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Esta app cria alegria? Limpe a sua casa online com a ajuda de Marie Kondo /premium

Marie Kondo está a ensinar o mundo a arrumar a casa e existem várias formas de aplicar o seu método à vida digital. O minimalismo é tendência, saiba como aplicá-lo às redes sociais.

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A japonesa Marie Kondo passou de consultora profissional de organização a super estrela da arrumação, autora de best-sellers e protagonista da sua própria série na Netflix, “Tyding up with Marie Kondo”. Começou aos 19 anos a arrumar a casa de amigos para ganhar dinheiro extra enquanto estudava sociologia na Universidade Feminina Cristã de Tóquio. Hoje, explica aos fãs que tem por todo o mundo como devem arrumar a casa, livrando-se de bens desnecessárias e valorizando os realmente essenciais. Para Marie Kondo, a prática é quase religiosa: associa a arrumação à ideologia Shinto, que se preocupa com a busca por aquela que é a forma correta de viver e com a apreciação da vida divina dos objetos: “Dar valor ao que se tem, tratar os objetos que se possui como não descartáveis, independentemente do seu preço, e criar espaços para expor cada objeto individualmente são essencialmente práticas Shinto”.

Se o sistema de organização da japonesa — o método KonMari — é aplicado essencialmente aos bens palpáveis, aprender a criar valor no mundo digital é o pilar central de uma filosofia subjacente às ideias de Marie Kondo: o minimalismo. Tiago Lapa, doutorado em Sociologia e especialista em Sociologia Digital e Estudos da Internet, explica ao Observador que esta filosofia pode ser um contraponto a síndromes que estão a ser identificados hoje em dia, como o fear of missing out (FOMO): “Às tantas, é muita coisa e, para muita gente, pode haver a sensação de que se está a perder chão, e para quê? Afinal, qual é a finalidade disto? Afinal, porque é que estou a sentir que não estou a conseguir acompanhar as coisas?”

Tentei arrumar a casa como ensina a Marie Kondo, mas parei nos tupperwares

Perante essa ansiedade, o sociólogo acrescenta que faz sentido que “surja um contra-discurso, em particular de alguém que se anuncia a si próprio como lifecoaching, face a este tipo de fenómenos, de modo que se uma coisa não fizer sentido ou se as pessoas não sentirem alegria na utilização de uma determinada coisa, devem retirá-la da sua vida. Simplificar as coisas“, explica ao Observador.

Para Eduardo Aranha, gestor de redes sociais na empresa Havas, não há como escapar às novas plataformas. Ao Observador, revela que sente necessidade de estar presente em diferentes redes “para acompanhar tendências, estar por dentro de novos formatos e reunir ideias para novas publicações das páginas que estou a gerir”. Isto, porque “as redes sociais estão em constante evolução e cada vez mais existem atualizações e formatos diferentes. É essencial estar a par das novidades”.

Uma vez que passa os dias ligado à Internet e às redes sociais, confessa que sente necessidade de se desligar ao máximo desse mundo quando está fora do horário de trabalho. “Infelizmente, é um exercício que nem sempre consigo fazer, apesar de sentir que estou a melhorar a minha capacidade para desligar. No entanto, ainda não está no ponto ideal”, explica. “Pessoalmente, sinto que vivemos cada vez mais na era do fear of missing out e que sou muito vítima desse fenómeno“.

Fruto dessa tendência, Eduardo descreve um cenário onde nota que, “cada vez mais, há pessoas que precisam de ter um ecrã entre os olhos e aquilo que estão a ver para realmente verem”. Não sabe como se poderá contornar esta tendência e realidade, mas deixa uma sugestão: “Privar as pessoas de usar Internet, não colocando à sua disposição [ligação Wi-Fi] ou até mesmo rede telefónica, ainda que fazê-lo seria avançar para uma tirania também imoral”.

