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Há dois anos, António Costa apresentou uma lista de candidatos a deputados de continuidade e agora Pedro Nuno Santos não faz muito diferente. O novo líder aproveita praticamente metade dos cabeças de lista que o seu antecessor já tinha candidatado em 2022 e mantém nas listas 18 governantes ainda em funções. Um deles é o seu adversário interno, José Luís Carneiro – depois de negociações tensas com ameaças de abandono pelo meio –, que volta a estar à frente de Braga e tem vários apoiantes seus a liderar círculos.
Ao todo são dez os cabeças de lista que se mantêm intocáveis e mais uma, Ana Abrunhosa, que continua à cabeça de uma lista, embora mude de círculo. Pedro Nuno Santos manteve-se em Aveiro, Carneiro em Braga, Jamila Madeira em Faro, Alexandra Leitão em Santarém, Ana Catarina Mendes em Setúbal, Ana Mendes Godinho na Guarda, Francisco César nos Açores, Santos Silva Fora da Europa e Paulo Pisco na Europa.
A presença de governantes da era Costa já se nota neste conjunto, mas ainda engrossa, com os ministros Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva, Marina Gonçalves e Manuel Pizarro e os secretários de Estado António Mendonça Mendes, João Paulo Correia, Eduardo Pinheiro, Ana Sofia Antunes, Isabel Ferreira, Carlos Miguel, Paulo Cafôfo, Nuno Fazenda e Isabel Oneto.
E ainda houve seis antigos governantes que continuam a entrar nestas contas, casos de Marta Temido, Miguel Cabrita, Eurico Brilhantes Dias, João Torres. Ricardo Pinheiro e Jamila Madeira. Todos passaram pela fileira executiva de Costa e mantêm a confiança do pedronunismo. Mas também houve governantes atuais a ficarem pelo caminho, como a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, e Duarte Cordeiro, do Ambiente.
O primeiro grande quebra cabeças de Pedro Nuno está fechado (as listas foram aprovadas com 84% de votos a favor, 13% de abstenções e 3% de votos contra numa reunião da Comissão Política Nacional), mas não sem dores. Houve um cabeça de lista que entrou e saiu em menos de 24 horas (Álvaro Beleza), um adversário que era candidato de manhã e deixou de ser à noite (Daniel Adrião) e acusações duras de rivais recentes (os carneiristas). No final, o novo líder saiu a admitir ter existido “alguma tensão” que disse ser natural e a cravar a sua marca de continuidade assumida: “Quem esperava rutura engana-se”.
O principal motivo de tensão na reta final da composição das listas teve a ver com a pressão de José Luís Carneiro, que tentou incluir nomes dos seus apoiantes nas listas até à última hora. Em negociações até ao fim, conseguiu atingir os seus objetivos, com ajustes nas listas do Porto (onde ainda incluiu a sua secretária de Estado Isabel Oneto), Braga (onde os apoiantes já acusavam Pedro Nuno de fazer uma “purga”) e a inclusão do coordenador da sua moção, André Moz Caldas, ainda que num lugar arriscado, em Lisboa.
Além disso, soma o apoio de seis cabeças de lista. Ainda assim, e reconhecendo “vitórias importantes” a Carneiro, há mesmo entre os seus apoiantes quem admita que boa parte dos nomes do seu lado que foram incluídos eram “óbvios” – casos de Augusto Santos Silva, Fernando Medina ou Eurico Brilhante Dias –, pelo que a negociação teve sobretudo a ver com acertos de nomes com menor peso, que as estruturas locais deixaram para trás. À saída da reunião, Carneiro, já confirmado como cabeça de lista a Braga, deixaria um reparo ao aparelho – faltou “espírito de coordenação” – mas elogiaria os “acertos” feitos diretamente com Pedro Nuno Santos, concluindo que saiu daqui um PS mais “fortalecido”. Menos uma dor de cabeça para o novo líder, que à saída concluiu: o esforço por provar que há “pluralidade” no PS está espelhado nas listas finais.
No meio do tetris que teve de fazer, houve uma variável em que Pedro Nuno Santos não apostou: os independentes, que Costa chegou a incluir em lugares de destaque nas suas listas. À saída da Comissão Política, justificou-se com um ataque à Aliança Democrática — “não inventamos falsos independentes” — e com o “orgulho” que tem em ser do partido — mas prometeu mostrar que também consegue atrair gente de fora quando lançar um fórum sobre o programa eleitoral que está a construir, em fevereiro.
