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Mais rápidos, mais altos, mais fortes: a evolução de Portugal entre Europeus de andebol para uma surpresa que seria "olímpica" /premium

Carlos Carneiro e Ricardo Andorinho recordaram ao Observador o Europeu de andebol de 2006, falaram da evolução do andebol e projetaram regresso de Portugal a uma grande competição 14 anos depois.

Dream.
Win.
Remember.

É desta forma que o site oficial do Campeonato da Europa de andebol, que arrancou esta quinta-feira com uma organização repartida entre Suécia, Áustria e Noruega, descreve a maior competição de seleções do continente. E é desta forma também que a Seleção Nacional regressa à fase final 14 anos depois: com o sonho de poder confirmar as indicações de equipa surpresa da prova, com a vitória no pensamento, com a motivação de poder fazer dos próximos jogos um motivo para recordar pelos melhores motivos. Como frisou o selecionador Paulo Pereira na antecâmara, o apuramento é possível “mas só a perfeição vai conseguir colocar Portugal na próxima ronda”, naquilo que seria uma surpresa “olímpica” mesmo sabendo que só mesmo os primeiros chegam aos Jogos.

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“O objetivo estava definido mesmo antes do sorteio e consiste em passar à fase seguinte. Tendo a Noruega e a França é algo imponente, mas é possível. É necessário fazermos outra vez um jogo perfeito, como fizemos contra a França em abril. Quando [o Europeu] coincide com qualificações para Jogos Olímpicos, as seleções mais fortes põem a energia toda para poderem fazer o melhor Campeonato da Europa possível. Mais difícil se torna para as equipas intermédias, como nós. Mas também podemos ganhar a qualquer seleção”, comentou o técnico que chegou a acumular funções com os romenos do CSM Bucareste, em declarações à agência Lusa.

Com uma equipa que fez a fase de qualificação e que mistura duas das melhores gerações nacionais dos últimos tempos (uma representada por Tiago Rocha, Pedro Portela, Fábio Magalhães ou António Areia, outra com os mais jovens Rui Silva, Miguel Martins, André Gomes ou Luís Frade), Portugal tentará repetir esta sexta-feira (17h15) em Trondheim o brilharete feito em Guimarães na fase de qualificação, quando derrotou a França por 33-27 naquele que foi um passo de gigante para carimbar a participação no Europeu e que nem mesmo a derrota posterior em Estrasburgo por 33-24 consegue “apagar” – até porque a Seleção só nos últimos 15 minutos claudicou.

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Em termos práticos, Portugal tentará assegurar um dos primeiros dois lugares do grupo D para assegurar presença na segunda fase, dividida em dois grupos de seis onde os dois primeiros classificados seguem para as meias-finais. Além do duelo com os gauleses esta sexta-feira, os comandados de Paulo Pereira irão defrontar depois a Bósnia no dia 12 (15h) e a Noruega no dia 14 (19h30), sempre em Trondheim. Além do grupo D, estão também presentes nesta fase final Croácia, Bielorrússia, Montenegro, Sérvia (grupo A), Rep. Checa, Macedónia do Norte, Áustria, Ucrânia (grupo B), Espanha, Alemanha, Letónia, Holanda (grupo C), Dinamarca, Hungria, Islândia, Rússia (grupo E), Suécia, Eslovénia, Suíça e Polónia (grupo F).

No arranque da competição, Alemanha (Holanda, 34-23) e Espanha (Letónia, 33-22) confirmaram o favoritismo no grupo C, ao passo que, no grupo A, além do triunfo da Croácia frente a Montenegro (27-21), a Bielorrússia alcançou o jogo com resultado mais surpreendente até ao momento, batendo a Sérvia por 35-30.