Se a invenção da imprensa teve um papel importante e positivo na História da Humanidade, porque não haveriam as redes sociais de ter também? Temos é de saber usá-las corretamente e é nesse sentido que estamos a caminhar
Eduardo Aranha, gestor de redes sociais da Havas

A nível comercial, não tem dúvidas sobre o impacto das novas plataformas. “Tenho um exemplo muito claro: a barbearia onde costumo ir. É um negócio local, gerido apenas por duas pessoas, mas comunicam no Facebook e sentem que chegam a muitos clientes novos através deste meio.” De um modo geral, acredita que a longo prazo a tecnologia e as redes sociais podem sobressair pela positiva, desde que saibamos usá-las. “Se a invenção da imprensa teve um papel importante e positivo na História da Humanidade, porque não haveriam as redes sociais de ter também? Temos é de saber usá-las corretamente e é nesse sentido que estamos a caminhar”.

Portanto, se quer usar as redes sociais (e as tecnologias como um todo) de forma positiva, pode aplicar o método KonMari não só à sua casa como à sua vida digital. Existem ferramentas e técnicas inspirada precisamente nos métodos de Marie Kondo que podem facilitar a sua transição para uma vida em rede mais minimalista.

Tokimeki Unfollow: O plug-in que quer saber se o Twitter o faz feliz

Um ex-designer do Facebook, Julius Tarng, entrou no Twitter depois de ter estado durante um ano fora da rede social e encontrou muitas coisas que não lhe alegravam o dia. Para resolver o problema, criou um plug-in para limpar o feed do Twitter, o Tokimeki Unfollow. O programa compila uma lista de todas as contas que o utilizador segue. O processo, tal como as metódicas limpezas de Marie Kondo, exige tempo, esforço e decisões difíceis. Uma a uma, o software mostra cada conta que se subscreveu, incluindo os tweets mais recentes (e a descrição da conta, se o utilizador a quiser ver). Depois, o Tokimeki Unfollow faz uma pergunta (“Estes tweets ainda criam alegria ou são importantes para si?”) e dá duas opções: continuar a seguir a conta ou eliminá-la.

No final do processo, que pode ser longo se seguir centenas ou milhares de contas, o plug-in de Julius Tarng promete um Twitter mais limpo, e, se não mais feliz, pelo menos livre de contas que não lhe alegravam o dia. Se quiser tornar o programa mais eficaz ou interessante é livre de o fazer.

O plug-in foi assumidamente inspirado pelo método KonMari

Ainda não há equivalente para Facebook e Instagram, mas o exercício também se pode fazer manualmente: indo amigo a amigo e conta a conta, percebe com quem mantém contacto, que contas é que lhe interessam e quais é que pode eliminar da sua vida virtual. Corte com o que não lhe trouxer felicidade. Em média, temos 40 amigos reais, mas estamos ligados a 338 pessoas no Facebook. Ao estilo KonMari, faça por aproximar os dois números.

Thoughts: A aplicação que lhe devolve o caderno

O papel passou de moda. As notas tiram-se no telemóvel e agora incluem fotografias, anexos, links, eventos de calendário  partilhados e excertos de áudio. Mas não no Thoughts. A aplicação é um editor de texto sem bónus: texto branco em fundo preto, um título e um bloco de texto que pode guardar ou apagar a gosto, mas que não pode partilhar, lançar na cloud nem juntar a listas de tarefas.

                

Cientificamente, retemos melhor informação com papel e caneta do que num ecrã, portanto o melhor pode mesmo ser voltar a carregar consigo um bloco de notas. Se não tem espaço nos bolsos, o Thoughts serve de aproximação.

Offtime: Para quando não consegue largar o feed

Já segue menos mil pessoas no Twitter? Eliminou centenas de amigos com quem não fala do Facebook? Mesmo assim passa o dia a fazer scroll no ecrã? O Offtime diz-lhe quando já chega. Depois de instalar a aplicação, pode escolher um tempo limite de uso diário para serviços específicos ou para o telemóvel como um todo.