O Observador analisa aqui as novidades, mudanças e equilíbrios conseguidos e os compromissos que saíram furados, círculo a círculo.
Lisboa. A coabitação entre costismo e pedronunismo
Nas três últimas legislativas, o então líder do partido, António Costa, foi sempre o cabeça de lista por Lisboa e agora o lugar passa diretamente para as mãos do seu braço direito nos vários governos. Mariana Vieira da Silva é dada como um sinal de apaziguamento interno, já que não só representa o costismo, como também é um nome que José Luís Carneiro queria ver incluído nas listas. E dois lugares abaixo aparece outro ministro de peso e com igual efeito de pacificação interna: Fernando Medina.
Ainda vindos da era de governação Costa, em Lisboa avança ainda Marta Temido (que é apontada como possível candidata à Câmara, saltando para este círculo vinda de Coimbra) e também Miguel Cabrita, que durante seis anos foi secretário de Estado do Emprego.
LUSA
Mantêm-se neste círculo nomes que divergiram da linha de Costa, como Sérgio Sousa Pinto e Marcos Perestrello, que fazem parte de uma linha mais moderada com que Pedro Nuno tem contado para amainar a ideia de radical que tem associada.
As ausências mais notadas, face a 2022 são a de Duarte Cordeiro, que não quer manter cargos públicos além daquele que aceitou na direção de Pedro Nuno Santos, e também, claro, a de João Galamba.
Lisboa é uma lista de muitas manutenções, como a de Isabel Moreira, Edite Estrela ou Maria da Luz Rosinha, mas também tem entradas novas vindas diretamente do círculo do líder, como Pedro Vaz ou Maria Begonha (que já estava, mas em lugar não elegível, foi subindo na lista, até chegar ao Parlamento, com as saídas para o Governo). Entra também de fresco André Rijo, que estava no último mandato da Câmara de Arruda dos Vinhos. E Ricardo Lima, presidente da junta de freguesia de Moscavide e Portela, sobe na lista para um lugar em que pode ser diretamente eleito. Nomes próximos de Pedro Nuno, mas sobretudo do presidente da distrital de Lisboa, Duarte Cordeiro – que pode sair de cena, mas mantém a influência elevada, bem como tenta ativar a mobilização das estruturas locais através destas promoções.
Porto. Um destaque especial e mais do mesmo
▲ Francisco Assis encabeça lista do Porto
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
No Porto, a mudança mais relevante será mesmo a do cabeça de lista, uma vez que a saída de Alexandre Quintanilha – que era o deputado mais velho do Parlamento, mas também representava um dos poucos independentes com que o PS poderia contar nestas listas – significa também que entra Francisco Assis. Em 2022, António Costa não tinha incluído o presidente do Conselho Económico e Social nas suas escolhas. Agora, Pedro Nuno Santos vai buscá-lo, acabando oficialmente com o período de exílio partidário que Assis atravessou quando se opôs à geringonça, e dá-lhe um dos lugares de maior destaque a nível nacional.
No Porto, a lista não traz surpresas de maior: segue-se João Torres, diretor de campanha de Pedro Nuno Santos, que de sétimo lugar passa para o pódio da lista; Tiago Barbosa Ribeiro, presidente da concelhia e pedronunista de sempre; ou, analisando quais os governantes incluídos na lista, os secretários de Estado João Paulo Correia e Eduardo Pinheiro, além do ministro da Saúde, Manuel Pizarro, que acabou por ser incluído na reta final, pela quota de Pedro Nuno. E há uma subida muito significativa, da deputada Patrícia Faro, que em 2022 concorreu em 15º lugar e agora foi a segunda indicada pela distrital.
Existem também mais algumas saídas além da de Quintanilha: desaparece o ex-ministro João Pedro Matos Fernandes, que já tinha abandonado o Parlamento. Também desaparece Ana Paula Bernardo, sindicalista da UGT, mas entra por Lisboa. A carneirista Isabel Oneto, que em 2022 fora candidata em quarto lugar, foi até ao fim deixada de fora, tendo sido um dos motivos de queixa da ala de José Luís Carneiro – acabou por ser incluída na versão final das listas.