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Os 18 convocados para a fase final do Campeonato da Europa, após um período de estágio que “riscou” Salvador Salvador (Boa Hora), Jorge Silva (Sinfin, Espanha) e Carlos Martins (Benfica), foram os seguintes:

  • Guarda-redes: Alfredo Quintana (FC Porto), Humberto Gomes (ABC) e Gustavo Capdeville (Benfica);
  • Pontas: Fábio Vidrago (Benfica), Diogo Branquinho (FC Porto), António Areia (FC Porto) e Pedro Portela (Tremblay, França);
  • Laterais: André Gomes (FC Porto), Fábio Magalhães (FC Porto), Alexandre Cavalcanti (Nantes), Belone Moreira (Benfica) e João Ferraz (Suhr Aarau, Suíça);
  • Centrais: Miguel Martins (FC Porto) e Rui Silva (FC Porto);
  • Pivôs: Alexis Borges (FC Porto), Daymaro Salina (FC Porto), Luís Frade (Sporting) e Tiago Rocha (Sporting).

Além dos jogadores nacionais, marcarão presença na competição que começou ontem mais três elementos que atuam no Campeonato português: os guarda-redes Thomas Bauer (FC Porto/Áustria) e Borko Ristovski (Benfica/Macedónia do Norte) e o pivô René Toft Hansen (Benfica/Dinamarca).

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“A mentalidade de hoje é diferente e houve uma grande evolução física”

Olhando para a última participação de Portugal, em 2006, marcada ainda pelo diferendo entre Federação e Liga de andebol que acabou por condicionar as opções da Seleção na Suíça, Carlos Carneiro é o único jogador ainda hoje no ativo. O central de 37 anos, que depois de ter feito a formação no ABC com passagem pelo Fafe esteve três anos no Madeira SAD e oito no Benfica, representa o Sporting pela quinta temporada consecutiva, tendo no currículo quatro Campeonatos, duas Supertaças, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e uma Taça Challenge.

“É sempre algo subjetivo falar sobre as principais diferenças 14 anos depois mas hoje o andebol está diferente e o próprio Campeonato também mudou. Acho que comparando os dois Europeus existe uma mentalidade diferente no jogador português, que acredita mais e que começa a jogar nas melhores equipas, como tem acontecido com alguns jogadores da Seleção. A própria participação do Sporting e do FC Porto na Liga dos Campeões serviu para perceber que não há impossíveis”, começou por referir ao Observador o central.

“Tal como em 2006, onde tínhamos um grupo forte [Croácia, 21-24; Rússia, 32-35; Noruega, 27-37], Portugal vai encontrar um grupo muito complicado onde nenhum jogo vai ser fácil. É óbvio que a equipa acredita que pode passar à fase seguinte mas terá de fazer encontros quase perfeitos. Portugal conseguiu uma grande vitória com a França na qualificação mas eles agora já não vão olhar para nós da mesma forma e têm uma das melhores equipas do mundo. Depois além da Bósnia há também a Noruega. As equipas escandinavas estão fortíssimas nesta altura e ainda para mais joga em casa [Trondheim]. Não é impossível mas vai ser difícil”, salientou, antes de abordar uma das maiores evoluções de Portugal nos últimos anos e a “chave” para surpreender no Europeu.

Carlos Carneiro em despique esta temporada no dérbi com Rene Toft Hansen, dinamarquês do Benfica que estará no Europeu

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“Olhando para a nossa equipa atualmente, uma das grandes melhorias foi em termos físicos porque já nos conseguimos equivaler mais aos restantes adversários. Houve uma grande evolução desse aspeto físico e também na baliza, que como se costuma dizer é meia equipa. O selecionador, e bem tendo em conta o período curto que tem para trabalhar, decidiu tentar aproveitar as dinâmicas que existem nas equipas e tentará apostar forte na defesa. Uma boa defesa vai ser a chave até porque o jogo está cada vez mais rápido, em dois segundos consegue-se marcar e temos excelentes pontas também. Importância do Quintana? É grande, rápido, está super confiante, faz bem o trabalho de casa, não tendo nunca jogado na equipa dele parece-me que tem uma mentalidade muito forte, gosta de jogos grandes… É um guarda-redes que pode jogar em qualquer liga e país”, explicou, abordando ainda outro dos guardiões convocados por Paulo Pereira, Humberto Gomes, e a sua longevidade (42 anos).

