprendi esta lição vital durante a minha atuação em Wembley, mais precisamente na terceira ou quarta música, quando reparei numa certa inquietude por parte da multidão, a mesma inquietude que se vê num grupo de miúdos que assiste a uma palestra qualquer demasiado longa na escola. Mas seguimos em frente. O som estava maravilhoso – como já disse, a banda era muito boa. As pessoas começaram a sair. Eu fiquei aterrorizado. Há anos que não perdia uma audiência. Veio-me à cabeça a sensação de estar em palco com o Long John Baldry quando ele insistia em tocar o tema “The Treshing Machine” ou imitar a Della Reese.

A solução mais óbvia era tentar dar a volta à coisa e tocar os êxitos. Mas eu não podia fazê-lo. Em primeiro lugar por uma questão de integridade artística, e em segundo, porque assim que subi ao palco fiz um grande discurso a anunciar que ia tocar o álbum na íntegra. Não podia de repente começar a tocar a “Crocodile Rock”. Merda. Tinha de continuar até ao fim. Até já conseguia imaginar as críticas no dia seguinte, e ainda só tinha tocado meia hora. Mas continuámos. As músicas eram maravilhosas. Foram saindo mais pessoas. Comecei a pensar na festa de celebração que tínhamos planeado fazer depois do concerto. Ia estar cheia de celebridades que supostamente teriam ficado deslumbradas com o meu desempenho: a Billie Jean, o Paul McCartney, o Ringo Starr. Espetacular. Estou a fazer merda diante de 82 000 pessoas e de metade dos Beatles.

Eventualmente acabámos por tocar alguns êxitos. Mas era tarde de mais, como a crítica salientou com toda a legitimidade. Voltámos para os EUA depois de aprendermos uma lição acerca do perigo de querer manter a integridade artística a todo o custo e de ficarmos com a certeza de que ninguém, por mais famoso que seja, está livre de fazer má figura.

Estava a passar cada vez mais tempo nos EUA, de tal forma que começava a fazer sentido arrendar uma casa em Los Angeles. Encontrei uma em Tower Grove Drive, que acabei por comprar mais tarde. De arquitetura colonial espanhola, a casa tinha sido construída para a estrela do cinema mudo, John Gilbert, que viveu ali na altura em que teve um caso com a Greta Garbo. Havia uma cabana no jardim junto a uma cascata, onde, alegadamente, a Greta Garbo dormia quando queria estar sozinha.

Ao vivo em New Orleans

Ben Gibson

Era um bairro pacato, embora uma casa perto da minha tivesse ardido pouco depois de eu me mudar para lá. Supostamente, o incêndio deflagrou porque o proprietário estava a preparar base livre de cocaína, algo que eu desaprovava firmemente. Quem cozinhava droga eram os drogados, algo que – graças a uma lógica interior incrivelmente complexa – eu tinha descoberto que não era, apesar de todas as provas indicarem o contrário. Ficava acordado uma noite inteira sob o efeito da coca, mas depois não lhe tocava durante seis meses. Logo, não era viciado. Estava tudo bem.

A casa era lindíssima e eu contratei uma empregada chamada Alice para olhar por ela, e por mim, quando estava de ressaca. Enchi-a com todas as coisas que colecionava – art nouveau, art déco, móveis Bugatti, candeeiros Gallé, Lalique, posters incríveis – mas só vivia efetivamente em três divisões: o meu quarto, a sala da televisão e a sala do bilhar. Para ser franco, usava a sala do bilhar maioritariamente para a arte da sedução. Quem perdia, tirava uma peça de roupa! Normalmente funcionava, principalmente depois de umas linhas de coca.