Em média, olhamos para o telemóvel a cada 12 minutos e passamos quase 24 horas por semana online. Se os números parecem exagerados, pode ser altura de deixar o Offtime bloquear todos os telefonemas e mensagens (e avisar quem o tentar contactar de que está desligado da rede nas próximas horas) e partir para um detox digital

Menos é mais: Nem tudo se resolve com uma aplicação

Se há muitas aplicações criadas para descomplicar a vida e outras tantas para descomplicar aplicações (algumas estão acima), às vezes o melhor é mesmo reduzir o mundo digital que traz consigo, e para isso não há uma app. Ao estilo de Marie Kondo, pegue no seu telemóvel e pense nas apps uma a uma. Faça a cada aplicação a mesma pergunta que o Tokimeki Unfollow lhe faria sobre cada conta: “Esta app cria alegria ou é importante para mim?“. Se a resposta for não, talvez seja altura de a desinstalar. É pouco provável que precisa regularmente das 75 aplicações que tem, em média, instaladas no seu smartphone.

Com o software reduzido ao mínimo, comece a arrumá-lo. Ao estilo das caixas de Marie Kondo, crie pastas no seu computador e telemóvel onde possa arrumar os ficheiros, programas e aplicações que vai mesmo usar. Limpe o ambiente de trabalho do seu computador, arrume os ficheiros com nomes percetíveis e junte-os por tipo ou por frequência de acesso. A sua lista de sites visitados deve seguir o mesmo caminho. Em vez de se perder em agregadores de conteúdo (como o Reddit ou o Google News), escolha as comunidades e os sites que realmente lhe interessam e aceda-lhes diretamente. Um estudo recente da Universidade de Stanford indicou que apagar o Facebook tendia a deixar as pessoas mais felizes.

“Uma vida de consumo é uma perda de tempo”

Ao olhar para o cenário atual, o sociólogo Tiago Lapa considera que a ansiedade subjacente à utilização das plataformas digitais parece ainda não ser uma coisa generalizada, no entanto sublinha que podemos colocar a hipótese de estarmos perante um fenómeno crescente e de existir stress e ansiedade associado à utilização das plataformas digitais. “Nesse aspeto, sim, acredito que a filosofia de Marie Kondo é um reflexo dos tempos atuais. Até que ponto ela poderá inspirar a um desapego digital e em que medida? Não sei. Mas creio que a história social das sociedades nos demonstra que a um determinado tipo de fenómenos acaba por surgir o seu contraponto, a sua resposta.”

No que diz respeito à vida social e ao controlo que a tecnologia poderá exercer sobre ela, acredita que isso já acontece em várias dimensões  e que não está apenas relacionada com os mais jovens: “Há sociedades onde toda a gente tem acesso à Internet, mesmo que por via de terceiros, como a Holanda ou o norte da Europa, onde vemos sociedades informacionais mais desenvolvidas e nas quais a Internet ou as tecnologias da informação e comunicação rodeiam a vida das pessoas”. Mas será que este cenário digital veio para ficar? “Estamos rodeados de dispositivos e tecnologias digitais e isso é para ficar, não me parece que vá haver alterações nesse sentido“, argumenta. “O que pode mudar é a forma e significado das ferramentas digitais na nossa vida. Poderão surgir movimentos, eventualmente uma espécie de radicalismo contra a tecnologia e daí surgir até movimentos políticos, mas em termos gerais acho que a Internet estará cada vez mais presente nas ações aparentemente mais insignificantes da atividade humana.”

“Não sou muito apegado ao computador nem ao telemóvel”

Se há uma tendência para associar a tecnologia às gerações mais jovens, Afonso Alexandre, de 22 anos, foge à regra. Depois de ver o documentário da Netflix, “Minimalism: A Documentary about the important things”, sentiu-se inspirado a dar uma volta à sua vida e a manter apenas quilo que considera que é importante e tem significado. Ao Observador, conta que desde que adaptou este estilo de vida, tem procurado “fazer compras com significado, com ponderação. Não sinto necessidade de fazer updates à tecnologia que utilizo, mas isso também se deve ao facto de não ter capacidade de compra para tal”. Quanto à tecnologia, tem sido um processo mais inconsciente: “Já tinha tido contacto com o conceito de reduzir a utilização das redes sociais dentro deste estilo de vida, mas não achei que tivesse de fazer alguma mudança para evoluir nesse sentido. Não sou muito apegado ao computador nem ao telemóvel.”