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“É como o próprio Humberto diz, desde que se vá tendo alguns cuidados a idade não é propriamente importante. No meu caso tenho também sorte de estar em clubes ao mais alto nível como o Sporting e de nunca ter sofrido nenhuma lesão grave. Com isso e mantendo sempre o gosto no que faço, como tenho, não existem muitos segredos para a longevidade e para manter o nível no alto rendimento”, concluiu Carlos Carneiro.

“O resultado com a França, na cabeça dos jogadores, fez um grande trabalho”

Também Ricardo Andorinho, hoje com 43 anos, esteve no Campeonato da Europa de 2006, numa altura em que representava os espanhóis do Portland San Antonio – que foi campeão europeu no início do século e que tinha no seu conjunto nomes como o croata Ivano Balic ou o francês Jackson Richardson, dois dos melhores do mundo. Em entrevista ao programa “Nem tudo o que vem à rede é bola” da Rádio Observador, o antigo ponta que ainda jogou esta época algumas partidas pelo Évora antes de se lesionar com gravidade no tendão de Aquiles recordou os dez anos em que representou o Sporting, o “choque” da realidade em Espanha e o último Europeu em que Portugal marcou presença, antes de fazer a antevisão para a participação na prova que arrancou esta quinta-feira.

O pós-Clássico e andebol, com Ricardo Andorinho

Depois de terminares a carreira no Portland San Antonio há 12 anos, voltaste a jogar este ano em Évora. Foi o “bichinho” que voltou a falar mais alto?
O “bichinho” nunca morreu. Quem é atleta ao mais alto nível, como eu tive a felicidade de ser, acaba sempre por ter ali uma relação muito especial com o desporto que pratica. No meu caso particular, tem muito a ver com a forma como eu tinha abandonado a alta competição. Foi devido a lesão e quando é devido a lesão é uma não decisão, não é. Tenho muitos colegas de equipa que abandonaram, sem problema nenhum, e decidiram fazer uma última época e, no fundo, são decisões mais fáceis porque são amadurecidas. Mas isso já faz parte do passado e eu neste momento continuo a divertir-me com o desporto. Já não vou jogar mais, por decisão minha, porque o andebol é um desporto que tem um nível de contacto e de intensidade que é realmente agressivo para quem não está por dentro da modalidade.

Em Portugal ganhou apenas por uma vez o Campeonato, que quebrou um longo jejum do Sporting, em 2000, num andebol que era sobretudo dominado pelo ABC. O que se recorda desse jogo decisivo na antiga Nave de Alvalade com o FC Porto?
Foi o culminar de dez anos de trabalho de uma equipa do Sporting. Hoje em dia é muito mais difícil ter equipas, ter plantéis, sejam elas de andebol ou de outro desporto qualquer, com muita estabilidade. Há muitas contratações, há muita gente a sair, muita gente a entrar, e isso torna difícil o trabalho da cultura desportiva de uma equipa. Eu tive a sorte de ter entrado para o Sporting com 17 anos e de ter jogado dez anos no Sporting e esse caminho permitiu nós construírmos uma equipa, e uma qualidade de equipa, que nesse ano de 2000 fez com que tivéssemos ganho o Campeonato Nacional, retirando essa hegemonia ao ABC de Braga.

A Nave de Alvalade naquela altura já estava em obras, as pessoas estavam todas encavalitadas umas em cima das outras, os pontas para ganhar balanço tinham quase de ir à bancada. E de repente vai para Espanha e logo para o Portland San Antonio, que era uma das melhores equipas do mundo. Como é que foi essa mudança de realidade?
Acho que nunca contei esta história. Eu saí do Sporting, de um clube que tem — e teve — uma estrutura fortíssima em termos de andebol em Portugal. É um clube grande, é um clube que nunca faltou com nada aos atletas e às necessidades dos atletas e às necessidades das equipas. E encontro uma realidade espanhola chocante, no mínimo. Nós no Portland só tivemos resultados desportivos de excelência no primeiro ano, porque a equipa foi toda formatada nesse ano de 2004. Contrataram o Ivano Balić, o croata que era o melhor jogador do mundo naquela altura, e com essa contratação acabaram por vir o Kasper Hvidt, guarda-redes da seleção da Dinamarca, mais outros dois dinamarqueses, mais o Jackson Richardson, que estava ainda em jogar em Espanha, o Carlos Ruesga, dois anos mais tarde…mais foi uma equipa que ficou montada no ano de 2004. E, por isso, todas as pessoas como eu, todos os atletas, encontraram uma realidade muito diferente daquela a que estavam habituados nos clubes de origem. Uns em clubes grandes, como o Sporting, mas a maioria até vinha de clubes bastante mais pequenos nos países de origem deles.