Esse era outro dos motivos pelos quais eu consumia tanta cocaína: descobri que era um afrodisíaco, o que é estranho, porque a maioria das pessoas nem sequer consegue ter uma ereção depois de a inalar. Mas para mim isso nunca foi um problema. Muito pelo contrário. Às vezes tinha ereções que duravam dias, se inalasse cocaína suficiente. E agradava-me todo aquele mundo de fantasia: eu fazia coisas sob o efeito da droga que nunca teria tido coragem de fazer ou experimentar se estivesse sóbrio. Não havia lugar para inibições. Nem para os homens heterossexuais, às vezes. Depois de umas linhas, faziam coisas impensáveis. Depois arrependiam-se, de manhã – e às vezes alguns voltavam para mais.

Mas eu nunca gostei muito de sexo. Era um voyeur, gostava mais de observar. E cedia à minha perversão, arranjando dois ou três tipos para fazerem coisas enquanto eu me limitava a olhar. Tirava prazer sexual dessas situações; juntava um grupo de pessoas que em situações normais não teriam relações sexuais umas com as outras e ficava a vê-las envolverem-se. Mas eu não participava. Só observava, tirava fotografias, organizava as coisas. O único problema é que eu estava sempre preocupado com a casa, por isso às vezes eles enrolavam-se em cima do bilhar e eu desatava aos gritos: “Não te venhas para cima do feltro!”, o que normalmente arruinava o momento. A minha falta de interesse em sexo é o motivo pelo qual nunca apanhei o vírus HIV. Se não fosse isso, quase de certeza que já não estaria aqui hoje.

Tower Grove Drive transformou-se numa casa de grandes festas, o lugar onde toda a gente acabava a noite. Los Angeles era o centro da indústria musical em meados da década de setenta, e a cidade onde se encontravam bares gays absolutamente fantásticos: o After Dark e o Studio One. O primeiro era uma discoteca, muito underground, o segundo era um cabaré. Foi lá que vi a Eartha Kitt, que eu adorava quando era pequeno, embora, para ser franco, não a tenha visto atuar. Fui ao camarim conhecê-la antes do espetáculo e a primeira coisa que ela me disse foi: “Elton John. Nunca gostei de nada que tenhas feito.” A sério? Bom, obrigado pela franqueza. Acho que vou para casa.

"Tinha dois concertos agendados para o Dodger Stadium com uma lotação de 55 000 pessoas em cada dia. Já tinha tocado para multidões maiores – estavam 82 000 pessoas no Estádio de Wembley, pelo menos antes de decidirem que já tinham ouvido o suficiente, e começarem a sair –, mas os concertos no Dodger Stadium pareciam-me o auge da minha carreira. Eu seria o primeiro artista a atuar lá desde os Beatles, em 1966."

Quando a Dusty Springfield estava em Los Angeles, íamos ao roller derby ver as LA Thunderbirds. Era tão camp e fabuloso, tudo coreografado, como no wrestling, mas as lésbicas adoravam aquilo – basicamente era um monte de fufas em patins, à porrada umas com as outras. Organizávamos almoços e jantares fantásticos. Uma vez o Franco Zeffirelli veio almoçar lá a casa e contou-nos que os amigos mais chegados lhe chamavam Irene. O Paul Simon e o Art Garfunkel jantaram lá uma noite e depois ficámos a jogar às charadas. Ou pelo menos tentámos jogar às charadas. Eles não tinham jeito nenhum para aquilo. A única coisa que posso dizer a favor deles é que jogavam melhor do que o Bob Dylan, que nem sequer conseguia perceber a parte do “quantas sílabas tem?” Aliás, agora que penso nisso, nem conseguia recorrer ao “soa como”. Um dos melhores letristas do mundo, o maior homem de letras da história da música rock, nem sequer sabia dizer se uma palavra tinha uma ou duas sílabas, ou dar o exemplo de algo que rimasse com a palavra em questão! Era tão mau que eu comecei a atirar-lhe laranjas à cabeça. Pelo menos foi o que o Tony King me disse na manhã seguinte ao telefone, tentando conter o riso. Ninguém quer receber um telefonema daqueles quando está de ressaca. “Bom dia, querido, lembras-te de teres atirado laranjas ao Bob Dylan ontem à noite?” Que vergonha.