Setúbal. Saídas com história e dois governantes
▲ Ana Catarina Mendes continua a ser candidata por Setúbal
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Em Setúbal, a cabeça de lista, Ana Catarina Mendes, mantém-se (embora não falte quem aposte que, quer seja porque vai para um eventual Governo ou porque poderá ter uma candidatura europeia em mãos, pode não estar no Parlamento por muito tempo). No resto da lista há alguns ajustes, para encaixar nomes via quota nacional. Desde logo, são de notar alguns desaparecimentos: sai da lista João Gomes Cravinho, o ministro dos Negócios Estrangeiros de António Costa que foi acumulando críticas e pedidos de demissão da oposição por causa das polémicas que o envolveram na sua anterior pasta, a Defesa. Também não constam da lista dois deputados com história no Parlamento: são os casos de Maria Antónia Almeida Santos, deputada desde 1999 por quem a distrital não se atravessou, e Jorge Seguro Sanches, que tinha assento no Parlamento desde 2005 e foi também secretário de Estado.
Neste caso, as saídas provocam alterações na ordem dos lugares: quem sobe para terceiro lugar (onde estava Gomes Cravinho) é o presidente da federação, António Mendonça Mendes, que tal como a cabeça de lista (e sua) irmã se manteve neutral durante a corrida interna do PS. Foi, no entanto, rapidamente puxado para o pedronunismo, integrando agora o novo secretariado do partido. Ambos os irmãos Mendes são, atualmente, governantes. Na lista entra o líder da JS, Miguel Costa Matos, que costuma entrar por Lisboa, e João Paulo Rebelo, deputado e ex-secretário de Estado próximo de Pedro Nuno Santos, que ficou fora da lista de Viseu, por onde é habitual concorrer.
A lista acabou por gerar alguma divisão – uma vez que foi aprovada com 64% dos votos – mas fontes locais justificam o número de votos contra com dois fatores: por um lado, a insatisfação da JS, que preferiria contar com um lugar mais confortável, mas ainda assim vê o representante Ivan Gonçalves (ex-presidente da JS nacional) em nono lugar – uma posição mais acima em relação a 2022; e a lista B, associada a Daniel Adrião, que votou contra por não estar representada na lista. Os nomes que compõem a lista de elegíveis em Setúbal têm em conta, em primeiro lugar, o peso político e dimensão nacional e, em segundo, a satisfação do aparelho partidário.
Leiria. Tentar repetir resultado histórico, mas mudando quase tudo
O caso da gémeas lusobrasileiras também entrou pelas listas socialistas, com o médico, deputado e antigo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, a ficar de fora das contas de Pedro Nuno. Para o lugar que ocupou em 2022, no topo da lista por Leiria, entra agora Eurico Brilhante Dias, que tinha ido a número dois. O líder parlamentar do partido nestes dois anos apoiou José Luís Carneiro nas diretas, mas foi um dos integrados nas listas de deputados.
Neste círculo entra ainda, em lugar elegível, a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, que passa de candidata por Lisboa para Leiria. Além do presidente da Câmara da Nazaré, que estava em fim de mandato, Walter Chicharro, Catarina Louro, vereadora da Câmara de Leiria e Sara Velez, que já era deputada. Nos cinco lugares elegíveis, a deputada e Eurico Brilhante Dias são os únicos repetentes, tudo o resto é novidade. E um dos nomes a desaparecer da lista para dar lugar aos novos é o da ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro. É um círculo cuja fasquia aumentou com a maioria absoluta, sendo difícil que repita agora o resultado histórico de 2022 (a primeira vez em que o PS ganhou em Leiria, conseguindo cinco eleitos).
Santarém. O círculo da coordenadora do pedronunismo
▲ Alexandra Leitão é coordenadora do programa eleitoral e encabeça lista de Santarém
ANDRÉ KOSTERS/LUSA
Santarém volta a ser encabeçada por uma ex-ministra que é também um dos mais fortes nomes do pedronunismo: Alexandra Leitão, que está a coordenar o programa eleitoral do PS. Em segundo lugar mantém-se o presidente da federação e pedronunista de há muito, Hugo Costa. A primeira mudança verifica-se no terceiro lugar, para onde sobe a atualmente deputada Mara Lagriminha, graças à saída de uma governante: a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, não tem lugar nas listas desta vez. Nos lugares elegíveis encontra-se ainda Francisco Dinis, que tinha entrado nas faixa dos lugares elegíveis graças à ida da ministra para o Governo e agora sobe alguns lugares. Os ajustes, incluindo a saída de uma ministra cujo mandato foi marcado por algumas polémicas com o setor, parecem ter sido bem recebidos, uma vez que na federação de Santarém a lista foi aprovada com 93,2% dos votos.