Mas quais eram as diferenças?
O pavilhão não era do Portland San Antonio, era alugado à Universidade de Navarra; a sede era realmente muito pequenina, era um escritório no centro de Pamplona; o autocarro era da empresa de autocarros, o clube alugou-o e depois lá personalizou um autocarro. Era uma realidade muito diferente daquela que nós esperávamos do Portland San Antonio enquanto campeão da Europa. Nesse ano, como nós respeitamos muito as individualidades e respeitamos muito os clubes, acabámos por ter mais produtividade e mais performance, ganhámos tanto a liga espanhola como a Supertaça de Espanha. A partir daí, surgiram visões mais individualistas de uma equipa que era multicultural. Nós tínhamos atletas provenientes de sete ou oito países diferentes e acabámos por pagar essa fatura em termos da performance da equipa e dos resultados dos anos seguintes.

"Fraturei a rótula, fiz uma fissura, e o processo de recuperação acabou por danificar o tendão rotuliano. Deixo de jogar não por essa lesão da fratura específica mas pela própria recuperação."

O que recorda daquele jogo com o Barcelona onde contraiu uma gravíssima lesão no joelho que acabou por marcar a carreira? Percebeu logo que era ali o fim?
Quando acontece a lesão, nunca esperei que essa lesão fosse incapacitante e me impedisse de continuar na alta competição. Isso para mim era claro, tanto quando aconteceu a lesão como mesmo no início do período de recuperação. A lesão acontece já no final da temporada, é num dos jogos de acesso a umas meias-finais da Liga dos Campeões. É com o Víctor Tomás, que até há pouco tempo era o ponta da seleção espanhola e do Barcelona. Ele é muito baixo, mais baixo do que eu, e é muito baixo para a média de alturas dos pontas de hoje em em dia, e por isso tem de fazer muita força para saltar. Tem uma impulsão fantástica, mas tem de fazer uma força muito grande no pé de apoio para saltar. O que aconteceu naquela jogada foi que ele, em vez de saltar com o espaço que eu lhe dei, saltou antes do meu pé mas em direção ao meu joelho. Põe a força toda no chão mas quando coloca o joelho para se impulsionar, foi joelho contra joelho, sendo que o meu estava parado. Fraturei a rótula, fiz uma fissura, e o processo de recuperação acabou por danificar o tendão rotuliano. Deixo de jogar não por essa lesão da fratura específica mas pela própria recuperação.

O Ricardo fazia parte da seleção portuguesa que esteve no Europeu de 2006, o último em que Portugal participou até ao deste ano. Como é que se justifica esta ausência prolongada e como é que se conseguiu voltar aos Europeus? 
Essa é uma pergunta em que o meu racional pode ser diferente de outros racionais — e quase de certeza que o é. Mas eu atribuo esse interromper desse ciclo onde a seleção portuguesa vinha a participar recorrentemente àquilo que foi uma guerra política entre a Federação de Andebol de Portugal e a Liga Portuguesa de Andebol, nesses anos, que causou um dispersar das atenções. Chegando-se ao ridículo de nós termos estágios da Seleção Nacional com grupos de jogadores que eram recrutados em função dos clubes em que jogavam. Portanto, se os clubes onde esses atletas jogavam pertencessem à Federação, o selecionador nacional podia convocá-los; se pertencessem à Liga, o selecionador nacional não podia convocá-los, existiam limitações à convocatória. E um português, como eu, que é muito nacionalista e que competiu lá fora e que sabe o quão difícil é um português competir no estrangeiro, tem muitas dificuldades em gerir tudo isto. Apesar de que eu até acho que a Seleção não teve um mau desempenho perante o grupo difícil que teve, em 2006, e termos ficado pelo caminho na primeira fase.