Mas Los Angeles também tinha qualquer coisa de estranho e sombrio. Os assassinatos de Manson, seis anos antes, ainda assombravam o local. Havia no ar a sensação de que ninguém estava realmente seguro, nem numa casa grande, em Beverly Hills. Hoje em dia, toda a gente tem seguranças e sistemas CCTV, mas na altura ninguém tinha nada disso, nem os ex-Beatles, e foi por isso que eu acordei uma manhã e dei de caras com uma rapariga sentada aos pés da minha cama, a olhar para mim. Não podia levantar-me porque dormia sempre nu. A única coisa que consegui fazer foi gritar-lhe para que saísse imediatamente dali. Ela não disse nada, limitou-se a continuar de olhos pregados em mim, o que foi pior do que se tivesse falado. Eventualmente, a Alice apareceu e tirou-a de lá. Apanhei um susto de morte – até hoje não sei como é que ela entrou em minha casa.

Mas não era preciso uma maluquinha dessas para nos lembrarmos do lado obscuro de Los Angeles. Uma noite fui ver um concerto dos Average White Band, no Troubadour. Eles eram tão bons que eu subi ao palco e improvisei um bocado com eles, arrastando comigo a Cher e a Martha Reeves. Depois do concerto levei a banda a um sítio chamado Le Restaurant, onde a comida era ótima e ninguém criticava comportamentos mais ousados: a gerência nem sequer empalidecera no aniversário do John Reid, o que me pareceu uma atitude extremamente tolerante, uma vez que um dos amigos do John decidiu entrar no restaurante com o presente de aniversário, um cavalo, que obrou imediatamente no chão. Ficámos lá até às seis da manhã. Adorei estar com eles, uma banda de jovens músicos britânicos, prestes a tornarem-se famosos, a fazerem uma residência no Troubadour e atordoados com a ideia de conseguirem alcançar a fama nos EUA: exatamente como eu me tinha sentido cinco anos antes. Mas dois dias depois, o John Reid telefonou-me a dizer que o baterista dos Average White Band, Robbie, tinha morrido. Na noite seguinte tinham ido para outra festa em Hollywood Hills, depois de atuarem no Troubadour, e consumiram heroína que um canalha qualquer lhes deu, achando que era cocaína. O Robbie morreu poucas horas depois, no quarto do hotel onde estava hospedado.

Evidentemente que isto poderia ter acontecido em qualquer sítio, mas a morte dele parecia resumir Los Angeles. Às vezes era um lugar onde a velha cantiga de que os sonhos se podem tornar realidade não era uma velha cantiga, mas uma afirmação. Era a cidade onde eu me tinha tornado, mais ou menos, uma estrela; onde tinha sido homenageado pelos meus ídolos; onde, não sei como, acabei a tomar um chá com a Mae West (para meu deleite, ela apareceu com um sorriso lascivo e disse, “Ah, a minha visão favorita, uma sala cheia de homens”, o que, tendo em conta que os homens presentes eram eu, o John Reid e o Tony King, sugeria que ela estava prestes a ter uma grande desilusão). Mas se não tivéssemos juízo – se déssemos um passo em falso ou nos cruzássemos com a pessoa errada – éramos facilmente engolidos por Los Angeles.

Reginald Kenneth Dwight em criança, muito antes de ser Elton John

O presidente da câmara de Los Angeles, Tom Watson, declarou que a semana de 20 a 26 de outubro de 1975 seria a Semana do Elton John. Entre outras coisas, eu teria uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood, mesmo junto ao Grauman’s Chinese Theatre. Tinha dois concertos agendados para o Dodger Stadium com uma lotação de 55 000 pessoas em cada dia. Já tinha tocado para multidões maiores – estavam 82 000 pessoas no Estádio de Wembley, pelo menos antes de decidirem que já tinham ouvido o suficiente, e começarem a sair –, mas os concertos no Dodger Stadium pareciam-me o auge da minha carreira. Eu seria o primeiro artista a atuar lá desde os Beatles, em 1966, quando o promotor do evento não contratou seguranças suficientes e aconteceu um mini motim no final da atuação. A partir daquele momento, os proprietários do estádio decidiram banir todo e qualquer concerto de rock. E havia algo de acolhedor naquela cidade. Afinal de contas, a minha carreira tinha começado no Troubadour, cinco anos antes.