Coimbra. Adrião entra e sai: “Os factos falam por si”
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O círculo de Coimbra do PS amanheceu a prometer unidade, mas anoiteceu a dar cabo dela. A distrital garantia que Daniel Adrião, adversário de Pedro Nuno nas diretas, ia no quinto lugar, por indicação do líder. Não tinha eleição totalmente garantida, mas era um lugar efetivo. Mas quando as listas foram finalizadas, no seu lugar estava outro Daniel (Azenha). Ao Observador, Adrião disse que aceitou “o convite do secretário-geral do PS para ocupar o quinto lugar da lista de Coimbra, como posição limite, de boa fé e por espírito de compromisso, em nome da unidade do partido. A lista tinha sido aprovada ontem [segunda-feira] em reunião da Comissão Política Distrital de Coimbra, com o meu nome em quinto lugar. Sou hoje surpreendentemente confrontado à hora da reunião da Comissão Política Nacional com a decisão de que o Secretariado Nacional decidira colocar outra pessoa nesse lugar. Os factos falam por si.” Esteve para não ser um problema, mas acabou por ficar isso mesmo. Depois de ter estado praticamente isolado na oposição interna a António Costa, Adrião ganha aqui um argumento para repetir a dose com o novo líder.
A eleição da lista proposta pelo líder da federação João Portugal, tinha passado por uma curta margem, apenas por seis votos (a lista adversária queria ter dois nomes em lugares elegíveis), com a cabeça de lista a vir do interior e também do Governo. Ana Abrunhosa, a ministra que em 2022 liderou o círculo de Castelo Branco, avança agora por Coimbra. É uma figura independente, que Costa foi buscar em 2019 à presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, para onde tinha sido escolhida ainda pelo Governo de Pedro Passos Coelho. E é também uma voz que os socialistas reconhecem ter forte influência junto dos autarcas, pelas funções que desempenhou nos governos.
De resto, pelo distrito concorrem também Pedro Coimbra, Ricardo Lino e Raquel Ferreira (que completam o top 5).
Braga. A grande guerra teve cedências a Carneiro
▲ José Luís Carneiro fez pressão até ao fim para incluir os seus apoiantes nas listas
LUSA
Foi o epicentro da tensão que se viveu no PS nesta reta final de preparação das listas. A negociação decorreu até à última hora, com José Luís Carneiro a ameaçar inclusivamente que não aceitaria o convite para ser cabeça de lista por “respeito às pessoas que o apoiaram”, apurou o Observador. Referia-se a pessoas como os deputados Palmira Maciel e Luís Soares, que foram derrotados nas respetivas concelhias – afetas ao pedronunismo local – e não foram incluídos pela distrital na sua proposta de lista. Para os carneiristas, eram sinais de uma purga; para Carneiro, foi o suficiente para forçar a negociação até ao fim e ainda conseguir pressionar Pedro Nuno para incluir na lista o nome de Palmira Maciel.
Tensão na reta final das listas de Pedro Nuno. Carneiristas queixam-se de “purga”
Durante todo o processo, apoiantes do lado de Carneiro iam dando sinais de que a negociação estaria tensa em Braga – e, do lado de Pedro Nuno, havia quem ironizasse: Braga é um distrito tradicionalmente conflituoso no que toca a processos de listas, mas desta vez contou com um “aliado” na mesa das negociações nacionais, depois de as negociações distritais terem acabado com uma reunião suspensa e outra tentativa de reunião feita, 48 horas depois, à porta da sede da federação (que, segundo a ata desse encontro, estava fechada, o que inviabilizou que o encontro se concretizasse).
Resultado: Carneiro é mesmo cabeça de lista por Braga, conseguiu incluir nomes que estavam de fora e a lista segue com figuras do aparelho local, como o presidente da concelhia (e pedronunista) Pedro Sousa. Quem abandona o elenco é o atual secretário de Estado do Ambiente, Hugo Pires, que não consta das listas locais nem nacionais, tendo dito aos mais próximos que se “fechou um ciclo”.
