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No meio de umas quantas questões que ficam por explicar, também há certezas. E uma delas é que o Professor, interpretado por Álvaro Morte, sai como a personagem mais consistente ao longo de toda a série
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No meio de umas quantas questões que ficam por explicar, também há certezas. E uma delas é que o Professor, interpretado por Álvaro Morte, sai como a personagem mais consistente ao longo de toda a série

TAMARA ARRANZ/NETFLIX

No meio de umas quantas questões que ficam por explicar, também há certezas. E uma delas é que o Professor, interpretado por Álvaro Morte, sai como a personagem mais consistente ao longo de toda a série

TAMARA ARRANZ/NETFLIX

"La Casa de Papel": 10 perguntas que ficaram sem resposta depois do final da série

Já vimos os últimos episódios da série mais popular dos últimos anos e há pelos menos 10 dúvidas que não desaparecem. A produção confirmou que este é o fim, mas será mesmo? (aviso: contém spoilers).

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[AVISO: este artigo contém spoilers sobre o final da série “La Casa de Papel”. Se ainda não viu e não quer saber nada, então pare aqui, veja os episódios e depois regresse]

Porque este texto é especificamente e descaradamente direcionado a quem já viu todos os episódios de “La Casa de Papel”, é possível tomar uma liberdade em forma de confissão: neste momento, sinto que sou uma espécie de Tamayo (o chefe da equipa de elite destacada contra os ladrões), enganada, envergonhada e sem saber muito bem como vim aqui parar. Só não tenho de guardar um segredo de Estado. “La Casa de Papel” chegou ao fim e os últimos cinco episódios — disponíveis na Netflix desde 3 de dezembro — limitam-se a ser uma despedida bonitinha dos ladrões mais famosos do mundo.

Ainda na terça-feira, 30 de novembro, numa conferência de imprensa em que o Observador participou, Jesús Colmenar, um dos guionistas, garantia que não tinha ficado nenhuma ponta solta que deixasse no ar a possibilidade de mais temporadas. Mas convenhamos, só se Colmenar estava a falar de um final alternativo que não vimos, porque o que se constata nas últimas cenas da série é exatamente o oposto. Além disso, há momentos descabidos que chegam a causar vergonha alheia e a certeza de que já devíamos ter desistido disto há algum tempo.

Mas não o fizemos. Porque estabelecemos uma relação. Porque, de quando em vez, há uma espécie de síndrome de Estocolmo (não é um trocadilho com a personagem desta produção) que se instala entre o espectador e uma série, mesmo que esta nos vá desiludindo aqui e ali. E é por isso que há perguntas que ficam sem resposta. Ora vejamos:

[o trailer dos últimos episódios de “La Casa de Papel”:]

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De certeza que não vêm aí mais temporadas?

Não há mais mortes devastadoras nestes episódios, cada assaltante recebe um passaporte e enfia-se num helicóptero rumo a uma nova vida. A não ser que o aparelho caia e ninguém se safe, temos aqui um déjà vu. Eventualmente, vão viver todos em ilhas e cenários idílicos nos próximos meses ou anos. Talvez sejam super felizes e anónimos nos locais mais remotos do planeta. Até não serem. Mais tarde ou mais cedo, algo vai arrancá-los da vida perfeita, que entretanto se tornará enfadonha, e o bichinho dos assaltos vai consumi-los até tirarem outra vez o pó aos macacões vermelhos e se meterem noutro roubo impossível. Agora vamos reproduzir exatamente as palavras de Jesús Colmenar: “O final de ‘La Casa de Papel’ é o fim de ‘La Casa de Papel’. Se a pergunta é se deixamos uma porta aberta para uma sexta ou sétima temporadas, a resposta é não. A história chega ao pico aqui”. Estão a perceber o meu problema? Vimos todos o mesmo final, certo? Isto não é deixar uma porta aberta, é deixar todos os portões, portinholas e janelas escancarados para o regresso do Professor e seus pupilos. Não se esqueçam disto, daqui a uns tempos falamos.

Haverá um ladrão mais astuto do que o Professor?