Aluguei um Boeing 707 da Pan Am que trouxe a minha mãe, o Derf, a minha avó e um grupo de amigos de Inglaterra, juntamente com o pessoal da Rocket, jornalistas e uma equipa liderada pelo apresentador de televisão Russell Harty para fazer um documentário. Fui ter com eles à pista de aterragem com o Tony King e uma frota de Rolls Royces e Cadillacs: o tipo de boas-vindas que eu esperava receber quando cheguei aos EUA pela primeira vez, em vez daquele maldito autocarro vermelho de dois andares. Se calhar foi uma extravagância da minha parte, mas eu queria que os meus familiares tivessem a melhor experiência das suas vidas, queria que se orgulhassem de mim.

A Semana do Elton John passou num abrir e fechar de olhos. A minha família passeou pela Disneylândia e pelos estúdios da Universal. Houve uma festa no iate do John Reid, o Madman, para celebrar o lançamento de Rock of the Westies. A grande inauguração da estrela no Passeio da Fama de Hollywood acabou por ser fraquinha. Eu levava um fato verde lima do Bob Mackie com os nomes de outras estrelas do Passeio da Fama e um chapéu de feltro a condizer. Tive de ir até ao local num carrinho de golfe pintado de dourado com um gigantesco par de óculos iluminado e um laço à frente. Eu sei que não era propriamente um exemplo de timidez em palco, mas há limites para tudo. Há vídeos deste momento no YouTube, e a minha expressão mostra claramente como eu estava satisfeito com a ideia. Não sei se alguma vez passaram lentamente pelo meio de uma multidão de fãs aos gritos, diante dos meios de comunicação social de todo o mundo, num carro de golfe dourado, com uns óculos iluminados gigantes e um laço enorme à frente, mas se nunca tiveram esta experiência, posso dizer-lhes que é absolutamente dolorosa.

[o álbum “Rock of the Westies”, de 1975:]

Senti-me tão embaraçado que tentei remediar a situação fazendo caretas durante os discursos e dizendo piadas sempre que me pediam para falar – “Declaro que este supermercado está oficialmente aberto!” – mas, sinceramente, estava ansioso que aquela tortura acabasse. Contaram-me depois que aquela foi a primeira vez na história do Passeio da Fama que apareceram tantos fãs para a inauguração de uma estrela e que a organização teve de fechar por completo o acesso à Hollywood Boulevard.

No dia seguinte convidei a minha família para almoçar em Tower Groove Drive. Tal como acontecera com o Captain Fantastic, o Rock of the Westies entrou diretamente para o número um da tabela de vendas dos EUA. Nunca ninguém tinha feito tal coisa – nem o Elvis, nem os Beatles – e eu tinha conseguido fazê-lo duas vezes no espaço de seis meses. Tinha 28 anos e era, naquela altura, a maior estrela pop do mundo. Estava prestes a dar os concertos mais importantes da minha carreira. A minha família e os meus amigos estavam comigo, felizes por poderem partilhar o momento. E foi precisamente nessa altura que decidi tentar suicidar-me novamente.

Mais uma vez, não me lembro exatamente do que me levou a fazê-lo, mas enquanto a minha família comia, levantei-me da mesa junto à piscina, subi ao andar de cima e engoli outra mão-cheia de Valium. Depois voltei a descer com o meu roupão e anunciei que tinha tomado um monte de comprimidos e que ia morrer. E depois atirei-me para dentro da piscina.