E como é que olha para esta Seleção? Quais são as perspetivas à entrada para o Europeu?
Eu sou uma pessoa muito ambiciosa em relação aos resultados desportivos. Mas também sou uma pessoa que tem os pés assentes no chão relativamente à experiência e ao acompanhamento que fiz a esta equipa de Portugal nos últimos anos. Portugal não se apurou para fases finais antes, umas vezes por falta de competência, outras vezes por falta de sorte. Recordo-me de que tivemos aqui uma oportunidade com a Islândia, no Porto, em que acabou por ser uma segunda parte muito má de Portugal que nos retirou do Campeonato da Europa. E esse momento acaba por marcar um pouco os próprios atletas e o treinador e toda a gente que está envolvida na equipa. Não é falta de competência, não é falta de competitividade dos atletas, mas essa segunda parte não correu bem. E às vezes uma segunda parte, às vezes cinco minutos de um jogo, às vezes três segundos de outro jogo, ditam aqueles que vão estar entre os melhores e aqueles que não têm hipótese de estar entre os melhores.

Ricardo Andorinho no jogo de Portugal frente à Rússia (32-35) do Campeonato da Europa de 2006

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Mas qual é o objetivo real desta seleção portuguesa?
Esta Seleção fez um trajeto muito meritório, com pessoas e atletas e treinadores e uma equipa de suporte que conhece esta realidade que vos estou aqui a explicar hoje e que tem trabalhado no sentido de deixar os atletas jogarem o seu andebol, mostrarem o que são capazes de fazer e terem as melhores expectativas no início deste Campeonato da Europa. E as melhores expectativas são nós apurarmo-nos no grupo de qualificação. Nós temos um resultado histórico contra a França, em Portugal, e podíamos ter tido outro resultado histórico contra a França fora senão tivéssemos caído ali na parte final. Esse resultado contra a França, na cabeça dos atletas e naquilo que é o potencial de performance deste Campeonato da Europa, fez um grande trabalho. No sentido de lhes mostrar, e de nos mostrar a nós portugueses, que esta seleção portuguesa pode ganhar à França. Se calhar, em dez jogos, não conseguimos ganhar seis, ou cinco. Mas, estando bem dentro de campo, podemos competir de igual para igual e fazer uma surpresa como àquela que fizemos aqui e onde a França parecia uma equipa totalmente ao alcance de Portugal.

A lesão do Gilberto Duarte pode ser um fator também catalisador? Ou seja, os jogadores podem unir-se ainda mais para conseguir dar esta vitória a um dos principais jogadores da equipa?
Nós quando falamos de desportos coletivos temos muita tendência para identificar os melhores dessa equipa. É o caso do Cristiano Ronaldo, que ofusca completamente os colegas da Juventus ou quem está ao lado dele na Seleção Nacional. E isto é natural, é a nossa história, é a história da comunicação social. E todos nós estamos muito formatados a avaliar as perdas como se fossem…”não, sem o Gilberto Duarte não vamos ter hipótese”. Claro que vamos ter hipótese! Vamos ter quase as mesmas hipóteses que teríamos se o Gilberto Duarte estivesse a 100%. Não são as mesmas mas são quase as mesmas.