Ainda não se tinha percebido a relevância do filho de Berlim nesta história. A resposta chega agora e a questão é resolvida rapidamente: é um ladrão, como é óbvio, há que manter as tradições de família. Primeiro, fica com a mulher do pai, Tatiana, e depois consegue ser mais esperto do que o intelegentíssimo Professor. Espera que a equipa dele faça o trabalho todo, que é tirar o ouro do Banco de Espanha, e depois é só fazer-se passar pela polícia e confiscar tudo. O caracolinhos com cara de sonso continua a parecer-me uma personagem bastante inútil, desculpem-me a sinceridade. A delicada pianista que agora usa blusão de cabedal com mangas arregaçadas e passeia uma arma tem muito mais pinta e comanda as tropas na ação relâmpago de enterrar o ouro roubado e criar um jardim bucólico de uma casinha vermelha à beira da estrada plantada. A ruiva Tatiana vê-se depois confrontada com outra ruiva espertalhona, Alicia Sierra, a mais recente aquisição da equipa macacões vermelhos. Armas apontadas, olhares matadores e como é que se resolve este duelo? Com um bilhete da escola secundária. “De: Professor. Para: sobrinho traidor.” Mau, querem ver que estamos a dar início a uma guerra de família? E quando é que isto se resolve? Numa nova temporada? Ou será num spin off? A isso o criador Álex Pina não disse que não. A ver vamos.

Se os criadores de “La Casa de Papel” estiverem a fazer um gigantesco bluff ao estilo do Professor, e já estiverem a pensar na sequela, é bem possível que parte da ação passe por Portugal.

O que diz o bilhete?

Não sabemos o que está escrito no tal papelinho quadriculado, mas sabemos que é suficiente para fazer com que o filho de Berlim devolva o ouro ao Professor. Logo aqui parece estranho que seja assim tão fácil, já que o sobrinho traidor não parece decidir grande coisa — a manda-chuva destes ladrões acabados de chegar é claramente Tatiana. Também percebemos que o Professor terá prometido parte do ouro em troca da devolução. OK, vamos fazer de conta que acreditamos que estas pessoas confiam na palavra umas das outras. Mas, então, não seria mais fácil fazer logo a partilha em vez de seguir tudo para Portugal, atafulhado na casa pré-fabricada? Ah, esperem lá, se calhar o Professor não pretende devolver nada. Se calhar Tatiana vai gritar ao namorado: “Eu não te disse que o teu tio nos ia passar a perna?”. Se calhar vai haver uma luta pelo ouro entre os gangues rivais. “Se a pergunta é se deixamos uma porta aberta para uma sexta ou sétima temporadas, a resposta é não.” Estão a perceber a minha confusão? Só gostava de deixar um pedido aos guionistas: por favor, não vistam este novo grupo com macacões verdes, se não vai parecer que temos “Squid Game” e “La Casa de Papel” embrulhados na mesma trapalhada.

Haverá uma caça ao ouro em Portugal?

Se alguém avistar uma casa vermelha pré-fabricada na Foz do Arelho, no cume da Serra da Estrela ou em pleno Monsanto, espalhe a palavra. É aí que se esconde o tesouro. As barras de ouro atravessam a fronteira e só Alicia Sierra e Benjamin, que segue no camião, parecem saber o seu destino. Se os criadores de “La Casa de Papel” estiverem a fazer um gigantesco bluff ao estilo do Professor, e já estiverem a pensar na sequela, é bem possível que parte da ação passe por cá.

O que faz falta aqui? Arturito, obviamente. Há apenas uma referência à personagem, mas do homem que todos odiamos e adoramos ao mesmo tempo nem sinal

TAMARA ARRANZ/NETFLIX

Qual o nome de código para Alicia Sierra?

A antiga inspetora ainda não teve direito ao macacão vermelho, mas já assaltou o Registo Predial e sequestrou uma pobre funcionária, arrombou um apartamento e resgatou e organizou a fuga do ouro roubado, portanto podemos dizer que passou a fase de casting. Resta atribuir-lhe um nome de código, agora que está do lado dos assaltantes. Vejo-a bem como “Paris” ou “Nova Iorque”, mas aceitam-se palpites.

E se isto continuar, mas só com o professor?