Não sei exatamente quantos comprimidos tomei, mas foram menos do que os que tinha tomado nos estúdios Caribou – um sinal de que, no fundo, eu não tinha a mínima intenção de matar-me. Este facto ficou evidente quando senti o peso do roupão a puxar-me para baixo. Para alguém que supostamente estava prestes a pôr fim a tudo – que aparentemente estava convencido que a vida não tinha mais nada para lhe oferecer e ansioso pela misericordiosa libertação da morte – de repente fiquei surpreendentemente aflito com a perspetiva de me afogar. Comecei a nadar freneticamente para a borda da piscina. Alguém me ajudou a sair. A recordação mais vívida que tenho do momento é a de ouvir a voz da minha avó.

– Oh – disse. E depois, num tom claramente ofendido, indiscutivelmente a voz de uma velha mulher da classe trabalhadora de Pinner que acabara de perceber que as maravilhosas férias na Califórnia estavam em risco de acabar mais cedo, acrescentou: – Bom, assim sendo é melhor irmos andando para casa.

Não consegui parar de rir. Era exatamente a resposta que eu precisava de ouvir. Estava à espera de algo do género “oh, coitadinho”, mas em vez disso ouvi “porque é que te estás a comportar como um idiota?”

Era uma boa pergunta: porque é que eu estava a comportar-me como um idiota? Se calhar estava a dramatizar para chamar a atenção. Eu percebo que, por um lado, parece de doidos, uma vez que eu vivia numa cidade que tinha acabado de declarar que aquela era a Semana do Elton John, estava prestes a atuar diante de 110 000 pessoas e havia uma equipa de televisão da ITV a fazer um documentário sobre mim. Seria possível que eu precisasse de mais atenção? Mas eu estava à procura de uma atenção diferente. Tentava mostrar à minha família que alguma coisa não estava bem, por mais que a minha carreira estivesse a ir de vento em popa: pode parecer que está tudo bem, que a minha vida é perfeita, mas não é. Eu não podia dizer-lhes: “Acho que estou a consumir droga em excesso”, porque eles nunca entenderiam; não sabiam o que era cocaína. E eu não tinha coragem de dizer: “Ouçam, eu não ando a sentir-me muito bem, preciso de amor na minha vida”, porque, no fundo, eu não queria que eles vissem o verniz a estalar. Eu era muito teimoso – e tinha demasiado medo da reação da minha mãe para a chamar a um canto e dizer-lhe: “Mãe, preciso mesmo de falar contigo, não estou a sentir-me muito bem aqui, acho que preciso de ajuda, o que é que achas?” Mas em vez disso, fui guardando, guardando até que explodi, tipo Vesúvio, e encenei aquela ridícula tentativa de suicídio. Eu sou assim: é tudo ou nada. A minha família não teve culpa nenhuma, o erro foi meu. Eu era demasiado orgulhoso para admitir que a minha vida não era perfeita. Foi patético.

Em palco na década de 70

Chamaram um médico. Eu recusei-me a ir ao hospital fazer uma lavagem ao estômago, por isso ele deu-me a beber um líquido nojento que me fez vomitar. E assim que vomitei, ficou tudo bem: “Ok, já estou melhor. Bom, adiante, tenho dois concertos para dar.” Parece ridículo porque foi ridículo – mas eu recuperei rapidamente do meu leito de morte: pronto, tentei cometer suicídio, já está, e agora o que se segue? Se alguma das pessoas que ali estava achou a minha reação estranha, não abriu a boca. E vinte e quatro horas depois eu estava no palco do Dodger Stadium.

Os concertos foram um sucesso absoluto. Essa é a melhor parte de tocar ao vivo, pelo menos para mim. Ainda hoje, seja qual for o problema pelo qual esteja a passar, ele fica para segundo plano. Nessa fase, quando estava em palco sentia-me uma pessoa diferente. Era a única altura em que sentia estar completamente no controlo da situação e de mim mesmo.