Fizemos um Data Detox de oito dias. E estivemos perto de controlar a nossa vida digital

Afonso confessa ainda assim que, desde que começou a trabalhar como editor de vídeo, se vê obrigado a lidar com as plataformas digitais: “Desde que estou lá tenho ido muito mais vezes ao Facebook, mas mais por conteúdo de entretenimento de páginas que sigo e para ver algumas novidades de amigos. Em casa, é raro ligar a isso.”

A minha falta de presença nas redes sociais faz com que precise de me sentar com as pessoas para saber como está a sua vida, o que andam a fazer, que experiências tiveram recentemente. E a forma pessoal e intíma com que recebo esta informação está a anos luz dos dois ou três posts ou Instastories que foram feitos sobre isso
Afonso Alexandre, 22 anos

Para o jovem, partir do pressuposto de que a ausência em plataformas digitais pode implicar uma falta e perda de informação é uma ideia errada: “Acho que é exatamente o contrário. Não perco informação, ganho-a, uma vez que estou completamente dedicado ao que se está a passar à minha frente. A minha falta de presença nas redes sociais faz com que precise de me sentar com as pessoas para saber como está a sua vida, o que andam a fazer, que experiências tiveram recentemente. E a forma pessoal e íntima com que recebo esta informação está a anos luz dos dois ou três posts ou Instastories que foram feitos sobre isso”, explica.

Nuno Matias, 39 anos, lidera uma startup, T4hd – Technology 4 Human Development, mas nunca sentiu necessidade de estar presente numa rede social. “A principal razão pela qual não uso tecnologia não é porque ache que ela é boa ou má. A tecnologia é uma ferramenta e o contexto em que ela é utilizada é que a torna positiva ou negativa. Não sinto necessidade de me expor e a forma como comunico com as pessoas que me são mais próximas é feita de uma forma mais tradicional. O que ganhava em termos de facilidade de comunicação não compensava a distração constante e a necessidade de me expor de uma forma desnecessária“, explica.

Tem conta no Linked In, mas só para contextos meramente profissionais. Fora isso, ainda não houve nada que o motivasse a criar uma conta numa outra rede social, embora reconheça que há alguma informação que acaba por lhe escapar: “Digo que sou um infoexcluído. Há muita coisa a acontecer nestas redes que me passa ao lado, pelo que tento compensar isso com uma pesquisa mais ativa ou com outro tipo de comunicação, por email ou Whatsapp, por exemplo, mas tenho a perfeita consciência de que há coisas que estou a perder”.

Temos que olhar para a tecnologia enquanto aquilo que ela pode fazer para melhorar a qualidade da vida e o desenvolvimento da sociedade, e eu acho que isso está completamente desvirtuado porque as pessoas olham para ela como se fosse a solução para tudo e mais alguma coisa
Nuno Matias, presidente da Technology 4 Human Development

Também já por mais do que uma vez, Nuno sentiu necessidade de chamar a atenção de pessoas próximas que estivessem agarradas ao telemóvel e mergulhadas no mundo virtual: “Acho que lhes é indiferente. Está de tal forma enraizado no dia a dia que nem sequer percebem que faz mal e que tem efeitos secundários associados. Cada vez mais, as pessoas tendem a perder as faculdades de conseguir comunicar, interagir e socializar sem terem um filtro à sua frente que lhes permita projetar uma imagem mais aceitável na sociedade.”

Ter a vida arrumada pode significar ter a casa arrumada ao estilo de Marie Kondo, mas também pode significar optar pela lógica minimalista. Em “Tyding Up”, série produzida para a Netflix pela especialista em organização pessoal, arrumar uma casa chega a demorar um mês. A sua casa online pode levar tanto tempo e simplificá-la promete ser um processo longo e cansativo. Mas o desafio é uma mudança que fica como forma de vida.

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