As negociações oficiais para a integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE), atual União Europeia (UE) começaram formalmente a 17 de outubro de 1978. Mas foram muitas as reuniões oficiais e oficiosas que se realizaram em Lisboa, em Bruxelas e até em Estrasburgo.
Vários foram os protagonistas políticos que contribuíram, direta ou indiretamente, para que os restantes Estados-membros considerassem como uma boa hipótese a integração de Portugal na CEE: Mário Soares, primeiro como ministro dos Negócios Estrangeiros e depois como primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro como líder do PPD/PSD e também como primeiro-ministro e António Ramalho Eanes como Presidente da República. Todos eles e tantos outros contribuíram para que a imagem de Portugal fosse suficientemente boa para que a integração de Portugal fosse aceite.
O processo negocial ficou formalmente concluído na manhã do dia 12 de junho de 1985 nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE aconteceu com pompa e circunstância com representantes dos dez Estados-membros já pertencentes ao clube de elite, do presidente do Conselho das Comunidades Europeias, Giulio Andreotti, e do presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors. Felipe González, chefe do governo espanhol, esteve também presente antes da cerimónia de adesão do país vizinho, que teve lugar nesse mesmo dia, à tarde, em Madrid. Era a formalização do terceiro alargamento da instituição, depois da entrada da Dinamarca, Irlanda e Reino Unido em 1973, e da Grécia em 1981. A CEE passaria a contar com 12 Estados-membros.
Mário Soares, primeiro-ministro, Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, ministro dos Assuntos Europeus, e Ernâni Lopes, ministro das Finanças, assinaram o Tratado de Adesão de Portugal à CEE e ficou assim fechado um processo de muitos anos de negociações. O tratado, porém, não teve efeito imediatos e teve de ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos outros Estados-membros e foi depois depositado oficialmente em Roma, tendo a entrada oficial de Portugal (e Espanha) na CEE ocorrido a 1 de janeiro de 1986.
“Portugal regressa à Europa” é uma das frases ditas por Mário Soares num discurso não só para dentro do país mas, sobretudo, para consolidar as relações externas.
Com base nos arquivos fotográficos do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia, o Observador juntou quarenta imagens que mostram os bastidores das negociações de Portugal para conseguir aderir à CEE, a cerimónia de assinatura do Tratado de Adesão, a primeira sessão plenária do parlamento com Portugal como pleno Estado-membro e as consequências dessa mesma adesão, plasmadas em visitas, acordos, tratados, reuniões, negociações, etc. Estes são alguns dos líderes políticos portugueses com um papel ativo na história dos últimos quarenta anos da União Europeia e do país.
Veja a fotogaleria abaixo.
Este artigo faz parte de uma série do Observador dedicada aos quarenta anos da adesão de Portugal à União Europeia. Resulta de uma parceria entre o Observador e o Parlamento Europeu. É um conteúdo editorial completamente independente.