Viseu. Uma repescagem de última hora e uma nova cabeça
Mais um caso de tensão prolongada até ao limite. Em Viseu, o PS elegeu quatro lugares em 2022 – um número que corre o risco de encolher. Desta vez, esses quatro primeiro lugares registaram mudanças, numa primeira fase, que agitaram os ânimos socialistas: nas listas aprovadas pela federação, saía o cabeça de lista, João Azevedo, um deputado (e membro do anterior secretariado) carneirista que as estruturas recusaram aceitar; e João Paulo Rebelo, deputado, ex-secretário de Estado e amigo próximo de Pedro Nuno Santos. A quota nacional acabou por repescar Azevedo, que ficou em terceiro lugar. Manteve-se o presidente da federação, o também pedronunista José Rui Cruz, assim como a deputada Lúcia Ferreira da Silva. Com o lugar de cabeça de lista por preencher e as estruturas a ameaçarem fazer “uma revolução” se Azevedo voltasse a ocupar o lugar cimeiro, a dúvida sobre quem seria o cabeça de lista manteve-se até ao fim, embora durante a tarde o nome da presidente das Mulheres Socialistas, Elza Pais, já fosse assumido como forte possibilidade. E acabou por se confirmar.
Aveiro. Distrito do líder não mexe
É o círculo do líder que não quis liderar outro nestas eleições, repetindo a candidatura. Natural de São João da Madeira, Pedro Nuno Santos é o cabeça de lista por Aveiro e vai seguido de todos os nomes que já tinham sido candidatos em 2022, mesmo que com ligeiros ajustes na ordenação: são os casos dos deputados Cláudia Santos, Filipe Neto Brandão, Hugo Oliveira, Susana Correia, Porfírio Silva, Joana Sá Pereira e Bruno Aragão, largamente alinhados com o novo líder.
Viana do Castelo. Uma fiel que fica e um independente que vai
A número dois de 2022, Marina Gonçalves, passou a número um. Mais um nome vindo do Governo de António Costa, no entanto, uma figura com uma ligação umbilical a Pedro Nuno Santos já que foi com ele que Marina Gonçalves chegou ao Governo, primeiro como adjunta nos Assuntos Parlamentares, depois como chefe de gabinete, depois como sua secretária de Estado da Habitação e, depois da sua saída, como ministra da mesma pasta. Faz parte da nova direção do partido e do núcleo duro do líder.
Sai da lista de candidatos a deputados o ex-ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues, uma figura forte no distrito de que António Costa nunca prescindiu desde 2015. Era um dos independentes com que contava e agora deixa uma lista onde reinam figuras do aparelho socialista. A número dois repete-se o deputado José Maria Costa e no terceiro lugar, o último elegível, vem António Quintas.
Vila Real. Começou em Beleza, mas acabou em polémica
▲ Álvaro Beleza recuou e não quis candidatar-se por Vila Real, após contestação das estruturas
MIGUEL A. LOPES/LUSA
Foi alvo de total confusão provocada por uma negociação de última hora que levou Pedro Nuno a indicar Álvaro Beleza como cabeça de lista do círculo ao qual não tinha qualquer ligação. E a estrutura local não gostou do paraquedismo (o que na gíria política se chama a um candidato sem laços ao círculo onde concorre), pelo que contestou a decisão do líder até que o próprio Beleza decidiu retirar-se, deixando o lugar para a atual deputada Fátima Correia Pinto, que era a número dois da lista.
Bragança. Uma novidade caída de um Ministério
É um distrito pequeno em que o PS elegeu, em 2022, pela segunda vez na história dois deputados. Agora vai com a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, no topo da lista, em vez de Sobrinho Teixeira – que a própria comissão política distrital tinha proposto a Pedro Nuno manter. A número dois estará o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, a deixar o município no segundo mandato, para se candidatar à Assembleia da República. Berta Nunes, que foi secretária de Estado das Comunidades no segundo Governo de Costa e presidente da distrital, também deixa a lista de candidatos a deputados.
Portalegre. Um repetente e uma novidade elegível
Outro círculo pequeno, onde o PS conta com dois lugares elegíveis e para onde volta a concorrer com Ricardo Pinheiro, antigo secretário de Estado do Planeamento, à cabeça. O número dois será João Pedro Meira, que lidera a JS de Portalegre e é também economista do Banco de Portugal.