Foram dois grandes acontecimentos. O Cary Grant estava nos camarins, sempre com um ar maravilhoso. Eu tinha contratado cantores de gospel, o Southern California Community Choir do James Cleveland, para me acompanhar. A Billie Jean King estava a fazer segundas vozes na “Philadelphia Freedom”. Os seguranças traziam vestidos uns ridículos macacões lilases com folhos. Subiu ao palco o mais famoso vendedor de carros usados da Califórnia, um homem chamado Cal Worthinghton, com um leão – sabe-se lá para quê, mas imagino que a minha ideia fosse contribuir para a boa disposição em geral. Até o Bernie subiu ao palco, algo praticamente inédito.

Entrei em palco com o equipamento e um boné dos Dodgers cobertos de lantejoulas, criação do Bob Mackie, e saltei para cima do piano com um bastão de basebol. Martelei as teclas do piano até os meus dedos sangrarem. O concerto durou três horas e eu adorei cada minuto. Tenho alguma facilidade em entreter o público graças aos anos que passei a tocar em bares, como banda de apoio do Major Lance ou a tocar com os Bluesology para vinte pessoas; tenho experiência, por isso os meus concertos nunca estão abaixo de um padrão mínimo. Mas, às vezes, acontece outra coisa quando subimos ao palco: a partir do momento em que começamos a tocar, ficamos com a certeza de que simplesmente não há espaço para que alguma coisa corra mal. É como se as nossas mãos fossem independentes do nosso cérebro; nem sequer temos de concentrar-nos, sentimo-nos livres como um passarinho, e podemos fazer o que quisermos. É para esses concertos que vivemos, e o Dodger Stadium foi assim, nos dois dias. O som estava perfeito e o tempo também. Lembro-me de estar em cima do palco a sentir a adrenalina a percorrer-me o corpo.

"Compus a melodia [de 'Don’t Go Breaking My Heart'] ao piano, dei-lhe um nome e o Bernie fez o resto. Ele detestou o resultado final, e eu não o censuro – o Bernie não gostava, nem gosta, do que quer que seja que se assemelhe a música pop sem conteúdo. Mas até ele teve de admitir que a segunda tinha muito mais potencial do que a primeira, em termos comerciais."

Foi o auge, e eu fui suficientemente inteligente para perceber que não duraria muito tempo, pelo menos não àquele nível. Um sucesso assim não se mantém por muito tempo: não importa quem somos ou quão bons somos, os nossos discos não vão entrar diretamente para o número um das tabelas de vendas para sempre. Eu sabia que outra pessoa, ou outra coisa, iria aparecer. Estava à espera do momento em que isso acontecesse, e a ideia não me assustava. Foi quase um alívio quando o segundo single de Rock of the Westies, “Grow Some Funk of Your Own” não foi um grande êxito. Em primeiro lugar porque eu estava exausto: das digressões, das entrevistas, da catástrofe em que se transformara a minha vida privada. E em segundo lugar porque ter singles de sucesso nunca tinha sido o meu objetivo. Eu era um artista de álbuns, que fazia discos como Tumbleweed Connection e Madman Across the Water, e sem querer tornei-me numa máquina de fazer singles, com êxito atrás de êxito, apesar de nenhum deles ter sido escrito com esse fim.

[o álbum “Madman Across the Water”, de 1971:]

Aliás, uma das poucas vezes que tentei compor um single de sucesso foi no final de 1975. Estava de férias em Barbados com um grande grupo de amigos: o Bernie estava lá, o Tony King também, a Kiki Dee, muita gente. Eu pensei que seria uma boa ideia escrevermos um dueto para eu cantar com a Kiki. Eu e o Bernie fizemos então duas músicas. Uma chamava-se “I’m Always on the Bonk”: “I don’t know who I’m fucking, I don’t know who I’m sucking, but I’m always on the bonk.” A outra chamava-se “Don’t Go Breaking My Heart”. Compus a melodia ao piano, dei-lhe um nome e o Bernie fez o resto. Ele detestou o resultado final, e eu não o censuro – o Bernie não gostava, nem gosta, do que quer que seja que se assemelhe a música pop sem conteúdo. Mas até ele teve de admitir que a segunda tinha muito mais potencial do que a primeira, em termos comerciais.

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