Andebol. Portugal está sem Gilberto Duarte, mas tem ambição para o Europeu de 2020

Porquê?
Porque num desporto coletivo como o andebol, aparecem tantas jogadas…acima de tudo, aquilo que depois vai ser decisivo num jogo são os momentos em que nós, enquanto equipa, vamos ter oportunidade para ganhar os jogos. Para ter oportunidade de ganhar os jogos, a equipa tem de ser super competitiva em 50 e muitos minutos, para ter esses minutos em que tudo se decide. O Gilberto vai estar com a equipa, vai estar a sofrer à distância como eu, não vai poder contribuir lá dentro, vai sofrer mais do que os colegas que estão a contribuir lá dentro, mas de certeza que em termos de performance global que não é por não termos o Gilberto Duarte que não vamos ter um bom resultado para Portugal.

E aí também existe a questão da química das equipas? Dos jogadores que jogam juntos durante a temporada e depois também estão juntos na Seleção?
Sem dúvida que sim. Historicamente, tem sido assim. Tivemos muita influência do Alexander Donner na Seleção Nacional de andebol, ele era treinador do ABC e as dinâmicas que trabalhava com os atletas do ABC eram rotinas completamente diferentes daquelas que existiam quando chegávamos à Seleção Nacional. Mas isso é um aproveitamento que todos os treinadores mais competitivos fazem daquilo que são as dinâmicas que os próprios atletas criam nos seus clubes de origem. E isso sem dúvida que tem sido bem utilizado na seleção portuguesa. Essa química, no fundo, é o que queremos transportar para todos aqueles que estiverem ao serviço da Seleção Nacional durante o Europeu e durante as oportunidades que o selecionador nacional der a quem estiver dentro de campo naqueles momentos.

"Em termos de performance global, não é por não termos o Gilberto Duarte que não vamos ter um bom resultado para Portugal no Europeu."

Esteve nas listas às eleições do Sporting com João Benedito em 2018. Como vê o estado atual do clube?
Acho que é uma realidade muito complicada. Vejo, acima de tudo, a Direção do Sporting — e esta é talvez a maior crítica que faço — sem perceber o passado e aquilo que o clube é, ou era, na altura em que se avança para uma nova Direção e se tenta estruturar um clube nas condições em que o Sporting estava depois daquele processo eleitoral. Tenho uma visão muito pessoal, crítica desta realidade — em favor do Sporting. Custa-me ver os sportinguistas divididos, custa-me ver demasiadas fações e custa-me ver, acima de tudo, pessoas que acham que conhecem uma realidade que nunca viveram. Isso são as coisas que me custam, na prática. Depois existe a componente política e a informação e a desinformação e o diz que disse…

E a parte desportiva, sobretudo no futebol, que é o reflexo de tudo isso…
Certo, mas a realidade desportiva é uma consequência destas coisas todas. Ou seja, a realidade desportiva é consequência de um plantel, é consequência de como é que esse plantel é feito, é consequência de como é que foram feitas as contratações, do que se pagou pelas contratações…porque isto não é como era antigamente. Agora tudo se sabe. Agora, discute-se o nível de conhecimento que cada sportinguista tem sobre aquela matéria. E eu fui um pouco treinado, até pelas minhas responsabilidades na Federação de Andebol de Portugal, a não emitir grandes opiniões sobre aquilo que eu acho. Porque uma coisa que nós temos muito em Portugal e no desporto é a cultura do “achómetro”. Todos achamos.

Entramos agora em desconto de tempo, com perguntas rápidas para remates para golo: um golo de rosca, um chapéu ao guarda-redes ou um golo de uma baliza à outra?
Um golo.

Se não jogasse andebol, que outra modalidade poderia ter praticado?
Quase todas. Sou alguém que se vicia muito facilmente em qualquer desporto. Gosto muito de padel, estou a jogar padel também. Também gosto muito de basquetebol, os meus dois filhos jogam basquetebol. Há muitos, é difícil escolher só um.

Prefere ver um jogo na bancada ou no conforto do sofá?
Em casa. Mas a maioria dos jogos, ou seja, há jogos que só gosto de ver no estádio ou nos pavilhões, porque o desporto na televisão é completamente diferente.

Évora, Lisboa ou Pamplona?
Évora, Pamplona e Lisboa.

Portugal a ser campeão da Europa ou o Sporting a ganhar a Liga dos Campeões de andebol?
Portugal a ser campeão da Europa.

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