Castelo Branco. Sai governante, sobe governante
Quando a comissão política distrital aprovou a parte da lista que lhe competia, deixando em branco os lugares (incluindo o de cabeça de lista) para indicação posterior do líder, estava convencida de que a lista voltaria a ser liderada por Ana Abrunhosa. Era isso mesmo que avançava toda a imprensa regional, no entanto, a ministra mudou-se para Coimbra e a solução encontrada por Pedro Nuno Santos foi fazer subir o segundo da lista, Nuno Fazenda, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços. Em segundo lugar entra Patrícia Caixinha e depois o atual deputado Tiago Soares Monteiro.
Beja. Troca de lugares
É um dos círculos mais pequenos do país – mesmo nas últimas eleições, com a maioria absoluta, o PS só conseguiu eleger dois deputados. São os mesmos candidatos desta vez, mas com uma troca na ordem em que se candidatam: o deputado Pedro do Carmo, que era cabeça de lista, passa para segundo lugar; e a lista passa a ser encabeçada por Nélson Brito, presidente da federação. No caso, é um carneirista que cai para um lugar menos favorável e um pedronunista – mais um dos representantes do aparelho de Pedro Nuno – que sobe na hierarquia das listas.
Évora. Tudo novo
Em Évora, a renovação é total, em comparação com a lista de 2022. Luís Capoulas dos Santos é substituído por Luís Dias, que sai da Câmara de Vendas Novas, onde estava em final de mandato, para se candidatar ao cargo de deputado. No segundo lugar, considerado elegível, entra Cláudia Sousa Pereira e sai Norberto Patinho.
Faro. Quase nada muda
O distrito algarvio continua a ser encabeçado pela dirigente Jamila Madeira, que ajudou a dirigir a campanha interna de José Luís Carneiro. De resto, a lista, aprovada na federação com 95,5% dos votos, traz quase nenhuma surpresa: o segundo, terceiro e quarto lugar continuam a ser dos atuais deputados Jorge Botelho, Luís Graça (presidente da federação de Faro, casado com Jamila Madeira) e Isabel Guerreiro. A primeira novidade surge num quinto lugar que desta vez será mais difícil eleger: é aí que aparece, desta vez, Custódio Moreno, diretor regional do Instituto Português do Desporto e Juventude.
Guarda. Duas repetições
É outro círculo curto, com dois lugares elegíveis para o PS que volta a ter Ana Mendes Godinho, atual ministra do Trabalho e da Segurança Social, a liderar a lista de candidatos. O número dois também não traz novidade, volta a ser António Monteirinho.
Açores e Madeira. Um salvamento feito por Lisboa
São casos diferentes das outras federações, uma vez que gozam de autonomia própria e portanto são discutidos dentro das estruturas açorianas e madeirenses. Nos Açores, não houve surpresas: o cabeça de lista repetente é Francisco César, um dos amigos e conselheiros mais próximos de Pedro Nuno Santos, que é neste momento vice da bancada do PS. As escolhas dos outros dois lugares elegíveis são exatamente iguais às de 2022: trata-se do deputado Sérgio Ávila e da secretária de Estado da Igualdade e Migrações, Isabel Rodrigues.
Já na Madeira o caso é diferente: Carlos Pereira, que tinha sido cabeça de lista em 2022 mas pertence à fação minoritária no PS-Madeira, ficou de fora, uma vez que a lista passou a ser encabeçada pelo novo líder do PS regional e secretário de Estado das Comunidades, Paulo Cafôfo (apoiante de José Luís Carneiro, ao contrário de Pereira, que esteve com Pedro Nuno). Ainda assim, manteve-se sempre a hipótese de que Carlos Pereira viesse a ser repescado, e acabou por ser encaixado na lista de Lisboa. Mantém-se na lista, em lugar elegível, o deputado Miguel Iglésias, da fação de Cafôfo, e para o lugar que era de Marta Freitas entra agora Sofia Canha (autarca e deputada na Madeira).
Europa e Fora da Europa. Mais duas repetições
Aqui não há grandes mexidas: Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República e um dos apoiantes de maior peso de José Luís Carneiro, volta a ser cabeça de lista pelo círculo de fora da Europa, tendo já sugerido publicamente que também estaria disponível para se manter como segunda figura do Estado (algo improvável no consulado de Pedro Nuno). Em 2022, este foi o único lugar eleito pelo PS. Já no círculo da Europa encontrava-se outra das preocupações dos carneiristas: manter Paulo Pisco no primeiro lugar, sendo o segundo assento da apoiante de Pedro Nuno Natália Oliveira. Aqui, a continuidade imperou e ficou tudo como dantes.