Poucas vezes vimos o Professor fora das profundezas dos seus esconderijos e essa dinâmica muda nos últimos cinco episódios. Primeiro, persegue Alicia Sierra, depois é amordaçado e preso por ela, para mais tarde já estarem os dois em fuga. A sequência em que fogem do prédio de Tamayo, se barricam no interior de um sofá, partilham uma omelete e confissões, e escapam à polícia escondidos em caixotes do lixo é mais interessante e empolgante do que qualquer coisa que esteja a acontecer no Banco de Espanha. Aliás, todas as cenas de tensão (e há algumas interessantes) desta segunda parte da quinta temporada acontecem no exterior. Os assaltantes têm muito pouco para acrescentar — estão ali enfiados há três temporadas, não há grande coisa que se possa inventar. A fórmula do assalto num local fechado parece estar gasta, mas a série continua a ser boa a criar situações de stress com twists. Só precisa de mudar os cenários. Ou será que precisa de concentrar atenções apenas no Professor, como protagonista único? Será este o futuro, um spin off?

Não nos interessa saber quem é o pai da criança, mas sim quem vai dar com a língua nos dentes. É que há demasiadas pessoas que sabem que aqueles corpos que entraram nas ambulâncias não eram cadáveres, mas sim os assaltantes perfeitinhos e bem de saúde.

O que faz falta aqui?

Arturito, obviamente. Há apenas uma referência à personagem, mas do homem que todos odiamos e adoramos ao mesmo tempo nem sinal.

E o que é dispensável?

Por momentos pensei que estava a ver “Anatomia de Grey”. Estamos num elevador. De um lado está Lisboa, do outro Pamplona. Este, fascinado com a determinação de Raquel Murillo, faz uma tentativa desajeitada para convidá-la para sair — isto porque pensa que o Professor já era e que ela está viúva para aí há três segundos. A ideia é que o momento seja cómico, mas acaba por parecer só descabido. “La Casa de Papel” tem drama e ação, não conversas de elevador entre Meredith e um qualquer pretendente, e muito menos cenas cómicas. É inédito e único, logo a seguir a série volta à programação habitual — o que ainda nos leva a questionar mais a relevância destes minutos perdidos.

Todos os caminhos vão dar a uma nova temporada e, se acontecer, é capaz de valer a pena perdoar a conversa da produção, que jura que tudo acabou

TAMARA ARRANZ/NETFLIX

A sério, que sentido é que isto faz?

Nem vale a pena perder tempo a analisar o facto de Alicia Sierra ter acabado de ter uma criança e estar a descer prédios como se fosse o Homem-Aranha — perante uma situação de vida ou morte, o instinto de sobrevivência é que manda. Mas agora vamos lá perder dois minutos a pensar: quando Alicia e o Professor estão no apartamento que invadiram, já livres da ameaça dos polícias que os procuram, têm tempo para comer, ver televisão, dormir um bocado e até tomar um duche, Alicia Sierra rouba qualquer coisa para vestir. E o que é que ela escolhe para se pôr de novo em fuga? Um top decotado, um blazer, uma saia e botas de tacão. Não, isto não é escolhido à pressa. A mulher tem tempo. Não me digam que no armário daquela casa não havia nada mais adequado. Nem que fosse um pijama. É que isto é quase tão descabido como as decoradoras do “Querido Mudei a Casa” que andam sempre no meio do caos das obras com saltos altíssimos, cheias de anéis e unhas perfeitas.

Mas quem será, mas quem será?

Não nos interessa saber quem é o pai da criança, mas sim quem vai dar com a língua nos dentes. É que há demasiadas pessoas que sabem que aqueles corpos que entraram nas ambulâncias não eram cadáveres, mas sim os assaltantes perfeitinhos e bem de saúde. Vejamos: todos os militares que estavam dentro do Banco de Espanha e que, contrariamente ao anunciado na conferência de imprensa, não executaram ninguém; Tamayo; os responsáveis do Banco de Espanha que têm agora no seu cofre lingotes de latão; os condutores das ambulâncias ou quem retirou os supostos corpos de lá; toda aquela gente na base aérea que assiste à partida dos assaltantes e por aí fora. Todos os caminhos vão dar a uma nova temporada e, se acontecer, é capaz de valer a pena perdoar a conversa de Jesús Colmenar para nos despistar, porque “La Casa de Papel” ainda agora acabou e já estou com saudades de ouvir falar em “el atraco”, “el Profesor” e “el puto oro”.

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